Histórias 1
Capítulos 172
Palavras 268,3 K
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por Israel Ribeiro — Athemor encarava o mapa havia tempo demais. — Essas rotas estão erradas — disse, sem levantar a cabeça. O escriba à mesa pigarreou. — São as mesmas do último envio, meu senhor. — Então estão erradas há semanas. O Lorde não era um homem velho, mas o cansaço o fazia parecer mais. Cabelos castanhos já marcados de cinza nas têmporas, presos para trás por hábito militar. O rosto era anguloso, severo, cortado por uma cicatriz antiga que descia da sobrancelha esquerda até… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O primeiro movimento não veio com som. Veio com pressão. A mana de Naira se expandiu em um pulso profundo, silencioso, que atravessou o solo antes mesmo que os olhos pudessem acompanhar. A areia instável ao redor endureceu de dentro para fora, ganhando veios de rocha, placas irregulares que se erguiam, se sobrepunham, se encaixavam ao redor do corpo dela. A armadura nasceu áspera, viva, pulsante, mais um prolongamento da terra do que algo vestível. Ela não esperou reação. Dominou o… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Karl acordou com calor. Não dor. Não frio. Calor. O tipo errado para aquele lugar. Ele estava deitado em algo macio demais para pedra. O teto acima dele se perdia em arcos altos, sustentados por colunas grossas, antigas, cobertas por inscrições que misturavam runas e estruturas metálicas. — Ele acordou. A voz de Laura ecoou pelo salão. Karl se ergueu devagar, o corpo protestando. Estava em um sofá largo, de couro escuro, gasto pelo tempo, mas intacto. Gustav estava próximo,… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A cidade fortificada não existia mais como conceito.A chuva fina caia vagarosamente sobre os destroços. Onde haviam torres, agora existiam apenas ruinas fumegando. Thamir caiu de joelhos. O ar lhe faltou de uma vez, como se os pulmões tivessem esquecido como funcionar. As mãos tremiam, os dedos ainda formigando, queimando por dentro. O gosto metálico subiu à boca antes que ele conseguisse dizer qualquer coisa. — Thamir. — Eu tô bem — ele falou estendendo uma mão para para-la… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A mata não se abria. Cada passo exigia atenção. O chão era macio e úmido demais, coberto por raízes expostas e folhas grossas que abafavam qualquer som. O ar era pesado, carregado do cheiro de terra viva e decomposição lenta. Não havia vento forte ali dentro, apenas a respiração, o chacoalhar distante da copa e os sons constantes de criaturas invisíveis. Naira avançava à frente, caminhando com cuidado, atenta a cada passo. Thamir vinha logo atrás: alerta demais para parecer… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O sol descia devagar por trás das planícies de Cervalhion, tingindo o céu de laranja e cobre. Da varanda aberta atrás do trono, a cidade parecia tranquila demais para um reino em tensão. Aedin permanecia sentado de costas para a sala do trono, voltado apenas para o mirante. O trono não o sustentava como antes. Os ombros estavam tensos, a postura rígida. O rosto, marcado por olheiras profundas. As noites haviam se tornado curtas demais. Quando dormia, os sonhos vinham fragmentados, ora… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Narrado por Maelis Eu não deveria tê-lo chamado. Era isso que qualquer protocolo diria. O simples fato de Alexandra ter retornado sozinha ao meu comando, pálida demais para esconder o nervosismo, dizendo que eu autorizara a subida de Eldrik, já configurava uma quebra clara de etiqueta. Um erro. Um deslize político. Uma falha que não deveria existir. Assumi a responsabilidade no instante em que pronunciei o nome dele. Agora, sozinha no escritório da Torre Sul, observei a marca escura… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A plataforma não desacelerou. Pelo contrário. O impacto do combate parecia tê-la soltado das travas. O piso metálico continuava vibrando sob os pés deles, agora em ciclos irregulares, como se engrenagens antigas estivessem tentando se reajustar sem sucesso. O zumbido grave que antes era constante tornara-se errático, subindo e descendo de tom, atravessando o corpo como uma febre mecânica. Faíscas escapavam das laterais, riscando o ar com o brilho alaranjado. Cada solavanco arrancava um… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O primeiro autômato avançou direto em Karl. O corpo metálico inclinou-se para frente com peso absurdo, as lâminas retraídas se abrindo nos antebraços com um estalo seco. O segundo e o terceiro ajustaram a posição, formando um semicírculo ao redor dele. Os sensores permaneciam fixos em Karl. — Eles estão me marcando… — rosnou, girando a barra de ferro no instante em que a primeira lâmina desceu. Ele começou a se mover, afastando-se dos outros. A confirmação veio rápida: os… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Laura trabalhava em silêncio. Não por calma, por necessidade. Cada pedaço de tecido era reaproveitado. Cada fragmento de metal virava apoio, cunha ou trava improvisada. O abrigo não era bonito, nem sólido. Era apenas o suficiente para cortar o vento frio que soprava pelos corredores abertos da cidade e dar a ilusão de um ponto fixo naquele labirinto de ruínas. Gustav observava. Sentado sobre um bloco de pedra, com a perna estendida, a bengala apoiada ao lado, ele amarrava algumas tiras… 265,9 K Palavras • Ongoing