Histórias 9
Capítulos 236
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por Hergê — O sol já se despedia mais uma vez das planícies de Calcídica. A paisagem deserta somada ao anoitecer alaranjado da estrela que ia se deitar criavam uma obra de arte digna de contemplação. Neste lugar, no entanto, não havia quem a contemplasse. Uma mina de carvão feita numa fenda na terra que despistava em suas rampas a luz que vinha de fora continha todos os possíveis admiradores desse fenômeno. Esta mina se encontra no topo de uma colina aplainada. Lá dentro, os escravos ainda… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O silêncio no quarto de Gérion era uma entidade física. Pesado, opressivo, cheirando a suor velho e ao odor metálico do sangue derramado lá fora. Hermes estava sentado na beira da enxerga de feno do ogro, o mundo exterior parecendo distante, abafado. Seus ouvidos ainda zumbiam com os ecos da batalha, com o estalo do açoite e com o silêncio final de seu algoz. Em sua mão, a moeda repousava, uma ilha de frio antinatural em sua palma suja. Ele a virou e revirou sob a luz fraca da lucerna. O sigilo… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Os dois estavam paralisados com as costas contra a parede da carroça. As sensações escaparam de seus sentidos. O mundo pareceu parar quando aquele cadáver se ergueu no ar. O brilho verde fosco, necrótico, obscuro, enchia de angústia e dúvida a mente dos dois rapazes. Teseu principalmente. O garoto havia se preparado mentalmente quando seu companheiro o aconselhou a rezar, mas com certeza não esperava nada do que estava acontecendo. A voz falhou em sair de sua garganta quando ele,… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Em meio aos abraços e às lágrimas silenciosas, três figuras inquietas caminhavam pela mina para um dos túneis. A resposta incompleta da garota lançou um fio de dúvida na mente já conflituosa de Hermes. Sem uma palavra, ele a seguiu, afastando-se do calor da celebração e mergulhando de volta na frieza dos túneis. Teseu, vendo os dois se afastarem, os seguiu a uma distância respeitosa, sua expressão uma mistura de curiosidade e preocupação. Ágatha os guiou pelas rampas até um pequeno… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Therma era um ataque aos sentidos, um monstro de ruído e cheiros que os engoliu por inteiro. Após semanas na quietude sombria de florestas e na desolação de estradas de terra, a cidade portuária era uma explosão de vida caótica. O ar era espesso com o cheiro de sal do mar, de peixe secando ao sol e de especiarias exóticas que vinham dos porões dos navios atracados no porto. O som era uma cacofonia constante: mercadores gritando suas ofertas com vozes roucas, marinheiros cantando canções obscenas… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A carroça rangia, um som monótono e constante que era a única trilha sonora de sua jornada. As rodas esmagavam a terra seca da estrada, levantando uma poeira fina que dançava sob a luz da lua crescente. O mundo ao redor era uma vastidão de campos escuros e colinas distantes, silhuetas silenciosas contra um céu salpicado de estrelas. A noite avançava com eles, uma companheira fria e indiferente. Na frente, Hermes conduzia os cavalos com uma firmeza silenciosa. Seus ombros estavam tensos, sua… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A floresta engoliu Teseu como o mar engole um náufrago. A névoa, que na estrada era apenas um véu, aqui se tornava uma presença física, espessa e úmida, que se agarrava à sua armadura de bronze e abafava todos os sons. O mundo se reduziu a um corredor de árvores escuras e sombras que se contorciam. Ele não via a criatura que o guiava, mas sentia seu chamado, um puxão em sua mente, uma promessa silenciosa de que estava sendo levado a algum lugar. O medo era um nó frio em seu estômago, mas a… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — A declaração de Hermes pairou no ar, mais pesada e fria que a umidade da floresta. “É um labirinto.” A palavra sugou a pouca esperança que o grupo ainda possuía, substituindo-a por uma apreensão palpável. — Labirinto? — Magno repetiu, seu tom zombeteiro habitual substituído por uma incredulidade genuína. Ele varreu o entorno com o olhar, a floresta que antes era apenas densa, agora parecia zombar dele com suas sombras retorcidas e silenciosas. — Você quer dizer que estamos perdidos… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — Nos telhados de terracota de Therma, uma figura se movia com a agilidade silenciosa de um felino. Magno conhecia cada telha solta, cada viga exposta, cada beco sem saída daquele labirinto de ruas. Era o seu reino. Daquela altura, a cidade era um tabuleiro de petéia, e ele era o jogador que via todas as peças. Mas, nos últimos dias, algumas de suas peças mais importantes estavam desaparecendo. Crianças. Seus pequenos batedores, seus olhos e ouvidos nas ruas, estavam sumindo um a um,… 312,4 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O silêncio na viela era uma lâmina. Os dois homens permaneciam congelados, a um fôlego da morte mútua. A ponta da faca de Magno, firme e fria, beijava a jugular de Hermes. A ponta da xiphos de Hermes, igualmente imóvel, prometia perfurar o coração do ladrão. O tempo pareceu parar, esticado em um instante de tensão absoluta. “Como as coisas acabaram assim” Hermes refletiu, lembrando-se do desenrolar dos eventos que o trouxeram até essa posição maldita. ………… — E agora? O… 312,4 K Palavras • Ongoing