19 — Oito Dias
Daeron havia explicado as regras na manhã do primeiro dia com a brevidade de quem havia calibrado que menos palavras era mais eficiente do que mais.
— Sete dias. — Ele havia dito. Para os quatro no pátio, com a árvore velha ao fundo e o campo aberto além dela. — Vocês quatro, sem mim dirigindo. Descobrem como funcionar juntos com o que cada um trouxe. — Uma pausa. — No oitavo dia, lutam contra mim.
Raiji havia ficado olhando para ele.
— Contra você. — Ele havia dito.
— Contra mim.
— Com tudo.
— Com tudo. — Daeron havia confirmado.
— E você. — Raiji havia dito. — Vai usar o poder.
— Parte. — Daeron havia dito.
O pátio havia ficado quieto com o peso de uma palavra.
Parte.
Em meses de treino com Daeron, nenhum dos quatro havia visto o poder dele em uso real. Havia visto campos de pressão, havia sentido a qualidade de presença que um IN-Mestre tinha no ambiente. IN-Mestre não era rank que se acumulava com tempo ou missões — era reconhecimento de natureza. Mestre avaliava o que você conseguia fazer. IN-Mestre reconhecia o que você era. Havia menos de dez no registro ativo de qualquer geração, e nenhum havia chegado lá antes dos trinta. Daeron tinha vinte e cinco anos. Havia chegado lá antes disso — o que havia dito ao grupo, sem que Daeron havia dito nada, tudo que havia precisado saber sobre a escala do que estavam enfrentando. Parte do poder de Daeron era quantidade que nenhum dos quatro conseguia calcular completamente.
— Certo. — Eiden havia dito.
Daeron havia ido para dentro.
Os quatro havia ficado no pátio.
Mu havia ficado na árvore.
DIA 1 — pelo ponto de vista de Eiden
O problema havia sido visível desde o começo.
Eiden havia percebido isso nos primeiros trinta segundos dentro da zona de pressão — não o problema do campo em si, o problema dos quatro dentro do campo. Havia algo na forma que cada um havia entrado que havia comunicado, antes de qualquer movimento, que havia quatro pessoas com quatro entendimentos diferentes do que estavam fazendo.
Raiji havia entrado como Raiji entrava em qualquer situação — na frente, rápido, com a leitura de espaço que havia desenvolvido em anos de missão e que era genuinamente boa. Havia avaliado o campo de pressão em dois segundos e havia começado a se mover para o que havia identificado como ponto de menor resistência.
Não havia dito nada.
Havia simplesmente ido.
Miyu havia ativado o Olho imediatamente — a leitura passiva que havia aprendido era o primeiro reflexo dela em qualquer situação desconhecida. O vento havia começado a circular, mapeando. O Kage-Yume havia se expandido como cobertura de área para o grupo.
Também não havia dito nada.
Ayame havia ficado levemente atrás, espada na mão, chama em nível baixo, lendo o espaço com os olhos de alguém que havia passado um mês aprendendo a ler ambiente antes de agir.
E Eiden havia ficado no centro.
Com a Díade.
Havia feito o que havia treinado com Daeron — havia estabelecido a convergência leve que havia aprendido funcionava como âncora de campo para o grupo. A Díade em estado de referência, Yang e Yin em equilíbrio passivo, criando ponto fixo que os outros podiam usar como bússola de orientação espacial.
O problema havia sido que ninguém havia sabido que havia um ponto fixo.
Porque Eiden não havia dito.
Havia simplesmente feito — da mesma forma que havia feito nos treinos com Raiji no complexo abandonado, onde Raiji havia aprendido a sentir a âncora depois de semanas de exposição constante. Havia assumido que os outros dois sentiriam também.
Havia sido a suposição errada.
Raiji havia chegado ao ponto de menor resistência que havia identificado e havia encontrado que o campo de pressão era mais denso ali do que havia parecido da distância — havia sido leitura incompleta, o tipo que acontecia quando você entrava rápido demais para que a avaliação fosse completa. Havia tentado ajustar de direção e havia criado abertura lateral.
O vento de Miyu havia tentado cobrir a abertura lateral.
Para cobrir havia precisado expandir o alcance do Kage-Yume para além do raio onde havia sido calibrado.
A expansão havia interferido com a leitura de Ayame — a Sombra Retardada em alcance estendido havia criado distorção de profundidade no ângulo que Ayame estava usando para calcular distância até o campo de pressão.
Ayame havia dado um passo calculado para o espaço que havia parecido seguro e havia encontrado campo de pressão dois metros antes de onde havia esperado.
Havia absorvido o impacto com a barreira — Barreira Incandescente reflexa, o poder defensivo que havia aprendido a acionar antes de decidir acionar. Havia segurado.
Mas havia custado.
E naquele momento Eiden havia entendido o que havia falhado.
Não havia sido a formação. Havia sido a ausência de formação — quatro pessoas fazendo coisas individualmente corretas que haviam interferido umas nas outras porque ninguém havia comunicado o que estava fazendo antes de fazer.
A âncora de Eiden havia existido.
Ninguém havia sabido que existia.
Havia desativado.
— Para. — Ele havia dito.
Os outros três havia parado.
Haviam saído da zona de pressão.
Raiji havia ficado olhando para Eiden com a expressão de alguém que havia esperado análise de combate e estava recalibrando para análise diferente.
— O que foi. — Ele havia dito.
— Eu estabeleci a âncora sem comunicar. — Eiden havia dito. Com a direteza de alguém que havia chegado à causa e havia decidido que embrulhar em análise longa era desperdício. — Raiji não sabia que havia ponto fixo para orientação. Miyu cobriu abertura que não precisava cobrir se Raiji soubesse onde estava em relação ao grupo. Ayame calculou distância com a Sombra Retardada interferindo porque o alcance havia sido estendido para cobertura desnecessária.
O pátio havia ficado quieto.
— Tudo saiu de você não dizer que havia âncora. — Raiji havia dito.
— Sim.
— E você não disse porque.
Eiden havia ficado quieto por um segundo.
— Porque no treino com você havia aprendido depois de semanas. — Ele havia dito. — Havia assumido que os outros dois sentiriam também. — Uma pausa. — Foi suposição errada.
Raiji havia ficado olhando para ele.
Havia algo na expressão de Raiji naquele momento — não irritação, não avaliação. Algo mais próximo de reconhecimento de alguém que havia cometido o erro equivalente do outro lado: havia entrado no campo sem dizer para onde havia ido porque havia assumido que os outros saberiam acompanhar.
— A gente fez a mesma coisa. — Raiji havia dito. Para os quatro, sobre os quatro.
— A mesma coisa. — Miyu havia confirmado.
— Cada um entrou fazendo o que sabia fazer bem. — Ayame havia dito. — Sem dizer o que estava fazendo.
— Porque fazemos há meses de forma individual. — Eiden havia dito. — E individual não precisa de comunicação. Conjunto precisa.
O pátio havia ficado quieto com o tipo de silêncio que existe quando um grupo chega ao mesmo entendimento ao mesmo tempo e o entendimento é simples o suficiente para ser dito numa frase e pesado o suficiente para que a frase precise de espaço depois.
— Começa de novo. — Raiji havia dito, por fim. — Com comunicação.
— Com comunicação. — Eiden havia confirmado.
Haviam voltado para a zona de pressão.
Desta vez Eiden havia dito, antes de entrar: âncora no centro. Sintam e usem como bússola.
Desta vez Raiji havia dito, antes de se mover: vou para o ponto leste, menor resistência aparente. Cobrindo frontal.
Desta vez Miyu havia dito: Olho em modo de leitura de grupo. Kage-Yume em raio de quatro metros, não mais.
Desta vez Ayame havia dito: flanco direito. Chama em baixo. Barreira em standby.
Haviam chegado ao outro lado em seis minutos e quarenta e oito segundos.
Sem que ninguém caísse.
Era lento. Era com atrito. Era a coisa mais difícil que nenhum dos quatro havia feito em termos de coordenação.
E havia funcionado.
Eiden havia ficado com a qualidade daquele momento — o primeiro momento onde os quatro havia operado como unidade em vez de como quatro indivíduos no mesmo espaço.
Havia ficado com ela por tempo suficiente para arquivar o que havia sido diferente.
Depois havia dito:
— De novo.
Entre os dias
Os dias dois e três haviam sido sobre o sistema de comunicação de Miyu — os padrões naturais de cada um que o Olho havia aprendido a ler, a linguagem de corpo que havia existido antes de palavras. Havia funcionado progressivamente melhor. O quarto dia havia produzido a formação real. O quinto havia sido sobre estressar o que havia sido construído.
Havia progresso real em cada dia.
Havia também atrito real em cada dia — os conflitos de natureza entre os poderes que haviam aparecido quando o treino havia ficado mais denso. O campo elétrico de Kaminari Goku criando ruído no Olho. A amplificação da Díade na chama de Ayame excedendo o calibrado.
O maior havia aparecido no terceiro dia.
DIA 3 — pelo ponto de vista de Miyu
Havia sido às dez e dezessete da manhã.
Miyu havia sabido o horário exato porque havia sido o momento onde havia entendido o problema real — e havia arquivado o dado completo com a precisão que havia aprendido era a forma que processava coisas que tinham peso.
Dez e dezessete.
Raiji havia ativado Kaminari Goku em nível médio — não o pleno, o médio, que havia sido o que havia pedido para o exercício de formação que estavam treinando. Pressão frontal constante sem o custo total do pleno.
O Olho havia recebido o campo elétrico.
E havia parado.
Não desativado — parado. A diferença havia sido esta: quando Miyu desativava o Olho era decisão consciente, processo limpo, o poder recuando de forma ordenada para o estado passivo. O que havia acontecido às dez e dezessete não havia sido isso. Havia sido o Olho continuando ativo mas com o campo elétrico de Kaminari Goku criando ruído suficiente para que a leitura havia se tornado não só imprecisa mas ativamente enganosa.
Havia visto Ayame em dois lugares ao mesmo tempo por um segundo.
Havia visto o campo de pressão da zona leste como se estivesse ao norte.
Havia visto Eiden com a aura do campo de Raiji sobreposta — não duas leituras separadas, fusão que havia produzido dado que não havia correspondido a nenhum dos dois.
Havia fechado os olhos.
Havia ficado completamente imóvel.
Havia contado até três.
Havia reaberto.
O ruído havia continuado — o Kaminari Goku em médio ainda ativo ao redor de Raiji, o campo elétrico ainda presente, a interferência ainda fazendo o que fazia.
Havia desativado o Olho deliberadamente desta vez.
O mundo havia voltado ao normal — não ao normal com o Olho ativo, o normal sem. Sem fluxos de energia visíveis, sem intenções motoras legíveis, sem o campo tridimensional que havia aprendido a habitar tão completamente que a ausência havia a qualidade de perda súbita de sentido.
Havia ficado com essa ausência por um momento.
Raiji havia desativado o Kaminari Goku e havia olhado para ela.
— Miyu. — Ele havia dito.
— Estou bem. — Ela havia dito. Com o reflexo de sempre — e havia percebido, ao dizer, que era reflexo. Havia parado. Havia recomeçado. — O Olho recebeu interferência do campo elétrico. Não desativei — parou de funcionar com confiança.
Havia algo específico em dizer isso em voz alta.
Havia passado três meses aprendendo com Mikoto a distinguir entre poder ativado por controle e poder ativado por medo. Havia aprendido a nomear estados internos com precisão porque precisão era a única forma de trabalhar com o que não estava funcionando. Aplicar isso ao próprio poder em falha havia sido diferente de aplicar a estado emocional — mais técnico, menos pessoal — mas havia exigido a mesma disposição de não embrulhar o problema em linguagem mais suave do que o problema merecia.
O Olho havia parado de funcionar com confiança.
Essa era a frase certa.
— Quanto tempo durou o ruído antes de parar o Olho. — Eiden havia perguntado.
— Quatro segundos. — Miyu havia dito.
— Em médio. — Raiji havia dito. Com o tom de alguém chegando a conclusão que não havia esperado chegar tão cedo na conversa. — Em pleno vai ser mais rápido.
— Em pleno vai ser dois segundos. Talvez menos. — Miyu havia dito.
O pátio havia ficado quieto.
Havia a qualidade de silêncio que existia quando um grupo encontrava problema que não tinha solução limpa — só soluções que trocavam um custo por outro.
— O que fazemos. — Ayame havia dito.
Miyu havia ficado olhando para o campo aberto.
Havia pensado no que havia visto nos quatro segundos antes de parar o Olho — não o ruído, o que havia existido antes do ruído se tornar insuportável. Havia tido dois segundos de leitura com interferência crescente. Dois segundos onde o campo havia sido distorcido mas havia ainda dado suficiente para trabalhar.
Havia pensado na forma que Mikoto havia ensinado o Encantamento — não elemento como força a ser controlada, elemento como linguagem a ser aprendida.
Havia pensado no vento.
O vento não havia sido afetado pelo campo elétrico de Raiji.
Havia circulado durante os quatro segundos de ruído com o mesmo padrão de sempre — mapeando, respondendo ao ambiente, existindo sem ponto de vista fixo que a interferência elétrica pudesse distorcer. Porque o vento não lia energia espiritual diretamente — lia pressão física, temperatura, obstáculo. O campo elétrico de Kaminari Goku havia criado temperatura e pressão diferentes do ambiente normal.
O vento havia lido isso como dado.
Não como ruído.
— O vento não é afetado. — Miyu havia dito.
Os outros três havia ficado olhando para ela.
— O campo elétrico de Kaminari Goku cria temperatura e pressão específicas. — Ela havia dito, chegando à conclusão enquanto falava. — O vento lê temperatura e pressão. Quando o Olho está com ruído — quando não consigo confiar na leitura visual — o vento ainda consegue mapear onde cada um está, onde o campo de pressão está, onde os ângulos abertos estão.
— O vento vira o Olho quando o Olho falha. — Eiden havia dito.
— Não substitui. — Miyu havia corrigido. — É menos preciso. Não lê intenção motora — lê posição física. Mas posição física é suficiente para não operar às cegas. — Uma pausa. — E quando Raiji entra em pleno e o Olho fecha completamente, eu cambio para modo de vento e cubro o que o vento consegue cobrir. Deixo o que só o Olho cobre para depois da desativação.
Raiji havia ficado olhando para ela com a expressão que havia aprendido a reconhecer como avaliação genuína — não arrogância, não deboche. A versão real dele que aparecia quando havia visto algo que havia exigido recalibração.
— Isso significa que em Kaminari Goku pleno você opera com informação reduzida. — Ele havia dito. — E em vez de tentar compensar, você aceita o que o vento consegue dar e trabalha com isso.
— Sim. — Miyu havia dito.
— A maioria das pessoas tentaria compensar. — Raiji havia dito. Com algo que não havia sido crítica — observação sobre distinção que havia entendido havia custo real.
— A maioria das pessoas não passou um mês aprendendo que tentar compensar o que não tem com o que não está disponível é a forma mais rápida de desperdiçar o que tem. — Miyu havia dito.
Raiji havia ficado quieto por um momento.
— Mikoto. — Ele havia dito. Não pergunta — reconhecimento de origem.
— Mikoto. — Miyu havia confirmado.
Havia algo naquele momento — a forma que o mês separado havia entrado na conversa de forma natural, a informação de onde cada um havia ido assentando no grupo de formas que ainda estavam sendo descobertas.
Ayame havia ficado olhando para Miyu com algo nos olhos que havia aprendido a reconhecer como a versão dela de querer dizer algo que estava calibrando como dizer.
— O que. — Miyu havia dito, lendo.
— Que você acabou de fazer o que Mikoto ensinou dentro de um problema técnico. — Ayame havia dito. — Não procurou o que não tinha. Trabalhou com o que tinha.
Miyu havia ficado quieta por um segundo.
— Sim. — Ela havia dito. Com a simplicidade de quem havia chegado à mesma conclusão antes de ouvir e havia ficado com ela de forma diferente depois de ouvir.
O pátio havia ficado quieto por um momento.
— De novo. — Raiji havia dito. Com o tom que havia aprendido era a forma mais honesta de reconhecimento que Raiji tinha — não palavras, continuação. — Desta vez com o cambio.
Haviam voltado para a zona de pressão.
Desta vez quando Raiji havia entrado em Kaminari Goku médio, Miyu havia deixado o Olho trabalhar nos dois segundos antes do ruído se tornar insuportável — leitura rápida, arquivando posições — e havia cambiado para o vento antes do terceiro segundo.
Havia sido diferente.
Não sem custo — havia informação que o vento não conseguia dar que o Olho havia conseguido. Havia momentos onde havia operado com menos do que estava acostumada a ter.
Mas havia operado.
E havia sido, Miyu havia arquivado com a precisão de sempre, a primeira vez que havia entendido completamente o que Mikoto havia ensinado sobre trabalhar com o que estava disponível no momento em vez de insistir no que havia funcionado antes.
Entre os dias
O quinto dia havia sido o dia de Raiji perceber que a floresta ia amplificar os conflitos — que o ruído no Olho ia ser pior, que a amplificação da Díade na chama ia ser maior, que o trabalho era construir estabilidade suficiente para aguentar amplificação.
O sexto havia sido o dia de estressar a formação.
E havia sido o dia de Ayame.
DIA 6 — pelo ponto de vista de Ayame
A primeira vez havia sido às catorze e vinte e dois.
Ayame havia sabido o horário não porque havia verificado — havia sabido porque havia estado completamente presente naquele momento de uma forma que tornava o tempo concreto em vez de abstrato, e catorze e vinte e dois havia sido o momento onde havia sentido algo que não havia sentido antes.
Estavam em formação no campo aberto. Eiden estava no centro como âncora. A Díade em estado passivo, a presença quieta que havia aprendido a reconhecer como o campo de referência que Eiden criava para o grupo.
E então havia mudado.
Não a convergência — o precursor da convergência. A micromudança no campo ao redor de Eiden que havia aprendido, ao longo do mês de treino com Eiden e Raiji no complexo abandonado, que Miyu havia descrito como precursora.
Ayame havia sentido.
Não com o Olho — com a chama.
Havia aprendido, em três meses de treino com a espada e o Getsu-Ka, que a chama respondia ao ambiente de formas que haviam demorado tempo para aprender a ler. Respondia à intenção de Ayame antes que Ayame havia formulado a intenção completamente. Respondia ao estado emocional de aliados próximos — não leitura precisa como o Olho de Miyu, impressão, como quando você entra num quarto e sente antes de ver que algo mudou.
A chama havia respondido à micromudança no campo de Eiden.
Havia ficado levemente mais intensa — não muito, não visível de longe, mas presente para Ayame porque havia aprendido a sentir cada variação dela de dentro para fora.
Havia calibrado imediatamente.
Não conscientemente — o corpo havia feito antes que a mente havia chegado. Havia reduzido a intensidade base pelo quanto havia calculado a amplificação da Díade ia adicionar quando a convergência completasse. Havia chegado ao número certo antes que a convergência havia completado.
Quando a convergência de Eiden havia chegado, a chama havia ficado exatamente no nível que havia pedido.
Havia ficado completamente imóvel por um segundo.
Não surpresa — reconhecimento. O tipo que vinha quando algo havia estado se desenvolvendo por tempo suficiente que o momento de chegar havia sido inevitável, mas o inevitável ainda tinha peso quando chegava.
Havia desativado a chama.
Havia ficado com o que havia sentido.
Eiden havia saído da convergência e havia olhado para ela com a atenção de alguém que havia sentido com a Díade que algo havia mudado no campo de Ayame no momento da convergência.
— Você sentiu antes. — Ele havia dito.
— Sim. — Ayame havia dito.
— Como.
Havia ficado pensando por um momento na resposta certa — não a resposta técnica, a resposta verdadeira.
— A chama respondeu antes de eu decidir que havia algo para responder. — Ela havia dito. — Não foi leitura. Foi o Getsu-Ka reconhecendo o campo da Díade antes que eu havia processado que o campo estava mudando.
Eiden havia ficado olhando para ela.
— O Getsu-Ka e a Díade têm a mesma camada. — Ele havia dito, chegando à conclusão enquanto falava. — A qualidade de anterioridade — energia que existe antes de categorias. O Getsu-Ka reconhece a Díade porque são da mesma ordem de coisa.
Ayame havia ficado olhando para a lâmina silenciosa na mão.
Havia pensado no que Tessho havia dito na última conversa antes de partir — o Ketsuryoku Sōjū é mais antigo do que tudo que construímos ao redor dele. Quando Akatsume o usava, não havia cálculo político no centro. Havia só o poder e o propósito.
Havia pensado no que Mikoto havia dito a Miyu — que a Díade era o estado original. Yang e Yin antes da separação.
Havia pensado na chama — no Getsu-Ka que não queimava matéria mas queimava energia. Que havia sempre sido purificação, desde o começo, e que havia aprendido a chamar de ataque porque era o contexto em que havia aprendido a usar.
Purificação era a mesma coisa que a Díade — o estado antes. Antes da corrupção, antes do desequilíbrio, antes de tudo que havia se separado do que havia sido original.
A chama havia reconhecido a Díade porque havia reconhecido a si mesma.
— Sim. — Ela havia dito. Com o peso de palavra única que havia chegado de lugar mais fundo do que resposta técnica.
Eiden havia ficado olhando para ela com a qualidade de ser visto de uma forma que não havia planejado — o estado interno que havia chegado à superfície sem pedir permissão, visível para quem havia aprendido a olhar com atenção real.
— Obrigado. — Ele havia dito.
Ayame havia ficado olhando para ele.
— Por quê. — Ela havia dito. Genuinamente — não retórica, curiosidade real.
— Porque o que você acabou de dizer muda como entendo a Díade. — Ele havia dito. — Não a técnica — o que é. — Uma pausa. — Estava tratando a convergência como estado a alcançar. Você está dizendo que é estado que reconhece o que já tem a mesma natureza.
Ayame havia ficado quieta por um momento.
— É o que Shion disse sobre o Ketsuryoku Sōjū. — Ela havia dito, por fim. — Que o poder é mais antigo do que tudo que construíram ao redor dele. Que quando estava no propósito original, não havia cálculo. Só o poder reconhecendo onde precisava ir. — Uma pausa. — Talvez seja a mesma coisa para a Díade. Não alcançar o estado. Reconhecer onde ele já existe.
O campo aberto havia ficado quieto ao redor dos dois.
Raiji havia estado do outro lado do campo.
Havia ficado olhando para Eiden e Ayame com a expressão que havia carregado e guardado três vezes sem nomear — e desta vez havia ficado com ela por mais tempo do que havia conseguido guardar antes.
Havia virado para o campo aberto e havia ativado o Kaminari Goku por dois segundos — não treino, o impulso de alguém que precisava de movimento para não ficar parado com o que estava sentindo.
Havia desativado.
Havia ficado quieto.
Do outro lado do campo, Miyu havia estado com o Olho ativo — os dois olhos, sem pupila vertical, registrando o campo de cada um. Havia visto Raiji. Havia visto Eiden e Ayame. Havia ficado completamente imóvel por um momento com os dois olhos registrando a coerência específica de dois campos que haviam aprendido a existir próximos — não fusão, reconhecimento mútuo que havia a qualidade de algo que havia crescido ao longo de semanas e havia chegado ao ponto onde era visível para quem sabia o que estava vendo.
Havia fechado os olhos.
Havia aberto.
Havia ido para a árvore velha no centro do pátio com o caderno fechado.
Não havia aberto o caderno.
Havia ficado com algo que havia nomeado na noite do primeiro dia e havia arquivado para depois — que estava ficando progressivamente mais difícil de manter arquivado quanto mais havia para arquivar em volta.
A segunda tentativa de convergência sem aviso havia acontecido às dezesseis e quarenta e cinco.
A terceira às dezoito e onze.
Na terceira, Ayame havia calibrado antes.
Antes da convergência completar.
Havia ficado olhando para a lâmina com a chama no nível exato que havia pedido enquanto Eiden estava em convergência plena ao lado, com o campo da Díade amplificando o Getsu-Ka e o Getsu-Ka completamente estável porque havia calibrado para o que sabia que ia chegar.
Havia abaixado a espada.
Havia ficado com a qualidade daquele momento — não a conquista técnica, o que havia significado além disso. Havia aprendido a sentir o precursor do poder mais interior que Eiden tinha. Havia aprendido a reconhecer a respiração antes da fala.
Havia pensado em Shion dizendo volta na manhã que havia partido.
Havia pensado em Mikoto dizendo o poder e o propósito.
Havia pensado em Tessho dizendo o que o clã pode se tornar.
Havia pensado em Daeron dizendo vai haver conversa com o líder do clã. Vai ser difícil. Vá de qualquer forma.
Havia pensado em todas as coisas que havia carregado de volta dos três meses separada — não as técnicas, as pessoas. O que cada uma havia dado que não havia pedido mas havia precisado.
E havia pensado em Eiden dizendo obrigado com o peso que havia dito — não obrigado pelo treino, obrigado por algo que havia mudado como entendia o próprio poder.
Havia ficado com isso por um momento.
Depois havia embainhado a espada.
E havia ido treinar.
O sétimo dia havia sido para descanso.
Na tarde, Ayame havia ido do campo aberto para a árvore velha. Havia ficado ao lado de Eiden.
— Você está quieto de um jeito diferente hoje. — Ela havia dito.
— Diferente como. — Ele havia dito.
— Normalmente quando está quieto está processando. Hoje está quieto de um jeito que parece que chegou a algum lugar.
— Que o que vem a seguir vai exigir o que somos de verdade. — Eiden havia dito. — E o que somos é suficiente para tentar.
Ayame havia ficado olhando para ele.
— Sim. — Ela havia dito. Com o peso de palavra única que havia chegado de lugar real.
Mu havia descido do galho e havia ficado entre os dois.
Desta vez nenhum dos dois havia rido.
Haviam ficado com o que havia.
O sol havia continuado descendo.
E o campo aberto havia ficado dourado e depois alaranjado e depois o primeiro roxo do fim de tarde — guardando, como havia aprendido a guardar ao longo dos sete dias, tudo que havia acontecido e tudo que estava prestes a começar.

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