Histórias 1
Capítulos 104
Palavras 150,0 K
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por Israel Ribeiro — O Salão do Corvo não havia sido feito para conforto. Localizado na ala oeste do castelo de Cervalhion, ele existia para lembrar aos presentes que alianças eram temporárias e poder, sempre relativo. As três mesas de madeira escura dispunham-se de forma peculiar: vistas de cima, pareciam as bordas de um círculo dividido em três partes iguais. Nenhuma se tocava. Nenhuma permitia que alguém ocupasse o centro. Era um aviso antigo, gravado na própria arquitetura, ali não havia união plena, apenas… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O grande salão ficou grande demais quando as portas se fecharam atrás da comitiva de Altheria e os guardas foram dispensados por Melissa.Aedin respirou fundo, mas o ar parecia mais pesado do que minutos antes. Melissa aproximou-se primeiro, quieta como sempre. — Aedin — começou ela, com aquela voz medida. — Não foi prudente provocá-lo. Aedin girou o cálice quebrado na mão. Uma linha fina de vinho escorreu pelo metal partido. — Não provoquei. — respondeu curto. Melissa… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A queda livre durou tempo demais. O primeiro impacto veio seco, vertical, arrancando o ar do peito como um golpe direto. O corpo bateu contra a pedra e girou, desceu mais alguns metros antes de bater na parede e ser lançado contra a pedra fria que formava o túnel que se inclinava para baixo. A descida continuava, mas agora em ângulo. O chão não era liso. Era irregular, cruel, cheio de ressaltos, quinas e pedras salientes que não davam tempo de reagir. Cada metro acrescentava novos… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O gosto era amargo.E não era da poção. Ela desceu queimando. Não como dor, mas como uma imposição como se o corpo estivesse sendo forçado a lembrar como funcionava. Lyra foi a primeira a reagir. O tremor nos dedos cessou. Os olhos voltaram a focar. A respiração se estabilizou rápido demais para parecer natural. Ela levou a mão à lateral da cabeça e fez uma careta ao tocar a pele exposta, sensível demais. — Ainda tá… — murmurou, passando os dedos com cuidado. —… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A instalação do ponto de controle consumiu mais tempo do que muitos gostariam e menos do que qualquer um esperava. O trecho escolhido não era confortável, nem bonito. Era apenas estável. Tratava-se do que restara de uma antiga casa, sustentada por arcos de pedra bem distribuídos, longe de fissuras visíveis e com circulação de ar aceitável. Dentro de uma ruína, isso bastava para ser chamado de seguro. Após a análise inicial da equipe Broca, os Ratos avançaram logo atrás. Confirmavam… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — Karl terminou de ajustar a fivela da bota quando percebeu que a mãe o observava havia tempo demais. — Você apertou errado — Laura disse, aproximando-se. Ajoelhou sem pedir permissão e refez o ajuste com dedos firmes, experientes demais para alguém que “apenas” curava feridos. — E desde quando prendo as fivelas errado? — Karl respondeu, contido. Ela ergueu o olhar devagar. — É exatamente isso que me preocupa. Está distraído. O quarto que receberam da família Krosys era… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O retorno começou organizado. — Formação mantida — repetiu Dorman, caminhando entre as equipes para observar as fileiras. — Broca à frente. Ratos colados. Ninguém corre. — Equipe Coruja, vocês estão ficando para trás — reforçou Lady Nyr. — Não quero ninguém se afastando. Mesmo assim, os espaços entre as pessoas aumentavam aos poucos. Não por rebeldia, mas por hesitação. Cada passo parecia exigir confirmação visual naquele ambiente de pouca luz. Cada curva era medida… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A sala de reuniões era pequena, mas serviria ao proposito. Runas antigas cobriam as paredes de pedra clara, não como ornamentos, mas como contenção. Um espaço pensado para conversas que não podiam vazar. Lysvallis ocupava a cabeceira da pequena mesa circular. Postura ereta. Olhar atento. À direita dela, Elenys mantinha as mãos unidas sobre o colo. Alexia permanecia recostada na cadeira, braços cruzados, olhos atentos como lâminas. Ian estava de pé, próximo à parede, com os braços… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — A pena riscou o pergaminho sozinha. O escrivão piscou, confuso, o coração disparado sem motivo aparente. A mão direita não obedecia. As palavras surgiam ordenadas demais, rápidas demais. Ele tentou soltar a pena. Não conseguiu. — N-não… — a voz saiu fraca, como se o ar tivesse de atravessar algo antes de alcançar a garganta. O escritório estava em silêncio. Estantes alinhadas. Selos reais. A janela aberta deixava entrar a luz pálida da manhã. Tudo normal. Exceto… 150,0 K Palavras • Ongoing

por Israel Ribeiro — O Bar do Lince vibrava como sempre, música alta, cheiros fortes, mesas lotadas, risadas e uma leve euforia que só lugares populares demais conseguem manter. Naira o escolhera justamente por isso, rostos desconhecidos se perdiam na confusão, e conversas demais preenchiam o ar para alguém prestar atenção em uma mulher discreta no balcão. Ela vestia roupas comuns, adequadas ao bairro e ao clima. Nada que chamasse atenção. Levava seu copo à boca devagar, enquanto tentava se convencer que era mais… 150,0 K Palavras • Ongoing