Hergê

    Histórias 9
    Capítulos 236
    Palavras 405,9 K
    Comentários 175
    Tempo de Leitura 22 horas, 33 minutos22 hrs, 33 m
    • Capítulo 163 | Tiro no Escuro

      Capítulo 163 | Tiro no Escuro Capa
      por Hergê O primeiro corredor das ruínas tinha apenas o vão onde uma porta havia estado, os gonzos ainda  restavam presos à pedra de um lado, o outro lado liso e nu. Sophia ergueu a erva-da-lua e o brilho azul alcançou três, quatro metros à frente antes de se perder na curva. Além da curva, escuridão compacta. Licaão passou à frente sem pedir permissão. A espada de empréstimo saiu da bainha com um som seco e ele a segurou de forma relaxada, o fio para baixo, a ponta apontada para o corredor como…
    • Capítulo 162 | Noite Eterna(3)

      Capítulo 162 | Noite Eterna(3) Capa
      por Hergê A subida era lenta. Teseu e Licaão haviam começado antes. O herói abria um degrau de cada vez — a cada raiz nova que forçava para fora da rocha, o ritmo parava, uma respiração mais funda, antes do passo seguinte. As mãos estavam vermelhas da pressão constante contra a pedra. No meio da encosta, ele parou e sentou no degrau. Licaão ficou dois degraus acima com os braços cruzados. — Garoto. Teseu não respondeu. Apoiou os cotovelos nos joelhos e deixou a cabeça cair um pouco.…
    • Capítulo 161 | Noite Eterna(2)

      Capítulo 161 | Noite Eterna(2) Capa
      por Hergê Calixto ouviu os passos de Teseu e Licaão se afastarem e escolheu não comentá-los. A linha de defesa manteve a posição por mais dez minutos de silêncio. Os soldados começavam a sentir o peso da espera — a tensão dos músculos ao segurar o escudo sem ter nada para bloquear, a imaginação que preenchia o silêncio com tudo o que não aparecia. Um soldado mais jovem ao centro da linha limpou o suor do rosto com o dorso da mão. Outro respirou fundo e soltou o ar devagar. Então a figura saiu…
    • Capítulo 159 | Um Jardineiro na Guerra

      Capítulo 159 | Um Jardineiro na Guerra Capa
      por Hergê Sophia cruzou o limiar da ala de cura com passos leves. Entre as mãos, ela protegia um ramo de luz-da-terra, uma erva rara cujas pétalas emitiam um brilho azulado e constante. A claridade fria da planta projetava sombras longas contra as paredes de calcário e revelava o vazio no canto do celeiro.  A enxerga de palha onde Teseu deveria repousar estava deserta. Sophia parou no centro do recinto. O frio atingiu sua nuca.  As palavras de Calixto ecoaram em sua mente como um…
    • XI. A Batalha de Armois (1)

      XI. A Batalha de Armois (1) Capa
      por Hergê #162# Chegou à cabana com o coração mais leve do que o esperado, dada a conversa com o padre. Contou para Mara e Lirien o que havia acontecido — o livro no altar, o olhar do vice-capitão, a preocupação de Anselmo — sentado à mesa com as mãos em torno de uma xícara quente que Mara havia posto à sua frente sem ser pedida, como de costume. Mara ouviu com aquela imobilidade que usava quando queria focar. Quando Réu terminou, ficou quieta. Lirien ficou mais quieta ainda. — A vila…
    • IX. A Escolha

      IX. A Escolha Capa
      por Hergê #162# Réu completou dezesseis anos no começo do verão, e o verão o devolveu à vila após uma temporada distante com uma diferença que as pessoas notavam com bocas abertas e mentes fechadas. Embora o corpo tivesse mudado, os ombros um pouco mais largos, a postura diferente, as roupas apertando em lugares onde antes sobrava, era outra coisa, mais sutil. O jeito como ele andava. O jeito como olhava para os lados antes de cruzar uma esquina — confiante e treinado. Isso era estranho à maioria das…
    • EPÍLOGO

      EPÍLOGO Capa
      por Hergê #162# O barco dobrou a curva na contramão da corrente. Mara remava. Lirien estava na proa com os olhos nas duas margens, nas pedras, na água escura. — Ali — disse ela. A silhueta no barro. A espada ornada ao lado, a cruz da empunhadura voltada para cima. Mara encostou o barco na margem com um golpe de remo que fez a madeira raspar nas pedras. Saltou para a margem. Lirien foi atrás. A mulher pegou a espada de Gareth pela empunhadura e enterrou-a funda na margem, ao lado do corpo…
    • XVI. A Última Batalha

      XVI. A Última Batalha Capa
      por Hergê #162# Escolheu a posição com cuidado. Havia aprendido com Mara — a estratégia de batalha ela nunca havia ensinado explicitamente, mas o princípio, sim: observe antes de agir; o terreno é metade de qualquer confronto; um lutador que escolhe onde luta está à frente de um lutador que apenas reage. O claro diante da cabana era o lugar certo. Espaço suficiente para os quatro chegarem juntos — o que era o melhor cenário, porque lutadores que chegam separados eram menos previsíveis do que…
    • XV. O Barco

      XV. O Barco Capa
      por Hergê #162# A casa de Harwick ficava no lado nobre da vila, perto da muralha norte, com uma janela larga que dava para a rua principal. Gareth estava nessa janela quando Luke entrou pela porta. — O comandante quer falar — disse Luke. Gareth foi. O capitão da guarda estava sentado à mesa da sala que havia servido de posto de comando durante a batalha. Havia papéis na frente dele, um lacre ainda fresco numa das folhas. Levantou os olhos quando Gareth entrou. — Sente-se — disse o…
    • XIV. A Dama do Bosque

      XIV. A Dama do Bosque Capa
      por Hergê #162# A cabana estava com a luz acesa quando ele chegou. Mara abriu a porta antes que ele batesse. Avaliou o estado dele num olhar — os olhos que não haviam descansado, a espada na cintura — e recuou para dentro sem dizer nada. Lirien estava sentada à mesa com o livro fechado na frente. Réu sentou. Mara pôs uma xícara à sua frente — chá simples, quente, sem os aromas das ervas medicinais. Ele contou. A batalha, o padre no beco, a reunião na casa de Harwick, a acusação da…
    Nota