Hergê

    Histórias 7
    Capítulos 177
    Palavras 316,1 K
    Comentários 110
    Tempo de Leitura 17 horas, 33 minutos17 hrs, 33 m
    • Capítulo 124 | Prece Noturna

      Capítulo 124 | Prece Noturna Capa
      por Hergê As trevas tomaram a cidade numa frieza desmedida. O vento soprava do norte, trazendo o cheiro úmido da floresta para dentro das ruas de pedra. Hermes estava deitado em um catre de madeira no quarto que lhes fora cedido. Seus olhos estavam fixos nas vigas de madeira do teto, enquanto ele revisava mentalmente as poucas informações que colhera durante o dia. Estéril, era como havia sido a investigação. Ele caminhara pelos setores administrativos e ouvira as fofocas de criados e aristocratas. O Rei de…
    • Capítulo 110 | O Rei dos Ratos

      Capítulo 110 | O Rei dos Ratos Capa
      por Hergê Hermes se levantou, limpando o sangue do canto da boca. Endimião, vendo seus guardiões formados, virou as costas e correu para dentro das ruínas, mancando e segurando o peito ferido. — Peguem ele! — gritou o feiticeiro enquanto fugia. Os três clones avançaram ao mesmo tempo. Eram silenciosos. O clone de Sêneca veio pela esquerda, com os braços estendidos. O clone de Magno desapareceu nas sombras à direita. O clone de Hermes atacou pelo centro, brandindo uma cópia negra da xiphos…
    • Capítulo 113 | O Guia do Oráculo

      Capítulo 113 | O Guia do Oráculo Capa
      por Hergê Mais um dia inteiro de viagem passou. Tendo descansado à noite da aparição do cego na estradan, o grupo caminhou do nascer ao pôr do sol sem trocar conversas longas sob a trilha constante do bater das botas na terra e dos sussurros de Licaão que falava sozinho. Eram frases desconexas e baixas, para além das quais recusava-se a responder qualquer coisa quando Teseu ou Plutarco perguntavam algo. Plutarco mancava. O escriba reclamava a cada quilômetro sobre uma dor aguda no calcâneo. A sandália…
    • Capítulo 114 | O Ventre da Montanha

      Capítulo 114 | O Ventre da Montanha Capa
      por Hergê O terreno era hostil, composto por rochas afiadas e xisto quebradiço que deslizava sob as botas a cada passo em falso. O vento soprava com força ali em cima, gelado e constante, cortando o rosto e dificultando a respiração. O Guia ia à frente. Ele não parecia sentir o esforço e seus movimentos eram precisos. Ele saltava entre pedras instáveis com o equilíbrio de uma cabra montanhesa, sem usar as mãos para se apoiar. Ele subia trechos quase verticais com uma facilidade que irritava…
    • Capítulo 115 | O Ninho do Parnaso

      Capítulo 115 | O Ninho do Parnaso Capa
      por Hergê A montanha inteira parecia se mover. Escamas gigantescas deslizavam umas sobre as outras num som de lixa raspante contra pedra. O chão tremia violentamente a cada impulso da Píton lançando arrepios aos corpos dos que dela fugiam. Teseu corria. Seus pulmões queimavam com o ar rarefeito e gelado. Atrás dele, o som do corpo colossal da serpente esmagando o caminho que eles acabaram de percorrer era um lembrete constante da morte. O caminho estreito à frente ziguezagueava entre fendas e penhascos.…
    • Capítulo 116 | O Chamado de Ethon

      Capítulo 116 | O Chamado de Ethon Capa
      por Hergê O vento deslocado pelas asas de Ethon atingiu o grupo antes mesmo das garras. A poeira do platô se levantou em uma nuvem densa. Plutarco gritou e correu, jogando-se atrás das costas do Guia, que permaneceu parado perto da entrada da trilha, observando com os braços cruzados. Teseu sacou sua xiphos. A lâmina de bronze brilhou sob o sol. Licaão não sacou sua espada. Em vez disso, puxou da cintura duas facas rústicas, feitas de pedra lascada e couro, que ele havia fabricado dias antes. A Águia…
    • Capítulo 117 | Além do Topo (1)

      Capítulo 117 | Além do Topo (1) Capa
      por Hergê O vento no topo do platô soprava constante, agitando as penas da Águia gigante que agora repousava imóvel diante de Teseu. O brilho verde nos olhos do rapaz desapareceu, e o que restou foi uma expressão de cansaço súbito. Perto da saída da trilha, o Guia descruzou os braços. Ele bateu as mãos na túnica, limpando a poeira da caverna, e deu dois passos para trás, em direção à descida. — Meu trabalho termina aqui — disse o Guia. Sua voz estava calma, num contraste com a respiração…
    • Capítulo 118 | Além do Topo (2)

      Capítulo 118 | Além do Topo (2) Capa
      por Hergê — "Além do Monte Parnaso..." — sussurrou Teseu, lembrando-se das palavras do velho e do Guia. A compreensão atingiu sua mente junto com uma leve dor de cabeça pela lufada de ar frio contra o rosto. A Águia gritou e mergulhou nas nuvens. O mundo ficou branco. A luz do sol sumiu. O ar tornou-se gelado e úmido. Gotas de água condensavam instantaneamente em suas roupas e cabelos. Não era possível ver um palmo à frente do nariz. Licaão praguejou algo que o vento levou. Plutarco enterrou o…
    • Capítulo 104 | A Face de Mil Vozes

      Capítulo 104 | A Face de Mil Vozes Capa
      por Hergê Sêneca encarou a mulher sentada na pedra. O mundo ao redor parecia brilhar com uma intensidade dolorosa. Depois da escuridão absoluta do Tártaro, a luz do sol nas ruínas de Tróia agia como agulhas em seus olhos. Ele piscou, tentando limpar a visão, mas a imagem da mulher de cabelos púrpura permanecia nítida, imperturbável. O vento soprava, levantava a poeira e movia as mechas escuras que cobriam parcialmente o rosto dela. A cada movimento do cabelo, a cicatriz grotesca em seu pescoço ficava…
    • Capítulo 105 | Incontrolável

      Capítulo 105 | Incontrolável Capa
      por Hergê A morte de Pátroclo marcou o fim da esperança e o início do massacre. Depois daquele momento, o tempo acelerou. Hermes não tentou mais intervir, de braços cruzados sobre as nuvens, ele assistia o desenrolar da tragédia que ele conhecia de cor. Ele viu Aquiles sair de sua tenda, irascível, com o rosto desfeito em fúria. O Pelida entrou no combate e transformou o campo de batalha em um matadouro. Ele empilhou tantos corpos no rio Escamandro que as águas pararam de correr, bloqueadas pela carne…
    Nota