Hergê

    Histórias 7
    Capítulos 177
    Palavras 316,1 K
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    Tempo de Leitura 17 horas, 33 minutos17 hrs, 33 m
    • Capítulo 36 | Sobre a Bruxa.

      Capítulo 36 | Sobre a Bruxa. Capa
      por Hergê O silêncio na viela era uma lâmina. Os dois homens permaneciam congelados, a um fôlego da morte mútua. A ponta da faca de Magno, firme e fria, beijava a jugular de Hermes. A ponta da xiphos de Hermes, igualmente imóvel, prometia perfurar o coração do ladrão. O tempo pareceu parar, esticado em um instante de tensão absoluta. “Como as coisas acabaram assim” Hermes refletiu, lembrando-se do desenrolar dos eventos que o trouxeram até essa posição maldita. ………… — E agora? O…
    • Capítulo 37 | Caminho Tortuoso.

      Capítulo 37 | Caminho Tortuoso. Capa
      por Hergê A manhã havia chegado a Therma e com ela vinha o barulho no cais e nas feiras que aos poucos iam tomando as ruas sem dar qualquer esperança para quem planejasse descansar um pouco mais. Uma carroça se movia lentamente em meio às ruas ainda se preenchendo. Na frente, um rapaz de cabelos brancos brilhosos conduzia os cavalos com um rosto sério. — Tem certeza de que podemos confiar nesse homem Hermes? — Uma voz vinda da parte de traz da carroça, coberta pela lona, surgiu abafando um pouco do…
    • Capítulo 42 | História para dormir

      Capítulo 42 | História para dormir Capa
      por Hergê O sol da manhã lançava um brilho impiedoso sobre os telhados de terracota de Therma. Do topo de um prédio de apartamentos inacabado no distrito dos artesãos, a vista era privilegiada e deprimente. Abaixo deles, a cidade se estendia como um organismo caótico, mas ali, na colina que dominava o horizonte, a mansão do Arconte Kyros era um mundo à parte. As muralhas de mármore branco pareciam zombar da sujeira e da desordem do resto da cidade, uma fortaleza de silêncio e poder. Por horas, Hermes e…
    • Capítulo 43 | Canção do Porto

      Capítulo 43 | Canção do Porto Capa
      por Hergê A noite engoliu Therma, mas não trouxe a escuridão completa. Uma lua cheia, imensa e pálida, pendia no céu, derramando uma luz fantasmagórica sobre os telhados de terracota. A claridade era enganosa; em vez de revelar, ela criava sombras mais nítidas, mais profundas, transformando as vielas familiares em um labirinto de contrastes assustadores. O grupo se movia como uma unidade ferida através desse cenário. Não havia plano, apenas o desespero de Magno como um motor febril. Ele caminhava na…
    • Capítulo 41 | Sussurros no Cais

      Capítulo 41 | Sussurros no Cais Capa
      por Hergê O ar no porão da "A Âncora Quebrada" era uma mistura de mofo, ansiedade e fumaça da pequena fogueira que crepitava em um braseiro improvisado. O segundo dia desde que haviam chegado a Therma caminhava para seu fim, um dia que passaram escondidos, esperando, estudando. O prazo dado por Circe se esgotava pouco a pouco. Hermes afiava sua xiphos com movimentos lentos e metódicos, o som do aço na pedra de amolar era o único ruído constante. Teseu, sentado em um caixote, observava as chamas, o rosto…
    • Capítulo 46 | A Aberração de Eros (1)

      Capítulo 46 | A Aberração de Eros (1) Capa
      por Hergê A escuridão era uma entidade viva, espremendo Teseu por todos os lados. Cada respiração pressionava dolorosamente seus pulmões cansados contra as lascas das costelas quebradas e a exaustão pelo uso de seu poder fazia seus membros pesarem como chumbo.  Ele estava sozinho, enterrado sob uma montanha, mas não estava perdido. À sua frente, o pequeno vaga-lume pulsava com uma luz verde e suave, seu brilho um farol solitário na imensidão do negrume. Ele se movia com um propósito, guiando…
    • Capítulo 45 | O Coro dos Acorrentados

      Capítulo 45 | O Coro dos Acorrentados Capa
      por Hergê A escuridão à frente era absoluta, mas eles não estavam mais cegos. Tinham um guia. A canção, que antes era um sussurro fantasmagórico, agora era uma melodia clara na mente de Neo, um fio invisível que o puxava para as profundezas daquele labirinto subterrâneo. — É por aqui — o menino murmurou, a voz baixa e receosa, o corpo movendo-se em um transe lento, a mão ainda agarrada à túnica de Magno. Magno mancava, a dor em seu tornozelo uma pontada aguda a cada passo, mas a dor em seu…
    • Conto | Oráculo da Dor (1)

      Conto | Oráculo da Dor (1) Capa
      por Hergê O som foi a primeira coisa que retornou. Um som pesado, gutural, de madeira antiga se arrastando contra a pedra, culminando em um CLANG metálico que ecoou no que restava da minha mente. A porta. A porta da cela se fechando. Senti o chão antes de entendê-lo. A pedra era fria e úmida contra a minha bochecha, um contraste chocante com o fogo que ainda consumia meu rosto. O cheiro veio em seguida: mofo, umidade e o odor acre de meu próprio medo, um suor frio que parecia ter encharcado meus trapos. E…
    • Conto | Oráculo da Dor (2)

      Conto | Oráculo da Dor (2) Capa
      por Hergê Um som agudo de um rato guinchando em algum lugar na parede me puxou de volta do redemoinho de memórias. De volta para o aqui. Para o agora. Para a escuridão. Um som de água pingando da goteira no centro da cela voltou a inundar meus ouvidos. A dor em meus olhos havia diminuído para uma queimação surda, uma brasa constante. A adrenalina do horror inicial se foi, deixando para trás apenas a exaustão e a realidade fria e inescapável. Eu era um aleijado. Um escravo cego. Inútil. Minha vida,…
    • Conto | Oráculo da Dor (3)

      Conto | Oráculo da Dor (3) Capa
      por Hergê A risada fria em minha mente se dissipou, deixando para trás um silêncio mais profundo e mais pesado do que antes. A promessa, ou talvez a maldição, pairava na escuridão da minha cela: Abra seus novos olhos.  Mas como? Meu corpo continuava sendo uma prisão de dor, minhas pálpebras, uma muralha de carne cicatrizada. A voz não retornou. Fui deixado sozinho com o eco de suas palavras e a dúvida venenosa de que talvez tudo não passasse de um delírio final. A esperança era uma piada cruel, e…
    Nota