Histórias 1
Capítulos 138
Palavras 279,2 K
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por Dellos — — Coloque mais lenha, ou morreremos de frio antes que o inverno chegue — disse o pai de Odilon em seu tom imperioso. A serva se apressou para cumprir a ordem. Não estava tão frio, mas a carne do velho duque parecia se contorcer com a menor e mais breve brisa que fosse. Odilon o via se agitar enquanto era posto pelos servos no cadeirão da sala, coberto de peles e mantas grossas. As enormes pelancas pareciam prestes a cair de seus braços magros e esqueléticos cada vez que ele os erguia. A… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — A luz do sol poente iluminava os campos dourados que muito em breve seriam colhidos, de acordo com Theo. Júlia estava em frente ao poço, lavando roupas. Suas mãos estavam doloridas e enrugadas. Estranhava não ter adoecido estando tão exposta ao sol e a água quente todos os dias. Na verdade, nenhum deles havia ficado doente, exceto talvez por Theo, mas aquilo fora diferente. Na verdade, ela nem sabia ao certo o que tinha acontecido, sabia apenas o que os outros lhe falaram. Afinal estava… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Ventos frios sopravam por entre as árvores cobertas de musgo e neblina, fazendo as folhas chacoalhar e caírem. Jonas podia ouvir o coaxar dos sapos, o canto das cigarras, e mais além. Ouvia os passos das lebres, o uivo distante dos lobos de skoll, o som de um galho quando uma ave nele pousava e levantava voo. Ouvia a sinfonia que era mundo com seus inúmeros e caóticos instrumentos. E ouvia também os outros sons, mais próximos e conhecidos. — Lembrei de quando ia na casa das minhas… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Os ecos dos moribundos reverberaram pelos antigos paredões da garganta do camelo. Ossos à vista, carne rasgada de cortes feitos por lâminas cegas, grandes hematomas e nódulos negros. Duas dezenas de homens estendidos como galhos secos de um sarça. Burak sabia que a maioria não viveria para além de algumas noites. Faria melhor coisa por eles dar-lhes a honra de serem oferendas ao deserto do que deixá-los viver um dia que fosse na miséria de um aleijado. E foi o que fez. Ordenou a meia… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — “Vento”. Sempre ventava naquele lugar. Não uma brisa agradável, carregada da fragrância de perfumes sobrepostos e aromas de doces e comidas da qual fora acostumada. Sequer era o hálito quente dos esgotos abaixo das avenidas principais e ruas sujas dos bairros mais sujos a qual já pisara, ou do suor fresco de um metrô no final do dia. Não tinha cheiro de nada além de areia. As migalhas batiam contra seu rosto, alojando-se no nariz, boca e junto a suas pálpebras. Incomodava-a cada vez que… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Estava claro como o dia, mas não havia sol. Apenas um vasto céu azul sem nuvens. Vazio. Tão vazio quanto aquele lugar. A sua frente, estava uma enorme porção de água, semelhante a um mar. Mas era um rio, ela sabia, tão grande que não conseguia ver a outra margem. Podia perceber quão poderosa era a sua corrente pelo som de suas águas. Atrás de si, havia campos brancos, que se estendiam até onde a vista alcançava. Eles lhe davam uma estranha sensação de calma. Quando havia chegado ali? Não… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — — O que é esse azul, o céu? Por quê ele está embaixo? — perguntou uma voz sua, inocente e infantil, admirando um desenho estranho e curioso. Frustrou-se com a risada que recebeu como resposta. — Não, o céu está acima dele — Seu pai apontou com o dedo para o desenho. — Vê que essas cores são diferentes? Esse aqui é o céu — passou-o pela parte dita, de um cinza azulado repleto de partes brancas e então para um azul mais escuro, nunca por ela visto —, e esse aqui é o… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — O vento rosnava por entre as escarpas cortantes e irregulares no alto da imensa formação rochosa que cortava o deserto ao meio como uma monumental muralha decaída. Ítalo cobria o rosto com uma manta que usava como capa, cobrindo seu corpo da cabeça aos pés para protegê-lo do vento. Fazia uma careta de dor a cada pisada. Os sapatos haviam se rasgado de forma irremediável noites antes, deixando os pés expostos a qualquer coisa que houvesse no solo. Areia escorria por entre os dedos… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — — Jonas, venha cá — Ele ouviu uma voz rouca o chamar, e se apressou seu passo na direção em que ela se originava. Ele entrou na garagem, sentindo cheiro de cigarro permeando o ar. Muito da rouquidão na voz de seu avô era devido a eles. — Oi vô. — Você mexeu no meu rádio? — O velho perguntou. Sua carranca retorcendo as rugas da face. Ele estava debruçado sobre a mesa, mexendo no rádio. — Não, nem toco nisso. A gente tem tv hoje em dia,… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Quando criança, Ítalo assistiu a desenhos e filmes sobre guerreiros lutando, com grandes espadas mágicas, contra monstros e terríveis feiticeiros, desejando um dia ter uma espada e ser ele próprio um cavaleiro que venceria o mal. Sonhara, em seus delírios de infância, em derrotar dragões e feiticeiros, tal como aqueles heróis a quem crescera assistindo. Com a idade, a compreensão de seu mundo, e as palavras de sua madrasta, sonhos se transformaram em ilusões. Ilusões essas que o seu eu havia… 279,2 K Palavras • Ongoing