Capítulo 16 - Escola Platus (V)
Vi o pequeno castiçal cair no chão após ter atingido Ordog na cabeça, o qual virou sua atenção para o local de onde o objeto foi arremessado. Apontou o dedo e suas criaturas foram até os três. Se eu esperar demais para usar aquilo, eu posso morrer e levá-los comigo… Que se dane!
— Vem pra cima, seu bosta!
Puxei minha lâmina e desferi um corte em seu corpo. Provavelmente, só consigo o cortar graças ao poder da tatuagem, se não, já estaria morto há muito tempo. Com minha outra mão, me impulsionei para cima e puxei a pistola, disparando em sua cabeça. O vi cambalear para trás e grunhir e rir. Me preparei para seu próximo ataque enquanto Tony, Pierre e Ferdinand lidavam bem com as criaturas.
Ordog cabeceou meu peito, mas bloqueei com minha lâmina enquanto disparava mais uma vez contra seu peito. Corri para as suas costas, mas ouvi o grito:
— Égési Halal!
Seu corpo inteiro estava em chamas e um simples contato poderia trazer meu fim. Entretanto, ele não se aproximou, mas, sim, estendeu sua mão até minha direção e um jato de chamas veio até mim. Corri para evitar o golpe, mas Ordog se aproveitou disso para se aproximar e desferir um corte em minha coxa com a lâmina flamejante.
— Brilho do Asclepeion
Antes que a queimadura crescesse, curei-a. Nos degladiamos por mais uns minutos seguindo nesse mesmo ritmo, até que os outros três terminassem de matar todas as criaturas. Minhas roupas estavam parcialmente rasgadas e consegui contornar as queimaduras, mas alguns cortes ainda doíam. Ordog parecia ótimo enquanto se aproximava de mim.
— Sinceramente, Ordog… Você me deu mais trabalho do que gostaria. Uma pena essa luta acabar tão cedo…
Os três cercaram Ordog discretamente. Vi Tony preparado com a lâmina, Ferdinand em posição defensiva e Pierre tremendo, mas com coragem. Se fizéssemos ataques coordenados, derrotaríamos Ordog sem preocupações. Pelo menos, assim pensei. Avancei enquanto gritava:
— Todos, comigo!
Ordog apontava para mim, ordenando que seu exército me cercasse. Contudo, vi o que se assemelhava ao espanto em sua face. Ele não possuía mais um exército de criaturas. Agora, era só ele contra nós quatro. A lâmina brilhou em dourado enquanto dizia:
— Aura Parcial!
Meus olhos brilharam em amarelo juntamente das minhas tatuagens. As pontas dos meus cabelos ficaram douradas e, com minha lâmina agora dourada, cortei fora a mão em que apontava até mim. Em seguida, ele foi flanqueado pelos três. Vi a espada de Tony perfurando seu peito e o atravessando até o outro lado. Pierre o cortou no lado e Ferdinand realizou várias estocadas em seu corpo.
O vi perder o brilho enquanto gritava:
— Vocês! Vocês…! Vocês tem noção do que fizeram, malditos?! Eu sou Ordog! Aquele que é tão forte quanto um Deus! Vocês… Vocês vão morrer!
Vi seu ferimento no peito brilhando e disse:
— Corram!
Todos obedeceram e se afastaram enquanto Ordog criava uma onda de choque ao seu redor e corria até Ferdinand. Pulando em cima dele e o agarrando, abriu a boca pronto para arrancar e engolir a cabeça de meu irmão. Disparei contra ele três vezes. Já usei metade do meu pente e ele ainda está vivo. Sua resiliência é impressionante.
Tony avançou enquanto gritava o nome de Ferdinand e golpeava Ordog. Contudo, com um golpe de sua mão já apagada das chamas, jogava Tony longe. Em seguida, foi Pierre, que com um único golpe, quebrou sua espada, afinal, Ordog a pegou no ar enquanto observava Ferdinand e dizia:
— Previsível demais, moleque. Parece até que se esqueceu de como se faz…
Com um gesto das costas de sua mão, atingiu Pierre na bochecha e o jogou até mim. Consegui pegá-lo no ar e evitei um problema sério.
— Fica aqui, Pierre
Me levantei e avancei até Ordog. Nas minhas costas, um rastro de brilho dourado surgia enquanto corria e desferia mais um corte no corpo de Ordog. Ele não caía por nada, mas Ferdinand, ainda preso por seus pés, cravou a adaga na perna da besta, porém, nem parecia incomodá-la.
— Andem logo, crianças! Hahaha! Eu só estou esperando!
Tony ainda estava se levantando e eu estava ofegante. Vi Ordog jogar a lâmina próximo à Pierre, mas foi um arremesso fraco. Não entendi o motivo e nem tive tempo, afinal, ele vinha até mim com um caminhar lento e soberbo. Pareceram anos até ele chegar ao meu alcance. Comecei a suar frio e minhas mão ficaram trêmulas. Ferdinand tentava se levantar após a pressão exercida por ele. Mesmo com dor, o vi tentando dizer algo:
— É e-ele!
— O quê…?
— Foi e-ele quem tinha morrido! O rosto… Se parece!
Me virei para trás e vi Pierre sem o capuz tremendo com a espada de Ordog na minha direção. A criatura olhou e sorriu:
— Acabou com seu golpe furtivo, hein, Pierre?
— Pierre… O que é isso?
Perguntei com raiva nos olhos e ele me respondeu:
— E-Eu não tive escolha…!
— E como você sobreviveu? E-Eu vi você morrendo!
— Era falso… Tudo foi falso
Ordog se aproximava e dizia:
— Até que o controle da torre me foi bem útil… Pelo menos, trouxe ótimas refeições, Pierre! Bom trabalho! Você está livre, agora! Nem precisa matar ninguém! Só o abalo… Já foi o suficiente!
[A saída do quarto secreto “Paisagem Bucólica” está autorizada para Pierre Powolski.]
— Pierre… Eu sabia que não deveria ter confiado em você desde o início!
Quando ia atacar o jovem, vi Ordog pela minha visão periférica avançando até mim e me virei para bloquear o golpe, mas meu peito recebeu um corte de suas garras. Ferdinand correu até Ordog e pulou em cima da criatura, a esfaqueando poucas vezes na nuca. Tony correu até nós e me puxou para longe de Ordog.
Por que, Pierre? Qual o motivo?
Minha visão começou a ficar borrada enquanto era deixado apoiado na parede para repousar. Tony voltava para o embate e a batalha se intensificava. Os dois sozinhos contra Ordog e Pierre seria morte certa para nós. Pierre havia sumido do meu campo de visão. Provavelmente, deve ter saído do quarto secreto.
Ferdinand havia sido jogado para longe e o vi caído com o nariz sangrando. Tony estava indo bem, cortando várias vezes Ordog, mas seria em vão. Mesmo o demônio de mãos vazias, com só uma mão, nos mataria com velocidade. Era um massacre sem tamanho do nosso lado.
Num simples chute, Tony foi jogado para longe e Ordog se virou até mim enquanto sua mão começava a se incendiar em tons púrpuras. Minha visão estava turva e borrada. Eu iria morrer. Mesmo tendo absorvido todos aqueles núcleos, mesmo tendo feito um acordo… Esse era meu fim. Ordog estava aproximando sua mão até minha cabeça, mas vi um vulto surgindo do canto do meu olho e gritando, desferindo um corte vertical.
A mão apagada de Ordog caiu nos meus pés. Pelo tom de voz, pude saber. Era Pierre. Estava na minha frente e perfurou o estômago de Ordog, que estava incrédulo:
— O que você…?! Eu… Ora, vocês, humanos, são tão ingratos! Movidos por uma vontade inata de compaixão, arrependimento, grati-
— Cala a boca!
Pierre estendeu o corte para baixo, dividindo ainda mais a parte de baixo do torso de Ordog. Em seguida, cortou mais um pouco seu peito e um pedaço de seu antebraço esquerdo. Tentei falar:
— Pierre… Você…
— Por enquanto, fica em silêncio. Assim, você economiza suas forças. Eu cuido daqui, afinal, eu consegui o que eu precisava desde o começo pra sair vivo daqui!
Pierre dizia com um sorriso confiante mostrando sua mão com a lâmina de Ordog. Tony se levantou e disse enquanto corria:
— Mandou bem, garoto!
Com uma investida, Tony criou um corte mais profundo nas costas de Ordog, que tentou gritar alguma outra habilidade, mas Pierre não deu nenhuma abertura para a fera. Cravou a lâmina abaixo do queixo dele e bloqueou sua língua. Em seguida, pressionava para cima a arma e questionou:
— Alguma última palavra, seu desgraçado?
— Eu… Eu amaldiçoo você, Pier-
A espada perfurou até o topo da cabeça de Ordog e foi retirada, rasgando a parte frontal do rosto dele. A postura de Pierre havia mudado. Ele não aparentava estar com medo, ser fraco ou ser fujão. Ele estava orgulhoso e corajoso. Pegou minha capa e enrolou ao redor do meu ferimento. Em seguida, me olhou e disse:
— Descansa um pouco, cara, você está precisando
Assim, apaguei.

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