Hergê

    Histórias 9
    Capítulos 236
    Palavras 405,9 K
    Comentários 175
    Tempo de Leitura 22 horas, 33 minutos22 hrs, 33 m
    • Capítulo 141 | Ao Sul

      Capítulo 141 | Ao Sul Capa
      por Hergê — Nova Arcádia? — Calixto ergueu uma sobrancelha.  Teseu acenou positivamente. — Que coisa. Vocês estão indo para o nosso assentamento, então.  Licaão se aproximou, interessado na conversa. — Assentamento? Você sabe algo sobre Nova Arcádia? Calixto ajeitou a aljava nas costas e fitou o selvagem com um olhar incomodado. — Claro que sei. Eu vim de lá. Ela suspirou. — Mas fiquei ilhada na região de Tebas por duas semanas. Aquele leão bloqueou a…
    • Capítulo 127 | A Vontade de Can

      Capítulo 127 | A Vontade de Can Capa
      por Hergê Magno estava em um quarto nos fundos de uma taverna de baixa categoria, trocando sua túnica habitual por uma veste de linho grosseiro e sujo. O cheiro de suor antigo e serragem impregnava o tecido. Ele ajustou uma faixa de pano na cabeça para esconder parte do rosto e calçou botas de couro cru, reforçadas para o trabalho pesado. Seu objetivo era simples: observar a floresta de dentro, sem os olhos da guarda real sobre ele. Ele conseguira a vaga através de Elpenor, o guarda com quem conversara no…
    • Capítulo 130 | Enviados da Deusa

      Capítulo 130 | Enviados da Deusa Capa
      por Hergê O corpo de Can paralisou. Ele soltou a pena, que rolou pela mesa e deixou um rastro de tinta preta sobre a madeira.  A lâmina da espada curta estava pressionada com firmeza contra a pele do príncipe, o suficiente para que ele sentisse o perigo de cada respiração. No escuro do quarto, os olhos de Hermes brilharam em um tom dourado e predatório. — Se soltar um único grito, darei a este manto vermelho um tom muito mais trágico — o sussurro preencheu os ouvidos de Can. — Vamos…
    • Capítulo 131 | Hora de Partir

      Capítulo 131 | Hora de Partir Capa
      por Hergê O interior da Grande Biblioteca cheirava a poeira e papiro envelhecido. Sêneca estava sentado em um banco de madeira maciça, no centro da ala leste. Ao redor dele, cinco jovens estudiosos o escutavam com atenção plena. — A lógica não é uma ferramenta para controlar o mundo — explicava Sêneca, com a voz pausada e didática. — Ela é o método para controlar a nossa própria resposta ao que o mundo faz. O sofrimento existe apenas quando a mente recusa a realidade. Um dos rapazes anotava…
    • SideKick - Herói de Merda

      SideKick - Herói de Merda Capa
      por Hergê Arthur empurrou uma pilha de embalagens de alumínio, plásticos e bitucas de cigarros eletrônicos para o canto da calçada.  Esse movimento repetitivo cansava seus ombros e até os braços já fortes e acostumados ao esforço diário. A chuva fina e ácida de Lumiére caía sobre seu uniforme laranja de gari e misturava-se à fuligem em seu rosto. O cheiro de ozônio e lixo molhado preenchia a rua e já não mais irritava seu olfato calejado. Parou por um instante para ajustar os óculos de…
    • Capítulo 142 | Na Beira da Estrada

      Capítulo 142 | Na Beira da Estrada Capa
      por Hergê Os troncos espessos das árvores começaram a rarear. A sombra da mata cedeu espaço para a luz direta do sol da tarde. Sob as botas de Hermes, Magno e Sêneca, o solo coberto por folhas úmidas deu lugar a uma estrada de terra batida que descia em um declive contínuo em direção ao sul. O som dos cascos do sátiro cessou. Hermes estacou alguns passos à frente e olhou por cima do ombro. O guia mantinha os pés sobre a última linha de grama da floresta, recusando-se a pisar na terra seca da…
    • Capítulo 143 | Hedonismo de Focéia

      Capítulo 143 | Hedonismo de Focéia Capa
      por Hergê Magno piscou devagar e falou para si mesmo, constatando o óbvio. — Outro sátiro... Hermes manteve a expressão controlada e cravou os olhos na figura acima. A tensão era visível na rigidez de seus ombros. — Não. Este é um Sileno. O sileno abaixou o aulos e o prendeu em um cordão de couro amarrado na cintura. Olhou para os quatro homens parados na estrada e abriu os braços em movimentos amplos e rápidos. — Sejam bem-vindos! — exclamou animadamente. — Vocês pararam bem na…
    • Capítulo 128 | Os Pedidos da Deusa

      Capítulo 128 | Os Pedidos da Deusa Capa
      por Hergê O ar no pátio lateral do templo parecia ter esfriado vários graus no instante em que a voz ressoou. Hermes manteve os olhos fixos nas órbitas arroxeadas da estátua. O brilho era constante e denso. — Então és tu, Hermes — repetiu a voz.  O tom era doce, mas parecia… ensaiado. Sem alma. — Átalo falou de ti em suas preces — continuou a voz na mente de Hermes. — Ele agradeceu pela chegada de viajantes capazes que o ajudariam a cruzar a mata e protegeriam sua mulher. Tu és…
    • Circo das Lamentações | O Palhaço e a Serpente

      Circo das Lamentações | O Palhaço e a Serpente Capa
      por Hergê ATO 1 | Jornada do Cupim O sol não nascia naquele lugar; ele simplesmente acontecia, uma mancha ofuscante e cruel que se impunha sobre a terra rachada. A virada da madrugada trazia apenas a troca da escuridão fria por uma luz impiedosa que expunha cada falha do terreno. Era um holofote sádico em um palco desolado. A terra, ressequida e pálida, oferecia pouca resistência. O pó fino subia com qualquer brisa, cobrindo tudo em tons de amarelo seco, indiferente. A vegetação era um museu de…
    • Capítulo 44 | O Monstro na Escuridão

      Capítulo 44 | O Monstro na Escuridão Capa
      por Hergê O rosnado baixo e gutural se transformou em um urro que fez a própria pedra do túnel vibrar.  Da escuridão impenetrável, a criatura explodiu para a luz trêmula da tocha. Era um lobo, mas a palavra parecia uma ofensa à monstruosidade que se materializou diante deles. Maior que um cavalo, uma massa de músculos nodosos e pelos negros emaranhados, com garras que riscavam o chão de pedra, produzindo faíscas. A saliva, espessa e escura, escorria de uma bocarra cheia de presas que pareciam…
    Nota