Histórias 9
Capítulos 236
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por Hergê — A lâmina fria da xiphos de Hermes estava pressionada contra a garganta lísa e octópode do líder deles, mas a verdadeira arma era o choque paralisante no rosto da criatura. Magno ainda estava imobilizado, a lança em seu pescoço, e os outros Tritões, congelados, aguardavam qualquer movimento, seus olhares písceos divididos entre o líder cativo e a figura impossível de Sêneca que tentava se levantar no chão. A névoa pairava, espessa e silenciosa, como uma testemunha indiferente. Hermes manteve… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Hermes e Magno puseram-se de costas um para o outro, as armas em punho. Sêneca, ao lado dos dois, permanecia sem reação. O coração do deus caído martelava em seu peito, um ritmo de guerra contra o silêncio opressivo. Ele olhou para o mar de olhos frios e sem piscar que os encaravam da névoa. Estavam presos. Encurralados entre um barco partido e um exército silencioso que acabara de emergir do abismo. — Tritões… — Hermes sussurrou com uma expressão tensa. Magno não deu atenção. Já… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A névoa os engoliu sem aviso. Em um momento, o veleiro cortava as águas escuras sob um céu estrelado; no seguinte, estava envolto em um silêncio branco e leitoso. Não era uma névoa marítima comum. Espessa, com uma umidade que se agarrava à pele e ao convés, abafando o som das ondas e o assobio do vento até que o mundo se resumisse ao rangido da madeira sob seus pés. A visibilidade caiu para poucos metros, transformando o vasto oceano em uma câmara claustrofóbica. Magno sacou suas… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Das sombras de um pórtico em ruínas, o Curandeiro assistia. Ele viu a sua obra-prima, o pináculo de sua ambição, o guardião invencível de sua nova Pella, a ser desmembrada com uma ferocidade que a sua alquimia profana não previra. Ele viu Licaão, a fonte de sua fúria caótica, a tornar-se o mestre dela. Viu as galhadas, que ele próprio enxertara com tanto cuidado, a serem arrancadas e usadas como armas contra a sua criação. Viu o som nauseante da carne a rasgar-se, o jorro de sangue escuro… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O caos era absoluto. Casas que antes eram lares agora eram piras funerárias, as chamas alaranjadas lambendo as vigas de madeira e cuspindo fumaça negra e acre para o céu noturno. Gritos de terror e agonia ecoavam de todas as vielas, uma sinfonia de desespero abafada pelo som de pedra se partindo e pelos guinchos antinaturais das quimeras. As criações do Curandeiro corriam descontroladas. Monstros do tamanho de cães, com corpos de lagarto e cabeças de aves de rapina, perseguiam os aldeões em… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Dentro do casulo, a escuridão era absoluta, o ar denso com o cheiro de terra e sangue podre. Lentamente, como as pálpebras de um gigante adormecido, as raízes grossas começaram a se retrair, desenrolando-se com um som de madeira antiga se partindo. A luz pálida da lua invadiu o santuário, revelando a devastação. Plutarco, que protegia Althea com o próprio corpo, ergueu-se, tossindo a poeira. A casa do Curandeiro não existia mais. No seu lugar, havia uma cratera fumegante, um buraco negro no… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Ele começou a seguir o rastro, mas com um novo propósito. A lógica de caçador, que aprendera na dor e na fome, clareou em sua mente. Se os rastros na floresta sempre se afastavam de Pella, este, dentro da cidade, deveria levar de volta à fonte. Passaram por praças vazias e vielas silenciosas, o brilho verde nos olhos de Teseu guiando-os com uma certeza assustadora. Finalmente, o rastro terminou. Ele parou, a luz em seus olhos se apagando. Estavam diante de uma casa modesta, de dois andares, com… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Na fazenda de Leneu, pai de Althea, a quietude havia sido assassinada. Uma multidão se formara, um organismo febril de medo e raiva. Eram ferreiros, pastores, tecelões. Homens e mulheres cujas mãos foram feitas para criar e cultivar, agora seguravam picaretas, foices, martelos e tochas acesas com uma fúria que transformaria até unhas em armas. No centro da turba, o Curandeiro estava de pé sobre um caixote de madeira, o rosto marcado pela dor e justa indignação, sua voz calma cortando os… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O ar no laboratório subterrâneo estava viciado, pesado com o cheiro de fracasso. Pela terceira vez naquela semana, o Curandeiro se via diante de uma criação imperfeita. Ele olhou com desprezo para a criatura disforme que jazia morta sobre a laje de pedra, uma fusão grotesca de um texugo e uma águia que não suportara o próprio peso de sua mutação. Com um rosnado de frustração, ele se virou para sua fonte de poder. O homem pendurado nos mecanismos de bronze estava visivelmente mais fraco, a… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O corpo era o de um esquilo gigante, inchado e desproporcional, coberto por uma pelagem cinzenta e suja. De sua boca, presas disformes e amareladas se projetavam em ângulos errados. E em três de suas quatro patas, as garras de uma ave de rapina, com talões negros e curvos que se cravavam na terra. A outra pata realmente parecia pertencer a uma criatura lupina. Movia-se com uma velocidade espasmódica, anti natural, um pesadelo de tendões e músculos costurados desordenadamente. A… 312,4 K Palavras • Ongoing