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    Lucian esperou paciente para ouvir as opiniões de Nakime. Talvez o ponto de vista de alguém um pouco mais experiente nisso fosse de alguma utilidade.

    Nem todo conhecimento pode ser obtido acessando as memórias de alguém. A memória apenas guarda coisas que já ocorreram, mas a mente daqueles que tem experiência, proficiência ou similares podem criar novas ideias, novos conhecimentos.

    Aqueles capazes de criar mais do que a média são os chamados de gênios.

    “Seguindo suas observações e o que eu sei sobre o castelo infinito, múltiplas alterações no espaço o deixam instável. O castelo infinito funciona de forma diferente – ele é um espaço independente, com suas próprias leis, por isso que ele pode continuar se expandindo enquanto paredes se formam por consequência dessa expansão e esta é a única e constante alteração que acontece nele.

    A locomoção dentro do castelo infinito, na verdade, não causa grandes flutuações no espaço: qualquer objeto, não importa o tamanho, pode ser movido livremente causando mínima pertubação espacial. Por outro lado, entrar e sair gera flutuações dezenas de vezes maiores, mesmo no menor dos objetos.” Nakime tentou passar tanto conhecimento quanto o possível.

    “Então frequência, magnitude da distorção e a distância entre os dois pontos são os principais fatores na pertubação espacial resultante.”

    ‘Talvez eu possa utilizar dois pontos focais e então gerar flutuações espaciais opostas até elas colapsarem uma contra a outra, causando uma fratura no espaço – essa fratura finalmente servindo ao propósito de cortar toda a matéria.’ Lucian começou a considerar. Adicionando alguns detalhes aqui e ali poderia funcionar ou pelo menos parecia mais viável do que as ideias anteriores que haviam passado por sua mente.

    Pensando assim, ele retornou as suas tentativas. Deixando a teoria de lado, ela não valeria nada caso não funcionasse na prática.

    Juntando todos as suas habilidades e experiências que havia acumulado nos tempos recentes, Lucian colocou toda sua atenção em tentar realizar algo que se aproximasse do resultado desejado.

    E então… nada. Mais falha.

    “Ok… terei que alterar os parâmetros da tentativa. A ausência de fenômenos visíveis deve ser devido a distorção ter magnitude insuficiente.”

    Era assim que funcionava iniciar em qualquer coisa, obter sucesso na primeira tentativa é improvável.

    Na segunda tentativa, o que era para ser uma distorção espacial controlada acabou se expandindo e formando um portal, que fechando-se abruptamente, arrancou o braço de Lucian. A cena foi até impressionante, mas tal coisa não possuia nenhuma eficacia ofensiva: sem velocidade, sem alcance e os portais de locomoção se recusam a fechar sobre objetos sólidos, então no máximo poderia ser utilizado caso ele quisesse se mutilar.

    E ainda haveriam formais mais fáceis de fazer isso.

    Na terceira tentativa, tentar alterar a frequência das distorções apenas fez com que o braço de Lucian ficasse dormente e inutilizado por um tempo.

    Na quarta tentativa, ele tentou utilizar uma longa [Faixa de Sangue] contendo multiplos pontos de distorção, porém a faixa apenas se desfez em uma poça de sangue inerte.

    A quinta tentativa…

    A sexta…

    A sétima…

    Não importava quantas vezes… nada mudava, nenhum progresso era obtido.

    Todos os esforços passando em vão…

    Após uma centena de tentativas, cada uma levando uma abordagem um pouco diferente e mesmo assim nenhum resultado era obtido, ele percebeu uma coisa: simplesmente não dava para fazer isso.

    Ele se manteve otimista, mas após tentar tantas vezes sem nenhum vestígio de avanço, tornou-se óbvio que o problema eram as coisas que ele tinha em mãos. As [Habilidades] dele não permitiam que algo assim fosse feito. Fosse a natureza das habilidades, a falta de controle ou a baixa capacidade de percepção espacial, nenhum desses pontos atingia os requisitos para que ser “corte dimensional” pudesse acontecer.

    “Isso significa que eu terei que arquivar essa ideia e esperar até que mais habilidades sejam coletadas.” Lucian suspirou um pouco desapontado. Esta era a primeira vez que ele falhava em algo desde… bem, fazia um tempo.

    “Sim, ao que tudo indica, teremos que esperar para colocar sua ideia na prática.” Nakime assentiu, ela não estava como Lucian, mas sendo uma portadora de habilidade espacial, ela desejava ver mais avanços e desenvolvimentos relacionados aos poderes do espaço.

    O fracasso não desanimou Lucian e tendo o apoio de Nakime seu coração permaneceu firme como uma rocha, porém o mais importante… ele sabia que teria sucesso algum dia. “E quando esse momento chegar, eu com certeza vou cortar uma montanha ao meio para comemorar!”

    Agora só falta saber se seria mais legal cortar a montanha na vertical ou na horizontal…

    “Isso mesmo, devemos nos manter positivos!” Nakime seguiu as palavras dele, também sonhando com o dia em que talvez pudesse transportar cidades inteiras para o castelo infinito.

    Tendo um poder espacial igual o dela, transportar uma quantidade gigantesca de coisas seria uma das maiores demonstrações de força. E diferente do passado, ela agora sentia que poderia um dia alcançar tal nível de poder.

    Mudança essa silenciosamente causada pela viajem entre mundos…

    Assim como o próprio Lucian sentiu que era capaz de continuar se fortalecendo após vir para o mundo de Tokyo Ghoul, aqueles que o acompanharam e tinham uma melhor capacidade de percepção devem ter sentido também, pois este é um mundo que permite maiores níveis de poder comparado ao mundo de Demon Slayer.

    “Pois bem, sei que deseja ficar mais forte, então para agradecer sua ajuda, que tal eu injetar mais um pouco de sangue em você?” Lucian ofereceu. Nakime havia recebido pouco sangue dele, então ela era uma a mais fraca dentre seus subordinados e alguém tão valioso quanto o criador do castelo infinito deve receber um tratamento adequado.

    Somente um subordinado poderoso é um subordinado útil.

    E, por outro lado, um pouco de sangue não lhe fará falta. Então mais do que válido.

    “Eu adoraria, Mestre. Agradeço a bondade.” Nakime ajoelhou-se, mais do que ansiosa para receber o sangue do rei demônio, afinal, a lembrança daquela sensação aterrorizante e inebriante ainda pairava em sua mente de tempos em tempos.

    Lucian sorriu gentilmente antes de enfiar o dedo indicador na testa de Nakime e injetar uma grande quantidade de seu sangue. Uma quantidade que sim, a faria sofrer, mas com certeza a tornaria muito mais forte do que era no momento.

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