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    Ulfr Nariz-Branco era bastante conhecido na região norte do Santo Império. Seu primeiro marco na popularidade foi quando partiu a cabeça de um urso com um soco bem dado. Aquele também foi o dia em que ele despertou o real potencial da Aura em seu corpo. Ele ficou conhecido como Nariz-Branco por causa da forma como ele gastou toda a recompensa que recebeu naquele dia.

    Desde então, seus últimos vinte anos de vida foi servindo ao Santo Império como um dos seus cavaleiros, desmontando operações criminosas e liderando investidas de contra-terrorismo nas fronteiras. Porém, quando foi pego em posse de uma enorme quantidade de substâncias ilícitas, foi dispensado com desonra. Não restou nada além de voltar a vida de mercenário.

    Aquele homem já tinha visto de tudo, enfrentado um pouco de tudo. Combatentes armados até os dentes, um mago que produzia incêndios com um estalar de dedos e até mesmo uma fera meio-humano e meio-lobo que conseguia partir armaduras de aço com um simples golpe. Um desses levou o seu olho embora.

    E como se sua vida não estivesse difícil o bastante, um playboy estava ali na sua frente, dizendo que estaria prestes a dar um golpe de estado em uma cidade pertencente ao Santo Império. Aquilo não era um problema da idade, mas sim de burrice. Alguém precisava colocar juízo na cabeça daquele imbecil.

    Ulfr escutou seus amigos se aproximando, prestes a desembainhar suas armas. Porém, aquilo tudo não era necessário. Com um gesto dos seus braços, eles pararam de se mover. Quando retirou seu casaco, a Aura começou a circular pelo seu corpo. Uma pequena camada de energia frígida cintilante branca irradiou da sua pele, causando uma pequena sensação fria em todos os presentes. Todos sabiam que no instante em que um homem emanava sua aura, ela só iria parar quando seu alvo ou ele estivesse morto.

    Para Ulfr, aquele deveria ser mais um dia normal. Porém, a expressão de curiosidade, misturada com uma falta de senso de urgência vinda de Leonard o deixava desconfortável. Ele nem mesmo sacou sua espada.

    — Você não conhece o mundo que vive, garoto — murmurou.

    Seu punho recuou e avançou na direção do rosto do jovem nobre como um cometa viajando os céus. A velocidade súbita causou um susto em todos os presentes, fazendo até mesmo alguns recuarem seus rostos de verem uma cena grotesca.

    — Então é assim que uma Aura Congelada se parece? — disse Leonard.

    Quando percebeu, seu punho não avançava e nem recuava mais. Alguma coisa o mantinha retido, com protuberâncias afiadas forçando sua aura protetora, querendo rasgar a sua pele. A imagem daquele playboy segurando o seu braço do mesmo jeito que seu mentor o ensinou a vinte anos atrás era algo aterrador.

    — Parece que você tem alguma qualidade! — respondeu, esticando o punho e preparando outro golpe.

    Leonard não gostava de deixar aberturas. Imediatamente, puxou o punho do danês para si, o desequilibrando. O gigante não conseguiu compreender como o seu oponente tinha força o bastante para desestabilizar alguém com a Aura ativa. Seu punho esquerdo se fechou e acertou o tórax de Ulfr, deixando-o sem ar e cambaleante. Então, seu pé direito voou até seu rosto, fraturando sua mandíbula e mandando três dos seus dentes pelo ar.

    Assim que o gigante caiu no chão, Leonard olhou para os companheiros dele, que viram seu amigo sofrer uma derrota colossal. Enquanto estavam em choque, ele sacou a espada a avançou como um feixe de luz, estocando sua lâmina direto na garganta do primeiro e a descendo até estar entre os pulmões, formando uma abertura nojenta em seu peito.

    — E-espera! Eu me rendo! Eu não quero lutar! — gritou o outro, que tentou dar as costas e correr.

    Leonard soltou sua lâmina e o cadáver preso a ela e avançou no outro. Porém, seu punho incandesceu em um tom dourado, brilhando como um fragmento de sol. Com um movimento, ele atravessou o peito do outro mercenário, até seu cotovelo aparecer na outra extremidade.

    A dor foi tão imediata que surgiu como um colapso mental, desaparecendo juntos com seus sentidos enquanto seu corpo caia no chão, inerte. O jovem Bakir retirou sua camisa, limpando o sangue do seu braço, observando as reações mistas da multidão de candidatos. Alguns pareciam horrorizados, outros curiosos. Alguns achavam que Ulfr e seus homens eram superestimados, mas outros sabiam que todos os relatos sobre eles eram verdadeiros, o que tornava aquela vitória um show de horrores.

    — Estão vendo essa força? Isso não chega nem a ser um exercício matinal para mim. Eu garanto que todos que me seguirem hoje, terão esse poder na palma da mão em um único dia!

    Leonard acenou a cabeça e Malvius retirou a tampa do caixote, revelando centenas de pílulas peroladas lisas e cintilantes.

    — Durante os últimos anos, eu e meu colega trabalhamos arduamente para desenvolver a ferramenta final: A Pílula Meridiana. Você só precisa consumi-la uma única vez e todo o seu corpo estará circulando mana perfeitamente. Eu sou a prova viva disso! Por anos, os magos imperiais esconderam o segredo para o poder, dizendo mentiras sobre precisar realizar rituais intensos e gastar montanhas de dinheiro para conseguir sentir a mana, mas eu digo que finalmente os desmascarei! Tá na hora de recuperarmos o que é nosso por direito! Quem está comigo?

    Um silêncio seguido de um burburinho entre os candidatos surgiu imediatamente após o discurso. Alguns pareciam desconfiados, enquanto outros pareciam profundamente interessados em tamanho poder. Leonard não precisava de todos eles, apenas a metade.

    — Os que querem sair da mediocridade e alcançar novos níveis, falem com meus assessores.

    Assim que viu alguns se movendo na direção de Schneider, sabia que seu objetivo tinha sido concluído. Pela manhã, um novo exército de combatentes estaria pronto para o que seria a maior operação vista em Santa Marília.

    — Leonard… — chamou Denise, um pouco assustada.

    Seu olhar frio pairou sobre ela, como o de alguém observando um mísero inseto no chão. Naquele momento, a moça repensou se valeria a pena o que teria para dizer, mas seria muito pior se voltasse atrás agora.

    — Que porra você está fazendo, Leo? Que história é de tomar Santa Marília? Você nunca teve esse tipo de pensamento em sua cabeça! Não tá vendo que essa ideia não tem o mínimo de cabimento?

    Por uns instantes, sua mente pareceu divagar com aquelas palavras e um silêncio se estabeleceu entre ambos. Denise ficou um pouco aliviada, acreditando que ele estaria repensando seus atos.

    — Leonard, você vai equipá-los ainda hoje? — disse Malvius, pela janela.

    Então, seus olhos voltaram a focar e permanecerem com a mesma expressão fria.

    — Não. Isso será tudo que eles irão precisar — respondeu.

    — Leo, eu estava falando contigo! Por favor, pare com essa ideia idiota! Sabe quantas pessoas inocentes poderão morrer nesse seu plano?

    — Denise, você está tentando atrapalhar os meus objetivos? Depois de tudo que fiz pra te apoiar e é assim que você me retribui?

    — Que? Não…

    — Eu não preciso mais dos seus serviços, minha cara.

    — Serviços? — questionou, ultrajada. — Eu sou sua namorada, idiota! O que aconteceu com você?

    Suas mãos tentaram encontrar o seu rosto, mas foram paradas pelas mãos dele. Era verdade que não o amava e todo o seu relacionamento tinha sido baseado em status sociais, mas ele ainda era uma pessoa que ela tinha bastante consideração.

    — Por favor…vá embora. Não volte mais para Santa Marília.

    Foi um simples instante, mas seus olhos pareceram humanos mais uma vez, antes de se perderem na frieza total. Aquela parecia o único resto de consideração que havia sobrado nele. Desamparada, a garota deu as costas e sumiu no meio da multidão.

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