Histórias 9
Capítulos 236
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por Hergê — O silêncio que se seguiu à ordem de Hermes foi pesado, denso, um vácuo preenchido apenas pelo som do vento uivando suavemente e pelo choro baixo de um dos homens de Gérion, um som patético de alguém que havia finalmente entendido seu destino. Teseu, de pé um pouco atrás de Theo, olhou para Hermes, o horror estampado em seu rosto jovem, a boca se abrindo para formar uma objeção, um apelo. Mas o olhar que recebeu de volta o congelou. Não eram os olhos de seu amigo, nem mesmo os do… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A ameaça final pairou no ar, mais pesada que a própria magia que os esmagava. O Sátiro esperava, deliciando-se com o silêncio, esperando ouvir as palavras de traição que seriam sua verdadeira recompensa. — Aceitem… Gah- Digam- Digam que aceitam — Theo pediu, o rosto pressionado contra a terra, os olhos se erguendo para seu povo que o encarava, paralisado pelo terror. Seria essa a única saída? O sacrifício de seu líder, manchado pela covardia de todos? O grupo estava preso entre a… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O santuário do Sátiro era um lugar de paz enganosa. Por horas, o grupo se permitiu a frágil ilusão da segurança. O cheiro de carne de urso assando na fogueira era um perfume de vitória, e o som das crianças rindo pela primeira vez em semanas era uma melodia mais doce que qualquer canção de lira. Eles haviam sangrado, mas haviam sobrevivido. Haviam provado a si mesmos que a liberdade era possível. No entanto, para alguns, o banquete foi um evento sombrio. O alívio de terem o estômago cheio… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A floresta do Sátiro era um mundo à parte. Nos primeiros momentos, a mudança foi um alívio. O ar parecia mais fresco, a luz do sol, antes um inimigo implacável, agora era filtrada por uma copa densa de folhas de carvalho e pinho, pintando o chão da floresta com manchas douradas e dançantes. O silêncio da fome foi substituído pelo farfalhar das folhas, pelo canto de pássaros que eles não reconheciam e pelo som constante e antinatural dos cascos do Sátiro na terra fofa. Ele se movia à frente,… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Uma semana antes da noite em que o sangue de um tirano mancharia a terra, o inferno da mina já havia encontrado novas e mais profundas camadas de sofrimento. A loucura de Gérion, antes uma tempestade contida, havia transbordado, inundando cada túnel e cada alma com uma nova e imprevisível onda de terror. A mudança havia sido sutil no início, mas agora era a lei daquele lugar. Gérion podia ser visto caminhando pelas passarelas mais altas, não mais apenas para inspecionar o trabalho, mas para… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O mundo se movia em câmera lenta. Uma lança de ponta de bronze passou a centímetros do nariz de Hermes. Ele a viu girar no ar, viu as farpas na madeira do cabo, viu o suor voando do braço do soldado troiano que a arremessara. Para qualquer outro, aquele seria o momento da morte. Para Hermes, foi apenas um instante entediante. Ele deu um passo para o lado. O movimento foi fluido, sem esforço, sem o peso da gravidade ou a dor nos músculos que o atormentava há meses. A lança passou pelo… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Sêneca abriu os olhos. A primeira coisa que viu foi o teto. Alto, pintado de um branco imaculado, com afrescos delicados nas bordas representando videiras e pássaros. Sentou-se e, para sua surpresa, o movimento não veio acompanhado do estalo habitual de suas articulações castigadas, nem da dor crônica em suas costas. Ele olhou para baixo. Estava deitado em uma cama. Um colchão de penas, macio, coberto por lençóis de linho tão branco que doía os olhos. Sêneca levou as mãos ao rosto.… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Gritos de mercadores anunciando peixes frescos, o ranger de rodas de carroças sobre paralelepípedos, risadas de marinheiros bêbados e o choro de gaivotas. Magno piscou, atordoado. Ele estava parado no meio do cais de Therma. Centenas de pessoas se espremiam nas docas. Estivadores carregavam caixas pesadas, empurrando-o para o lado com ombros suados e xingamentos impacientes. — Saia do caminho, seu idiota! — gritou um marujo carregando um barril, passando por ele sem olhar para… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O mar era um espelho de obsidiana polida sob a luz de uma lua minguante. Cada ondulação suave parecia um suspiro lento do mundo, um ritmo hipnótico que há dias embalava o pequeno veleiro de pesca em sua travessia para o norte. A brisa, fria e salgada, era a única companheira constante naquela imensidão silenciosa, um sussurro que prometia terras que nunca pareciam chegar. No leme, Hermes sentia o peso de cada hora de vigília. A exaustão era uma inimiga nova e tenaz, uma âncora mortal… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Os dias que se seguiram foram uma prova de paciência que Hermes não possuía. A praga da apatia e da euforia vazia havia se infiltrado em cada aspecto da vida em Thasos, transformando a simples tarefa de reabastecer em um exercício de frustração. As bancas no mercado ficavam vazias por horas, seus donos ausentes em alguma "celebração". O padeiro, quando finalmente encontrado, tinha olhar distante e lhes vendeu pães duros de dias atrás sem sequer notar. A cidade não… 312,4 K Palavras • Ongoing