A primeira coisa que a floresta havia feito era silêncio.

    Não ausência de som — havia sons, havia o tipo de sons que existia em floresta densa e antiga: folhas, vento entre galhos, a qualidade de movimento pequeno que existia quando lugar tinha vida suficiente para que sempre havia algo se movendo em algum canto. Havia esses sons.

    Mas havia também algo por baixo deles.

    Uma camada de quietude que existia independente do som — como quando você entrava num lugar que havia presença forte e a presença havia preenchido o espaço de uma forma que o barulho não conseguia deslocar completamente. Miyu havia sentido isso nos primeiros trinta passos dentro da floresta e havia ficado com a sensação sem nomear ainda.

    O Olho havia ativado automaticamente.

    Não decisão consciente — reflexo. A floresta havia criado estímulo suficiente nos primeiros segundos que o Kage-Yume havia respondido antes que Miyu havia pedido. Havia ficado com isso também.

    — A floresta está ativa. — Ela havia dito, para o grupo.

    — Ativa como. — Raiji havia dito, à frente.

    — Como lugar que foi feito com intenção e a intenção ainda está presente. — Miyu havia dito. — Não é floresta que cresceu. É floresta que foi decidida. E a decisão ainda está aqui.

    Havia ficado quieto por um momento.

    — Isso é tranquilizador ou preocupante. — Raiji havia dito.

    — Ainda estou vendo. — Miyu havia dito.

    O que a floresta mostrava para cada um

    Havia sido Ayame a primeira a notar que a floresta não havia mostrado a mesma coisa para cada um dos quatro.

    Havia percebido porque havia notado algo na chama — não intensidade, qualidade. A chama havia ficado levemente mais azul do que o estado base normal. Não o azul do Getsu-Ka em uso ativo, o azul de repouso mas mais saturado, como se havia algo no ar da floresta que havia a qualidade de purificação que o poder de Ayame havia reconhecido e havia respondido.

    Havia ficado com a mão sobre a espada embainhada.

    A lâmina havia estado morna — não quente, morna. O tipo de temperatura que havia quando o Getsu-Ka estava presente em nível baixo sem intenção consciente.

    — A chama está respondendo à floresta. — Ela havia dito, em voz baixa. — Não pedi.

    — O que está sentindo. — Eiden havia dito.

    Ayame havia ficado com a questão por um momento.

    — Pureza. — Ela havia dito, por fim. — Como se a floresta foi feita sem corrupção. Sem desequilíbrio. — Uma pausa. — O Getsu-Ka reconhece isso.

    Havia algo na forma que havia dito — não surpresa, reconhecimento. Como quando você entrava num lugar que havia a mesma qualidade de coisa que você havia carregado por dentro por tempo suficiente que havia se tornado familiar mesmo sem referência externa.

    Para Raiji havia sido diferente.

    Havia sido mais interno — não algo que havia sentido no poder, algo que havia sentido no corpo. Uma qualidade de presença que havia aprendido a reconhecer mas que havia sempre sido mais fraca fora de Kaminari Goku. O Raiju havia ficado mais próximo da superfície desde o momento em que havia entrado na floresta.

    Não ativado. Próximo.

    Como quando você sentia cheiro de algo familiar antes de ver de onde vinha.

    Raiji havia ficado andando com a expressão de alguém que estava gerenciando algo que não havia pedido para gerenciar.

    — O Raiju está inquieto. — Havia dito. Para o grupo, com a direteza que havia aprendido era mais útil do que gerenciar sozinho e deixar os outros sem dado relevante. — Não ativado. Mas mais presente do que deveria estar sem eu chamar.

    — A floresta amplifica. — Eiden havia dito. — O Raiju é parte do que você é. A floresta está amplificando isso também.

    — Útil de saber. — Raiji havia dito. Com o tom seco que havia quando havia processado informação que não havia gostado mas havia aceitado. — Menos útil de gerenciar.

    Para Eiden havia sido a Díade.

    Havia sentido no segundo em que havia entrado — não a convergência, o estado de repouso da Díade havia mudado de qualidade. O equilíbrio passivo de Yang e Yin havia ficado levemente mais presente, como quando volume de algo que havia sempre estado lá havia subido por fração que mudava de nota sem mudar de instrumento.

    Havia ficado com a sensação sem agir sobre ela.

    A floresta havia reconhecido a Díade — essa havia sido a impressão mais próxima do que havia sentido. Não como inimigo, não como ameaça. Como coisa familiar encontrando coisa familiar. A floresta havia sido criada por Musubi Kaito, e Musubi Kaito tinha poder chamado Origem. E a Díade era o estado original de Yang e Yin antes da separação.

    Havia ficado com o que isso poderia significar por um momento.

    Havia arquivado para depois.

    — Formação. — Havia dito. — Estamos mais fundos do que no começo. Os espíritos aqui vão ser mais fortes.

    Os quatro havia se ajustado — Raiji à frente, Ayame no flanco, Miyu na retaguarda com o Olho em leitura de campo, Eiden no centro com a Díade em estado que havia aprendido a manter sem deixar a amplificação da floresta escalar além do que havia pedido.

    O que o Olho encontrou na floresta

    Havia sido na segunda hora dentro da floresta que Miyu havia percebido o problema.

    O Kage-Yume havia estado em leitura passiva desde a entrada — mapeando campo, lendo espíritos antes de chegarem ao alcance físico, cobrindo o que o vento mapeava com leitura mais precisa. Trabalho normal. O que o Olho fazia.

    Mas havia começado a ler a floresta em si.

    Não os espíritos dentro da floresta — a floresta. O tecido do lugar. A estrutura energética que havia sido criada por Musubi e que havia preenchido cada árvore, cada raiz, cada camada de ar com a qualidade de intenção que havia descrito ao grupo como decisão ainda presente.

    O Olho havia encontrado isso e havia ficado.

    Havia sido como tentar ler uma pessoa e descobrir que a pessoa era o tamanho de um horizonte.

    Havia fechado o Olho imediatamente.

    Havia ficado parada por dois segundos com os olhos físicos fechados também — não o Kage-Yume, os olhos normais. Havia precisado de escuridão total por um momento para separar o que havia lido da floresta do que havia do grupo.

    — Miyu. — Eiden havia dito.

    — Estou bem. — Ela havia dito. E havia ficado com a distinção — estava bem fisicamente, estava processando algo que havia exigido pausa. Havia recomeçado. — O Kage-Yume começou a ler a floresta.

    — A floresta. — Raiji havia dito.

    — Não os espíritos. O lugar. A estrutura energética do que Musubi criou. — Miyu havia dito. — O Olho não foi feito para isso. Não tem escala. É como tentar ler a intenção de um oceano.

    — O que acontece se continuar lendo. — Ayame havia dito.

    — Não sei. — Miyu havia dito. Com a precisão de quem havia nomeado limite real. — E não quero descobrir dentro de uma floresta competitiva.

    — Então não continua. — Eiden havia dito.

    — Não continuo ativamente. — Miyu havia dito. — Mas a floresta está no campo de leitura passiva do Kage-Yume de forma que não consigo simplesmente ignorar. Vou ter que gerenciar o alcance constantemente para manter o Olho focado em pessoas e espíritos e não no lugar.

    — Quanto custa isso. — Raiji havia dito.

    — Mais do que custar normalmente. — Miyu havia dito. — Menos do que deixar o Olho ler o que não deve.

    Havia ficado quieto por um momento.

    — Daeron disse que a floresta amplifica o que somos. — Ayame havia dito. — O Kage-Yume é leitura. A floresta está amplificando a leitura para além do que o Kage-Yume foi calibrado para fazer.

    Miyu havia ficado com isso.

    Era a descrição mais precisa do que havia acontecido.

    — Sim. — Ela havia dito. Com o peso de alguém chegando a entendimento que havia preferido não chegar ainda.

    Havia reativado o Olho — com alcance deliberadamente reduzido, fronteiras mais estritas do que o normal, a leitura passiva contida no raio de trabalho que havia aprendido era o seguro. A floresta havia continuado presente nas bordas do que o Kage-Yume alcançava, como oceano presente além de margem que havia decidido não cruzar.

    Havia sido gerenciável.

    Por enquanto.

    Os espíritos mais fundos

    O primeiro espírito de nível real havia aparecido na terceira hora.

    Tipo-2 — havia a densidade de presença que o Olho havia lido como massa de energia corrompida com coerência estrutural suficiente para estratégia básica. Não instinto puro como os Tipo-3 e Tipo-4 que haviam encontrado mais perto das bordas. Algo que havia calculado.

    Havia vindo de cima.

    Havia sido Miyu que havia sentido antes de chegar — o vento havia mapeado perturbação no dossel da floresta trinta metros antes do alcance visual. Havia comunicado ao grupo com o sinal que haviam estabelecido.

    A formação havia respondido.

    Raiji havia ido para o avanço com Senko Giri — não Kaminari Goku, havia calculado que guardar para depois era mais inteligente do que gastar em Tipo-2. Ayame havia coberto o flanco com a espada e chama em azul. Miyu havia posicionado o Kage-Yume para cobrir as saídas laterais com Sombra Retardada. Eiden havia ficado no centro com a Díade em âncora.

    O espírito havia durado quatro minutos.

    Não porque havia sido fácil — havia sido o tipo de luta que havia exigido atenção real, havia tido dois momentos onde a formação havia precisado ajustar sob pressão. Mas havia durado quatro minutos porque a formação havia funcionado com a coerência de oito dias de treino e quarenta minutos de luta real contra Daeron.

    Raiji havia olhado para o espírito dissipado.

    — Tipo-2. — Ele havia dito.

    — Sim. — Miyu havia confirmado.

    — Quanto mais fundo, mais forte.

    — Sim.

    Raiji havia ficado com isso.

    — Estamos indo mais fundo. — Havia dito. Com o tom de alguém enunciando dado que havia chegado a conclusão e estava verificando se o grupo havia chegado à mesma.

    — Estamos indo mais fundo. — Eiden havia confirmado.

    Havia ficado quieto por um momento.

    Depois Raiji havia assentido e havia ido à frente.

    Ryuusei

    O grupo de Ryuusei havia aparecido de forma que o Olho havia sentido antes de ver.

    Havia sido a aura — não de Ryuusei especificamente, dos espíritos corrompidos selados dentro dele. O Kage-Yume havia lido a assinatura energética como algo que não havia classificação limpa: energia corrompida presente mas contida, como fogo dentro de recipiente que havia sido feito exatamente para o tamanho do fogo. Havia a qualidade de arsenal que tinha vida própria.

    — Grupo à esquerda. — Miyu havia dito. — Oitenta metros. Quatro membros. — Uma pausa. — Um deles tem espíritos corrompidos selados. Não soltos — selados. Dentro do corpo.

    Raiji havia ficado olhando para a direção.

    — Kojo. — Havia dito.

    — Kojo. — Eiden havia confirmado.

    Os dois grupos havia se encontrado num espaço onde a floresta havia aberto levemente — não clareira completa, mas os galhos haviam ficado mais altos e a luz havia chegado com mais ângulo, criando visibilidade maior do que o resto da floresta havia oferecido.

    Ryuusei havia ficado imóvel quando havia visto o grupo de Eiden.

    Os olhos heterocromáticos — dourado Yang, verde-espectral Yin — havia varrido os quatro com a leitura de alguém que havia aprendido a avaliar campo em vez de pessoas individualmente. As marcas rúnicas nos antebraços havia brilhado levemente — não ativação completa, o nível de prontidão que havia quando o poder estava em standby com intenção de uso próximo.

    Ao redor de Ryuusei o ar havia feito o que Miyu havia descrito — esquentado e esfriado ao mesmo tempo, a qualidade fantasma de criaturas que não estavam presentes fisicamente mas cuja energia havia impregnado o campo ao redor do herdeiro Kojo. Os três membros da equipe dele havia ficado na posição de suporte imediato — dois levemente atrás nos flancos, o terceiro dois passos à esquerda com a postura de alguém que havia aprendido que o papel dele era criar espaço para o herdeiro operar.

    Os dois grupos havia ficado olhando um para o outro por um momento.

    — Grupo de Eiden. — Ryuusei havia dito. Com o tom de alguém que havia feito pesquisa antes de entrar numa floresta competitiva e havia chegado informado. — Ouvi sobre o trio.

    — Somos quatro. — Raiji havia dito.

    — Vi. — Ryuusei havia dito. Com o mesmo tom — dado recebido, atualizado. Os olhos dourado e verde haviam ficado em Raiji por um segundo, depois em Miyu, depois em Ayame, depois em Eiden. Haviam ficado em Eiden por tempo levemente maior do que nos outros. — Você é o que tem o poder que o Conselho não consegue classificar.

    Havia sido enunciado como dado — não provocação, não ameaça. A qualidade de alguém que havia processado informação e havia chegado a ponto de verificação.

    — Sim. — Eiden havia dito.

    — Ouvi que é Yang e Yin ao mesmo tempo. — Ryuusei havia dito. Com algo nos olhos heterocromáticos que havia a qualidade de interesse genuíno — não estratégico, o tipo de interesse que existia quando alguém com poder que operava em equilíbrio Yin/Yang encontrava outro poder que havia a mesma base. — A Síntese Quimérica também opera em equilíbrio. Yin e Yang em proporção específica para cada criatura que construo.

    — Eu sei o que é a Síntese Quimérica. — Eiden havia dito.

    — E eu sei menos do que quero saber sobre o que o seu poder faz. — Ryuusei havia dito. Com a honestidade direta de alguém que havia calculado que transparência tinha valor estratégico maior do que fingir saber mais do que sabia.

    O espaço havia ficado quieto por um momento.

    Havia a qualidade de dois grupos que haviam chegado ao ponto onde a próxima decisão era continuar ou confrontar — e os dois lados haviam estado calculando o mesmo dado ao mesmo tempo.

    Havia sido Ryuusei que havia decidido.

    Havia estendido a mão esquerda com a palma para cima.

    As marcas rúnicas havia brilhado — não standby, ativação real. E do espaço acima da palma havia materializado algo que havia começado como luz densa e havia assumido forma em três segundos.

    Espírito corrompido.

    Não grande — Tipo-3, pelo tamanho e pela densidade de energia. Mas havia algo diferente nele do que nos espíritos que o grupo havia encontrado antes. Havia sido selado e liberado sob controle — havia a qualidade de força contida que estava sendo permitida a existir em vez de força livre que estava sendo contida. A diferença era visível no comportamento: o espírito havia ficado ao lado de Ryuusei em vez de avançar, olhando para o grupo de Eiden com a postura de algo que havia aguardava instrução.

    — Arsenal. — Miyu havia dito, em voz muito baixa para o grupo.

    — Vi. — Raiji havia dito. Igualmente baixo.

    Ryuusei havia ficado olhando para o grupo com os olhos dourado e verde.

    — Pontos são pontos. — Havia dito. Com o pragmatismo de alguém que havia chegado à floresta com objetivo claro e havia chegado ao momento de executá-lo. — E vocês têm mais do que eu calculei que teriam a essa profundidade.

    — A essa profundidade nós também. — Eiden havia dito.

    O espírito havia avançado.

    A formação havia respondido em menos de dois segundos.

    Raiji havia ido para o avanço — Senko Giri direcionado não para Ryuusei mas para o espírito, a leitura de campo de alguém que havia entendido que o espírito controlado era extensão de Ryuusei mas tinha forma física que podia ser tratada como alvo separado. Ayame havia ido para o flanco com a espada e chama em azul — posição que havia criado segundo ângulo de pressão sobre o espírito enquanto havia mantido linha de visão para Ryuusei.

    Miyu havia ficado na retaguarda com o Olho lendo Ryuusei.

    O que havia lido havia sido interessante.

    Ryuusei não havia estado com expressão de alguém mandando ataque — havia estado com expressão de alguém observando. O espírito havia sido lançado como dado, não como tática decisiva. Os olhos heterocromáticos haviam estado registrando como o grupo respondia, como a formação havia se ajustado, onde havia gaps e onde havia cobertura.

    Estava aprendendo o grupo em tempo real.

    — Ele está lendo a formação. — Miyu havia dito para Eiden. — O espírito é teste, não ataque.

    — Quanto tempo antes de agir com o que aprendeu. — Eiden havia dito.

    — Quando tiver o suficiente para criar a quimera certa.

    Havia ficado quieto por um segundo.

    — Raiji. — Eiden havia dito.

    — Vi. — Raiji havia dito, do avanço. — Não deixo o espírito durar tempo suficiente para ele terminar de ler.

    Havia ativado o Kaminari Goku.

    O campo elétrico havia envolvido o corpo — olhos azul-branco, velocidade em 4x. O Raiju havia ficado mais presente do que havia esperado — a floresta amplificando, o instinto da entidade respondendo à situação de combate real com urgência que havia excedido o nível normal.

    Havia ficado com isso por um décimo de segundo — notado, arquivado, não o momento.

    Havia ido para o espírito.

    O espírito havia sido Tipo-3 selado — havia a coerência estrutural de coisa que havia sido domada mas não havia sido destruída. Havia respondido ao Kaminari Goku com a estratégia de algo que havia aprendido que velocidade elétrica era perigo específico: havia tentado criar distância lateral em vez de recuar diretamente.

    Raiji havia previsto.

    O Nidome Senko — o segundo flash que usava o recuo do primeiro como propulsão para direção imprevisível — havia chegado antes que o espírito havia completado o movimento lateral.

    O espírito havia sido dissipado em seis segundos.

    Ryuusei havia ficado olhando para o espaço onde havia estado o espírito.

    Os olhos dourado e verde havia ficado em Raiji com a expressão de alguém que havia recebido dado que havia excedido a calibração prévia.

    — Kaminari Goku. — Havia dito. Não pergunta.

    — Sim. — Raiji havia dito, desativando. Com o Raiju ainda mais presente do que antes — havia notado que em Kaminari Goku dentro da floresta a entidade havia ficado mais próxima da superfície do que havia durante os treinos. Havia arquivado novamente.

    Ryuusei havia ficado quieto por um momento.

    As marcas rúnicas havia brilhado diferente desta vez — não a pulsação de standby, o padrão específico que havia aparecido quando a Síntese Quimérica estava em processo de criação ativa. O ar ao redor dele havia mudado — havia ficado com a qualidade densa e dupla que Ayame havia descrito de longe, o calor e o frio simultâneos mais presentes, os ecos fantasmas de criaturas mais audíveis.

    Havia criado a quimera.

    Havia sido pequena primeiro — o tamanho de animal médio, mas havia a combinação que havia a qualidade de coisa que não existia na natureza. Dois espíritos corrompidos diferentes como base, sintetizados com as proporções de Yang e Yin que a Síntese Quimérica havia calibrado a partir do que havia lido da formação nos últimos dois minutos.

    Havia a velocidade de um.

    Havia a capacidade de dispersar campo elétrico do outro.

    Anti-Kaminari.

    Raiji havia ficado olhando para a quimera com a expressão de alguém chegando à conclusão que não havia gostado.

    — Ele criou especificamente contra mim. — Havia dito.

    — Em dois minutos de observação. — Miyu havia dito. Com o tom de avaliação genuína que havia quando havia algo que precisava ser dito mesmo que não havia sido útil ouvir. — Isso é o que a Síntese Quimérica faz — aprende o campo e responde com a criatura certa.

    — O que fazemos. — Ayame havia dito.

    Havia sido Eiden quem havia respondido.

    Não com palavras.

    Com a Díade.

    Havia entrado em convergência — não suave, não gradual. Havia ido direto para convergência plena com a urgência de situação que havia exigido dado imediato para avaliação de campo. Yang e Yin em equilíbrio real, o campo ao redor de Eiden mudando de qualidade com a presença da Díade em estado ativo.

    A quimera havia parado.

    Não recuado — parado completamente. Os dois olhos — os dois conjuntos de olhos da criatura híbrida — haviam se voltado para Eiden com a expressão de algo que havia encontrado estímulo que não havia classificação em nenhuma das duas naturezas que a compunham.

    Ryuusei havia ficado olhando para Eiden.

    Os olhos dourado e verde havia ficado completamente imóveis.

    Havia algo naqueles olhos — não medo, não cálculo estratégico. O tipo de paralisia que existia quando alguém que havia passado a vida inteira entendendo equilíbrio Yin/Yang havia encontrado manifestação de equilíbrio que havia excedido o sistema de referência que havia construído para entender equilíbrio.

    A Síntese Quimérica havia operado em proporções precisas de Yin e Yang.

    A Díade havia operado em Yin e Yang antes que proporção existia como conceito.

    — O que é isso. — Ryuusei havia dito. Com a voz de alguém que havia feito pergunta antes de decidir se havia querido a resposta.

    — Díade Primordial. — Eiden havia dito. Com o tom neutro de alguém dando nome sem elaborar.

    Ryuusei havia ficado com isso.

    Os olhos dourado e verde havia se voltado para a quimera — que havia continuado parada, os dois conjuntos de olhos ainda fixos em Eiden com a imobilidade de criatura que havia perdido instrução porque o que havia criado a instrução havia ficado sem referência.

    Havia ficado com isso também.

    Havia ficado com o que havia construído — o arsenal, a quimera anti-Raiji, o cálculo de dois minutos de observação da formação. Havia ficado com o custo de continuar contra um grupo que havia Kaminari Goku, Kage-Yume, Getsu-Ka branco, e poder que havia feito a própria quimera parar de funcionar.

    Havia ficado com a profundidade da floresta — com quantos espíritos havia pela frente, com o quanto havia precisado do arsenal intacto para chegar ao centro.

    Havia tomado a decisão com a qualidade de alguém que havia aprendido que recuar com cálculo era diferente de recuar com fraqueza.

    — Desta vez. — Havia dito. Para Eiden, com o tom de algo que havia a qualidade de promessa sem ser declarado como tal.

    Havia recolhido a quimera.

    Havia virado.

    O grupo de Ryuusei havia ido pela direção que havia vindo — mais fundo na floresta, mas por caminho diferente.

    O grupo de Eiden havia ficado no espaço aberto por um momento.

    Raiji havia ficado olhando para onde Ryuusei havia ido.

    — Ele vai ser problema. — Havia dito.

    — Vai. — Eiden havia confirmado. — Mas não agora.

    — Por que recuou. — Ayame havia dito.

    — Porque calculou que o custo era alto demais antes do centro. — Miyu havia dito. — O mesmo cálculo que faríamos. — Uma pausa. — Ele é mais inteligente do que os dezasseis anos sugerem.

    — Os dezasseis anos são enganosos. — Ayame havia dito. Com o tom de alguém que havia entendido algo específico sobre o peso que Ryuusei havia carregado. — O herdeiro de emergência de família antiga carrega mais do que a idade.

    Havia ficado quieto.

    O ar havia voltado ao normal — o calor e frio simultâneos de Ryuusei dissipados, os ecos fantasmas de criaturas sumidos. A floresta havia voltado à sua qualidade própria: densa, intencional, viva de um jeito que não havia sido biológico.

    — Continuamos. — Eiden havia dito.

    O fim do que o vento encontrou

    Havia sido duas horas depois que o vento havia encontrado o rastro.

    Miyu havia estado gerenciando o Olho — fronteiras estritas, leitura passiva contida no raio de trabalho, a floresta presente nas bordas mas não dentro. Havia funcionado com custo que havia sido mais alto do que normal mas havia sido sustentável.

    O vento havia estado mapeando de forma contínua — a extensão do Encantamento que havia aprendido com Mikoto, circulando à frente e nos flancos, chegando de volta com dado de temperatura e pressão e obstáculo físico.

    Havia chegado de volta com algo diferente.

    Não espírito — havia aprendido a distinguir. Não animal — havia aprendido a distinguir isso também. Não terreno — o vento lia terreno com padrão específico que havia se tornado familiar.

    Havia sido energia.

    Energia espiritual humana.

    Com assinatura que havia ficado no vento como rastro de alguém que havia passado por aquele ponto há tempo suficiente que o rastro havia ainda presente mas havia começado a dissipar.

    Havia ficado completamente imóvel.

    Havia ficado com a assinatura por um momento — não comparando com banco de dados, comparando com o que havia no próprio corpo. Com o que havia aprendido sobre energia espiritual de pessoas específicas depois de meses de convivência próxima.

    O Ketsuryoku Sōjū havia assinatura específica — a energia sagrada do sangue havia qualidade que o Kage-Yume havia aprendido a reconhecer durante o mês de treino em que Shion havia estado próximo de Ayame e por extensão próximo de Miyu.

    Havia ficado com isso.

    — Parada. — Havia dito.

    Os outros três havia parado.

    — O vento encontrou rastro de energia espiritual. — Ela havia dito. Com a precisão deliberada de alguém dando dado sem elaboração antes de verificar se a elaboração era necessária. — Passaram por aqui. O rastro está dissipando — faz tempo, não recente.

    — Quem. — Raiji havia dito. Com o tom de alguém que havia calculado as possibilidades e havia chegado à resposta antes de perguntar mas havia precisado da confirmação.

    Miyu havia ficado olhando para a direção de onde o vento havia vindo.

    — Shion. — Ela havia dito.

    O nome havia ficado no ar da floresta com o peso específico de coisa que havia estado se aproximando por tempo suficiente que o momento de chegar havia sido inevitável.

    Ayame havia ficado completamente imóvel.

    Havia ficado olhando para a direção que Miyu havia indicado com a expressão de alguém que havia esperado esse momento e havia chegado ao momento e havia ficado com o peso real do que esperado significava quando deixava de ser futuro e se tornava presente.

    — Quanto tempo. — Ela havia dito.

    — O rastro tem pelo menos uma hora. — Miyu havia dito. — Foram mais fundo mais rápido do que nós.

    — Conhecem a floresta. — Raiji havia dito.

    — Ou foram direto para o centro desde o começo. — Eiden havia dito.

    Havia ficado quieto.

    A floresta havia continuado ao redor dos quatro com a qualidade de lugar que havia ouvido o nome e não havia mudado — porque a floresta havia sido criada por quem havia entendido que o que importava não era o nome mas o que o nome carregava.

    E o que Shion carregava havia sido o mês de treino.

    E o que Ayame carregava havia sido o mês de treino também.

    E os dois havia ido para o mesmo lugar de lados diferentes.

    — Continuamos. — Eiden havia dito.

    — Continuamos. — Ayame havia dito.

    Com o tom de alguém que havia chegado a decisão antes de ser perguntada.

    Os quatro havia ido mais fundo.

    E a floresta havia continuado a amplificar — cada passo tornando mais presente o que havia sempre estado lá, o Raiju mais próximo da superfície de Raiji, o Kage-Yume gerenciando fronteiras com custo crescente para Miyu, a chama de Ayame respondendo ao lugar com a qualidade de reconhecimento que não havia pedido, a Díade de Eiden pulsando levemente no ritmo de algo que havia sido criado pela mesma ordem de poder que havia a Díade como estado original.

    A floresta havia amplificado.

    E o rastro de Shion havia ficado no vento atrás dos quatro como dado arquivado e inevitável.

    Mais fundo.

    O encontro estava chegando.

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