Hergê

    Histórias 7
    Capítulos 177
    Palavras 316,1 K
    Comentários 110
    Tempo de Leitura 17 horas, 33 minutos17 hrs, 33 m
    • Capítulo 102 | O Prisioneiro do Abismo

      Capítulo 102 | O Prisioneiro do Abismo Capa
      por Hergê O cheiro de lavanda sumiu. O calor do sol na pele desapareceu. Num piscar de olhos, o quarto de mármore, a cama macia e o rosto de sua mãe deixaram de existir. Sêneca deu um passo à frente, mas seu pé não encontrou o mosaico frio da casa do Eupátrida. Encontrou algo sólido, liso e invisível. Não havia chão. Não havia teto. Não havia paredes. Havia apenas o escuro. Uma escuridão absoluta, densa, que parecia pressionar seus globos oculares. Sêneca estendeu as mãos, tateando o…
    • Capítulo 26 | O Conto de uma Flor que Desabrochou no Inferno das Minas (2)

      Capítulo 26 | O Conto de uma Flor que Desabrochou no Inferno das Minas (2) Capa
      por Hergê Uma tosse seca tirou Sêneca de seu torpor noturno. Era tarde da noite. Ágatha, com a garganta seca, esgueirou-se para fora para pegar água. O velho se forçou a permanecer deitado. Não devia fazer nada. O próximo dia logo chegaria e tudo se resolveria. Foi quando viu uma sombra passar em frente ao túnel. Uma sombra conhecida. Seus olhos se arregalaram e antes que sua mente pudesse protestar, já estava de pé.  Esgueirou-se entre as vigas de madeira nas paredes de pedra, seguindo na…
    • Capítulo 111 | Sobre as Cinzas de Tróia

      Capítulo 111 | Sobre as Cinzas de Tróia Capa
      por Hergê O sol da tarde iluminava as ruínas de Tróia. A luz era real agora, quente e amarela, dissipando o frio sobrenatural da noite mágica que fora deixada por Endimião. Seus poderes, mesmo sem o domínio da moeda, demoraram a se dissipar, e banharam as ruínas por horas antes de finalmente abandoná-las. Hermes estava sentado em um bloco de pedra calcária, perto da praia. Em suas mãos, ele segurava a Moeda do Olho Entreaberto. O metal negro parecia absorver a claridade do dia. Ele girava o objeto entre…
    • Capítulo 107 | Mapa do Tesouro

      Capítulo 107 | Mapa do Tesouro Capa
      por Hergê Semanas haviam se passado no reino dentro da cisterna. A umidade e o cheiro de mofo eram familiares, confortáveis. Eram o cheiro de casa. O grupo estava reunido em volta de um caixote de madeira que servia de mesa. Lia alisava um pedaço de pergaminho velho e manchado sobre a superfície áspera. — É aqui — disse ela, com o dedo para uma massa de terra desenhada de forma grosseira. — A Ásia. Dizem que as cidades lá são maiores que Therma. Dizem que ninguém passa fome. Vareta e Tico…
    • Capítulo 108 | A Garra e a Sombra

      Capítulo 108 | A Garra e a Sombra Capa
      por Hergê Sêneca respirava entre engasgos. Hermes permaneceu imóvel. Sua mão ainda estava erguida, o fio da ponta de sua espada a centímetros do pescoço de Endimião. O brilho verde em seus olhos oscilava, lutando contra o instinto de matar e a necessidade de proteger. Ele olhou para Sêneca. O rosto do amigo estava roxo. As pernas chutavam o ar inutilmente. Hermes forçou um sorriso frio. — Vá em frente — disse Hermes. Sua voz saiu firme, embora o suor escorresse por sua têmpora. —…
    • Capítulo 109 | Lamúrios Ecoantes

      Capítulo 109 | Lamúrios Ecoantes Capa
      por Hergê Magno caiu de joelhos na terra batida. O impacto sacudiu seus ossos. A poeira roxa, levantada pelo ataque anterior de Hermes, cobria a área principal da batalha como uma neblina densa. Mas ali, entre as ruínas menores do pátio externo, o ar estava apenas sujo de terra e calcário. Ele tossiu e limpou a boca com as costas da mão. Ao seu lado, Sêneca tentava se levantar, mas as pernas do velho falhavam. — Fique abaixado — ordenou Magno, com a voz ríspida e urgente. Ele agarrou o braço de…
    • Capítulo 21 | Mantenha os Pés no Chão (2)

      Capítulo 21 | Mantenha os Pés no Chão (2) Capa
      por Hergê — E o que você pode fazer para ajudá-las? —  Hermes questionou de pronto, seu rosto sisudo e olhar irresoluto. A pergunta esmagou Teseu como um coice. Ele tinha razão. “Nós? Nós precisamos salvá-los? Quem eu penso que sou para puxar o Hermes para essa batalha como se eu mesmo fosse capaz de fazer alguma coisa?” Seu olhar encontrou os pés de Hermes. “Eu nem sequer consegui sobreviver por mim mesmo ao último ataque. Como posso garantir que não vou ser um peso em qualquer…
    • Capítulo 113 | O Guia do Oráculo

      Capítulo 113 | O Guia do Oráculo Capa
      por Hergê Mais um dia inteiro de viagem passou. Tendo descansado à noite da aparição do cego na estradan, o grupo caminhou do nascer ao pôr do sol sem trocar conversas longas sob a trilha constante do bater das botas na terra e dos sussurros de Licaão que falava sozinho. Eram frases desconexas e baixas, para além das quais recusava-se a responder qualquer coisa quando Teseu ou Plutarco perguntavam algo. Plutarco mancava. O escriba reclamava a cada quilômetro sobre uma dor aguda no calcâneo. A sandália…
    • Capítulo 114 | O Ventre da Montanha

      Capítulo 114 | O Ventre da Montanha Capa
      por Hergê O terreno era hostil, composto por rochas afiadas e xisto quebradiço que deslizava sob as botas a cada passo em falso. O vento soprava com força ali em cima, gelado e constante, cortando o rosto e dificultando a respiração. O Guia ia à frente. Ele não parecia sentir o esforço e seus movimentos eram precisos. Ele saltava entre pedras instáveis com o equilíbrio de uma cabra montanhesa, sem usar as mãos para se apoiar. Ele subia trechos quase verticais com uma facilidade que irritava…
    • Capítulo 105 | Incontrolável

      Capítulo 105 | Incontrolável Capa
      por Hergê A morte de Pátroclo marcou o fim da esperança e o início do massacre. Depois daquele momento, o tempo acelerou. Hermes não tentou mais intervir, de braços cruzados sobre as nuvens, ele assistia o desenrolar da tragédia que ele conhecia de cor. Ele viu Aquiles sair de sua tenda, irascível, com o rosto desfeito em fúria. O Pelida entrou no combate e transformou o campo de batalha em um matadouro. Ele empilhou tantos corpos no rio Escamandro que as águas pararam de correr, bloqueadas pela carne…
    Nota