Histórias 9
Capítulos 236
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por Hergê — A trilha era uma blasfêmia na terra. As pegadas não faziam sentido algum: três garras que lembravam as de um pássaro, uma pata parecida com a de um lobo e, entre elas, um rastro liso, como o de uma serpente. — É como se três animais caminhassem um dentro do outro — murmurou Plutarco, fascinado e aterrorizado, fazendo uma anotação apressada em sua tabuleta de cera. Teseu não respondeu. A irritação que sentira antes com o escriba se dissipara, substituída por uma apreensão gélida. Ele… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Capítulo 6 | Pegadas O fogo da pequena fogueira crepitava, lançando sombras dançantes sobre os rostos da dupla acampada na orla da floresta. O ar da noite era frio, mas a atmosfera entre eles era ainda mais gélida. Plutarco, absorto em suas anotações, parecia o único alheio à tensão. Teseu, por sua vez, repassava os eventos do dia em sua mente, a mão ainda formigando com a memória fantasma da faca. A traição doía mais que o ferimento. — Decidi-me. Partiremos pela manhã — declarou… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Eles começaram a se aproximar lentamente, fechando o círculo ao redor dele e de Plutarco que finalmente mostrava seus primeiros sinais de inquietação. Foi quando uma voz calma, mas cheia de uma autoridade inquestionável, cortou a tensão. — Parem! Em nome dos deuses, o que estão fazendo? A multidão se abriu, como o mar diante de um profeta. Um homem de meia-idade, com um rosto gentil e mãos calejadas pelo trabalho com ervas, caminhava em direção a eles. Seu olhar, que transmitia… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Os portões de Pella se fecharam atrás deles com um rangido cansado, o som pesado da madeira se assentando na pedra selando-os dentro da cidade. O barulho da rua principal, que eles esperavam, não existia. Em seu lugar, havia um silêncio estranho e opressivo, quebrado apenas pelo eco de seus próprios passos nos paralelepípedos e pelo assobio do vento que serpenteava pelas vielas estreitas. À medida que o trio avançava, uma quietude os seguia como uma praga. Conversas que flutuavam das portas e… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Esta era uma floresta antiga. Um santuário silencioso onde o tempo se movia de forma diferente, medido não em horas, mas em estações. A luz do sol, dourada e quente, lutava para perfurar a copa densa das árvores, derramando-se em feixes oblíquos que pintavam o chão de terra úmida e folhas em decomposição com manchas luminosas e dançantes. O ar fresco, carregado com o cheiro de musgo e do ciclo eterno de vida e morte da mata, balançava algumas folhagens. O único som era o canto… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O Bosque dos Anseios não era mais o mesmo. Ou talvez, Hermes não fosse. A floresta, que antes o havia confrontado com armadilhas e desejos crus, agora parecia apenas triste. O ar era pesado, não com magia, mas com o peso de memórias, e a névoa que se agarrava ao chão parecia um véu de luto. Ele caminhava, e cada passo era um esforço. Seu corpo, remendado às pressas, protestava com uma dor surda, mas era um incômodo distante, abafado pela agonia muito maior que residia em sua… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A câmara era uma tumba, o ar pesado com o cheiro de morte e tristeza. Foi então que a luz das tochas vacilou. Atrás de um dos pilares estilhaçados, a sombra na parede parou de dançar. Ela se aprofundou, tornando-se um remendo de escuridão tão absoluto que parecia um buraco na própria realidade, um véu de negrume que ativamente engolia a luz da tocha mais próxima, drenando sua chama. Daquela escuridão antinatural, uma figura emergiu. Seus pés tocaram o mármore ensanguentado sem fazer um… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A exaustão era um abismo, e Hermes sentia-se despencando. A areia em suas veias agora era fogo, e os lamentos dos mortos em sua mente haviam se tornado um rugido que ameaçava consumir sua própria identidade. Ele olhou para a aberração, que se regenerava lentamente, e para Kyros, escondido nas sombras, prolongando a agonia. Ele não tinha mais tempo. "Preciso acabar com isso. Agora.", a decisão foi fria, final. Ele canalizou tudo o que restava, flexionando um dos joelhos atrás como se… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O mundo de Hermes se desfez. O som da nota solitária da lira foi o prelúdio de uma agonia que superava qualquer ferimento físico. A moeda em sua mão não era um artefato, mas sim uma porta, e ao abri-la, ele se afogou no que havia do outro lado. O frio foi a primeira coisa. Um frio antinatural que não vinha do ar, mas de dentro, subindo por seu braço como o veneno de uma serpente do Cócito. Suas veias, visíveis sob a pele pálida, se tornaram negras, não como tinta, mas como a ausência de luz,… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Kyros deleitava-se no horror. Com os braços abertos, como um maestro diante de sua orquestra, ele admirava sua obra-prima. — Contemplem! — sua voz exultante ecoou pela câmara profana. — A pureza do amor infantil, refinada em sua forma mais verdadeira! Eu o chamo de... o Hecatônquiro de Eros! A monstruosidade se moveu sobre o altar, um som úmido de carne se arrastando sobre a pedra negra. Não era uma criatura, era uma escultura viva de agonia. Braços se estendiam em ângulos… 312,4 K Palavras • Ongoing