Histórias 1
Capítulos 172
Palavras 268,3 K
Comentários 112
Tempo de Leitura 14 horas, 54 minutos14 hrs, 54 m

por Israel Ribeiro — O alimento foi distribuído sem cerimônia alguma. Nada de palavras. Nada de rituais. Pães partidos à mão. Um pouco de carne seca, rasgada em tiras finas demais para saciar a fome, mas suficientes para enganar o estômago por mais algumas horas. O tipo de comida que não confortava, apenas adiava o colapso. O templo parecia maior em silêncio. Sem vozes, sem passos ecoando, as paredes curvas davam a impressão de se afastar, como se o espaço respirasse junto deles. O som mais alto vinha do… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Karl já tinha visto aquilo antes. Rellen. A lembrança voltou com força, misturando-se à imagem de Ivar. Um grito rasgando o ar. A clareira em silêncio. Um corpo vivo que não deveria estar vivo. O cheiro de queimado misturado ao sangue fresco. O sangue vazando pelas feridas. A voz repetindo as mesmas palavras, como um disco quebrado. Desculpa… O estômago de Karl se revirou. Ivar deu mais um passo em sua direção. O som foi o mesmo. O mesmo arrastar pesado. A mesma falta de… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Karl despertou com o ronco insistente do próprio estômago. Por um instante, pensou que ainda estivesse caindo. Aquela sensação de vazio no peito, a ausência de chão, o corpo suspenso no ar, fazendo seus dedos se contraírem contra a pedra fria. O ar pareceu escapar dos pulmões antes mesmo que ele inspirasse. Então veio o som. Clac. Clac-clac. Estralos secos, mecânicos, ecoando em intervalos regulares. Pequenas patas de metal raspando contra a rocha. O barulho se movia pelas… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Elenys deixou o salão com passos contidos. A música ainda preenchia o espaço atrás dela, abafada pelas paredes de pedra, mas já distante o bastante para não exigir atenção. O brilho dos candelabros, os risos calculados, os olhares longos demais, tudo ficava para trás enquanto atravessava os corredores do castelo. O dia finalmente a alcançava. Não era o cansaço físico. Não apenas. As revelações pesavam. As decisões também. E, acima de tudo, a certeza recente de que Thamir… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A chuva caía pesada, golpeando o jardim.Escorria pelo rosto de Ian, grudava no casaco, escurecia o chão até virar lama.Danurem avançou como se nada daquilo importasse. O primeiro golpe veio leve demais para um homem daquele tamanho, uma provocação, uma espécie de aviso arrogante.Ian desviou com facilidade, o corpo fluindo por instinto. — Você sempre começa assim ou está sendo educado comigo? — provocou. O gigante não respondeu. O segundo ataque veio rápido e fundo, um arco direto… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A sacada estava quase vazia. A chuva havia recuado apenas o suficiente para permitir que o ar esfriasse, deixando para trás o cheiro de terra molhada e flores que haviam se aberto cedo demais. O vento leve carregava ecos do salão, música, risos, passos. Tudo filtrado pelas colunas altas, o mundo lá dentro existia em outro ritmo, distante. Maelis estava apoiada no parapeito, os braços relaxados, o corpo inclinado para frente. Observava o pátio inferior com atenção distraída, como quem não… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A música da primeira dança espalhou-se pelo salão em acordes longos e contidos, sustentados por cordas suaves e um compasso pensado mais para conduzir corpos do que para impressionar ou roubar atenção. Não era uma melodia exuberante era estratégica. Um convite à observação. Ian guiou Maelis até o centro do salão enquanto outros casais se alinhavam ao redor, formando um círculo elegante de movimento e expectativa. O espaço pareceu se reorganizar em torno deles sem esforço algum. Maelis… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O Salão do Baile estava vivo. Candelabros altos lançavam luz dourada sobre o mármore polido, refletindo em tecidos finos, joias e olhares atentos demais para serem apenas curiosidade. A música ainda era baixa, um prelúdio calculado, enquanto os convidados ocupavam seus lugares como peças sendo posicionadas antes do jogo começar. A chegada da comitiva de Altheria não passou despercebida. Lysvallis entrou primeiro. O vestido branco contrastava com o tom de sua pele e com os cabelos… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O céu sobre Cervalhion estava pesado. As nuvens de primavera se acumulavam baixas, cinzentas, carregadas de umidade. O ar era morno demais para a estação, incômodo, anunciando chuva antes mesmo do primeiro trovão. Lysvallis, Ian e as Matriarcas deixaram o castelo sem escolta cerimonial. Os portões se fecharam atrás deles com um som abafado, menos solene do que no inverno, mas não menos definitivo. O Salão do Corvo ficava para trás e ainda assim o seu peso parecia caminhar junto. Por… 265,9 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O Salão do Corvo não havia sido feito para conforto. Localizado na ala oeste do castelo de Cervalhion, ele existia para lembrar aos presentes que alianças eram temporárias e poder, sempre relativo. As três mesas de madeira escura dispunham-se de forma peculiar: vistas de cima, pareciam as bordas de um círculo dividido em três partes iguais. Nenhuma se tocava. Nenhuma permitia que alguém ocupasse o centro. Era um aviso antigo, gravado na própria arquitetura, ali não havia união plena, apenas… 265,9 K Palavras • Ongoing