Histórias 1
Capítulos 142
Palavras 285,5 K
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por Dellos — Um acorde ressoou e então veio o dedilhar das cordas. O murmúrio melódico da flauta flutuou pela noite, enquanto a marcha dos tambores ditava o ritmo da balada. Duas vozes se ergueram. Uma grave, porém suave. A outra, aguda e selvagem. Ambas se entrelaçaram como amantes apaixonados na noite de núpcias. Cantavam uma música sobre as estações, sobre as folhas que caem, sobre o sol que aquece, a flor que brota e a neve que derrete. Sobre a mudança, sobre a permanência. Sobre o amor e… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Uma sequência de batidas secas acertou a porta, despertando Odilon de seu sono. Ele grunhiu, erguendo-se na escuridão. Sonhara um sonho bom. Um com seu pai. Sempre gostava de ouvir seus gritos. Ao menos em sua mente podia escutá-los à vontade. Abriu a porta, franzindo os olhos para a luz do archote que o guarda segurava. — Perdão por despertá-lo, jovem senhor. Mestre Scalco pede para chamá-lo — sussurrou o homem, sem erguer os olhos para encarar Odilon. Era um homem de Jacke. Odilon… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — O interior do castelo era quente, bem iluminado e seco. Bem diferente do dia frio e sombrio que se fazia ao lado de fora. Carmen podia apenas agradecer por não estar entre os camponeses trabalhando no campo. Detestava terra em suas mãos, chuva em seus cabelos e lama em seus pés, pois amava cada uma dessas partes. E, se estiverem todas bonitas, talvez ele também as amasse. Cadê ele?, perguntou-se. Percebeu o quão angustiante era procurar alguém em um lugar em que ela não deveria estar. E o… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Os olhos se abriram ao sentir o calor se espalhar por seu rosto. Viu o feixe de luz a machucar-lhe a vista por um momento, então se mexeu preguiçosamente, erguendo o corpo aos poucos. A cama improvisada de palha rangia a cada movimento. Respirou fundo. Sua mente recém desperta montava o quebra cabeça de sua vida até aquele momento nos breves instantes que dura o primeiro piscar de olhos ao acordar, e então se lembrou de onde estava. Lembrou, aborrecida. Carmen se levantou. Os panos grossos que… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Um milhar de pingos caía lentamente pelo nublado céu outonal. Eram trazidos pelo vento frio, pela lateral da encosta do pequeno monte que a estrada contornava. Uma agradável garoa, se comparada à chuva que os impedira de continuar sua marcha no dia anterior. Do outro lado, podia-se ver pradarias e bosques sendo cobertos pelo véu fino da chuva constante, até a paisagem sumir na escuridão cinza distante. Eduardo esfregou com a mão o rosto molhado, limpando os olhos e o nariz entupido. Um gesto… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Um brilho pálido atravessava as frestas entre as folhas das árvores do bosque dos Torboun. Laranjeiras, macieiras e romãzeiras na maior parte, embora nenhuma estivesse em época de colheita. Os ancestrais da casa pareciam ter apreço por frutas, espalhando tanto dessas árvores ao redor de seu decrépito castelo. Odilon se mantinha parado como uma delas nos momentos de calmaria do vento. Sentiu uma folha cair em sua cabeça, juntando-se a outra dúzia que havia pousado lá anteriormente,… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — “Estrela, deserto, atravesse”. Era lua cheia. A segunda que Ítalo vira desde que chegou àquele mundo. Ele observava-a através do buraco aberto do teto. Logo ela continuaria sua trajetória, e ele teria de mudar de posição se quisesse continuar a vê-la. Coisa que não podia fazer. Tanto pelo ferimento no ombro, que, embora tivesse sido firmemente enfaixado, ainda o incomodava quando tentava se movimentar. Como também pelas cordas que o amarravam. Ele se perguntava onde Daisy as havia… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Tudo a sua volta havia desaparecido novamente. O mundo se tornou um clarão branco, forte demais para seus olhos. Ele estava em pé, imóvel, mas sentia o seu corpo se mover. Como se estivesse sendo puxado através daquela imensidão vazia. Sua mente ficou turva por algum tempo. E então sentiu um baque como se o seu corpo batesse contra uma parede, mas não sentiu qualquer dor. E então o mundo, antes branco, se tornou em escuridão. Tentou abrir os olhos, mas sentiu algo áspero sobre suas pálpebras.… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Tudo era tão familiar. Estava deitada em sua cama, em seu quarto, olhando para o seu teto, pensando o quão bom seria se aquilo fosse real. Quão cruel era estar consciente da realidade. Julia levantou, olhando para o mundo que podia ser visto pela janela. O céu continuava o mesmo pesadelo dourado, repleto de nuvens não mais brancas como eram antes, mas em diferentes tons de violeta, roxo e carmesim. Uma paisagem atípica, mesmo para um céu inventado. Passou algum tempo olhando para os… 285,5 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Jonas ergueu a mão até a vela, sentindo o agradável calor que o protegia contra o frio noturno. Ouvia o som das gotas de chuva caindo. Era difícil saber quando iria chover e quando não naquele lugar. O céu permanentemente nublado dava poucas previsões de tal coisa. O que tornava o tempo imprevisível. Imprevisível como cada momento parecia ser. — Caralho, eles tinham que ir logo para aquele lugar? — lamentou. — Francamente, é muito azar achar um canto bom e no mesmo dia esse lugar… 285,5 K Palavras • Ongoing