Histórias 7
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por Hergê — Minha chance veio na forma de um corvo que pousou na grade da minha cela. A conexão com ele foi a mais difícil e a mais recompensadora. Sua mente era um misto de inteligência aguda e instinto selvagem. No momento em que a conexão se firmou, a cela, a pedra, a escuridão... tudo desapareceu. A sensação foi uma epifania de liberdade absoluta. Deixei para trás a casca inútil de meu corpo e fui impulsionado para o céu pelo poder de asas fortes e negras. O vento não era algo que eu sentia de… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Ouvi o som da agulha caindo na pedra. O mestre parou seu trabalho. — Pequeno? — ele perguntou, a voz tingida de uma súbita confusão. Senti o toque de seus dedos em meu pescoço, checando meu pulso. Ele grunhiu, um som de frustração. Teria o instrumento se quebrado antes do ritual estar completo? Foi então que o outro som começou. Um arranhar. Tão baixo a princípio que poderia ser apenas um rato solitário. Mas ele não parou. Ele cresceu. De um, tornou-se dez. De dez, cem. De cem, mil. Um… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O som da fechadura de ferro girando em minha cela foi o estopim. O ar, antes parado e fétido, moveu-se com a abertura da porta, trazendo consigo um cheiro que fez os pelos de meus braços se arrepiarem. Era o odor do incenso do escritório de meu mestre, mas mais forte, mais denso, um perfume adocicado e doentio que cheirava a rituais e finalidade. Mãos rudes me agarraram, me colocando de pé. Eu não lutei. Minha resistência havia se esvaído nos dias de vigília e planejamento silencioso. Eu era… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A liberdade tinha o gosto de poeira e o som do choro abafado de uma criança faminta. Faziam semanas desde que haviam deixado a cicatriz na terra que fora sua prisão, e a euforia daquela primeira noite de sangue e triunfo era agora uma memória distante e amarga. A primeira semana de liberdade foi movida a adrenalina e ódio. A segunda, a uma esperança obstinada. A terceira começou com o silêncio da fome. O êxodo que se arrastava pelas florestas da Calcídica não era um povo, mas o… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Kenan, que havia sido jogado para o lado no início da refrega, observava o pandemônio, o horror paralisando seus membros. Gritos de dor se misturavam ao som crepitante da madeira em chamas. Ele viu o Capitão, o rosto iluminado pelo fogo, lutar como um demônio, os lábios se movendo em uma prece silenciosa enquanto sua faca abria um sulco vermelho no peito de um de seus próprios homens. Foi então que a clareza o atingiu, fria e absoluta em meio ao calor do incêndio. Um sacrifício em massa. A… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O dia que se seguiu ao ataque foi um poço de silêncio. A tripulação, fraturada e assustada, movia-se pelo navio como fantasmas, cada homem um prisioneiro em sua própria ilha de medo. Ithobaal, trancado no depósito de velas, alternava entre gritos de fúria e um silêncio catatônico que era quase mais perturbador. Malek não saía de sua rede, e aqueles que passavam por perto juravam ouvir o zumbido baixo de uma prece incessante. A loucura não havia se dissipado; apenas se recolhera para as… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A noite que se seguiu ao grito de Ithobaal foi diferente. O medo, agora nomeado e ridicularizado, não desapareceu com o nascer do sol. Pelo contrário, ele se infiltrou na rotina da tripulação, um veneno silencioso. Os homens trabalhavam em silêncio, os olhos se movendo com uma rapidez nervosa, cada sombra alongada pelo sol poente, cada rangido da madeira, um motivo para sobressalto. As risadas haviam cessado. O silêncio opressivo da calmaria agora era preenchido por uma desconfiança mútua. Eles… 260,7 K Palavras • Ongoing