Dellos

    Histórias 1
    Capítulos 133
    Palavras 270,0 K
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    Tempo de Leitura 14 horas, 59 minutos14 hrs, 59 m
    • Capítulo 74 - A alegria de um matador.

      Capítulo 74 - A alegria de um matador. Capa
      por Dellos O vento soprou sobre o rosto de Caio, trazendo o fedor de sangue ao seu nariz. Ele sentia gotas de suor frio escorrer do seu cabelo até o queixo. A grama alta farfalhava, remexendo e debruçando-se violentamente. Era possível ouvir homens gritando de todas as direções, mas não conseguia entender o que diziam. De certo, falavam do monstro à frente de Caio, a qual surgira sem que ele percebesse. Olhos negros, pelagem carmesim, cheiro podre de carne estragada. Dois metros de…
    • Capítulo 73 - Olhos de presa. Olhos sem luz.

      Capítulo 73 - Olhos de presa. Olhos sem luz. Capa
      por Dellos Suas mãos seguraram no cabo. Tão firmes que ele pôde sentir cada farpa adentrar a carne. Eduardo apoiou os pés nas costas da criatura, sentindo a robustez do corpo do monstro - parecia uma parede de tijolos - e empurrou seu peso contra eles, puxando a haste. Quase no mesmo instante, o urso se debateu, movendo-se para todos os lados, tentando alcançar o que quer que estivesse em suas costas. Fazendo com que Eduardo quase soltasse a arma. Não aguentaria muito tempo. Ele continuou a puxar, vendo a…
    • Capítulo 70 - O que contam as histórias.

      Capítulo 70 - O que contam as histórias. Capa
      por Dellos — Sente isso? É cheiro de enxofre, tenho certeza — disse um velho que caminhava à frente. — Você nunca sentiu cheiro de enxofre — retrucou outro homem próximo, que seguia na coluna. — Você já? — inquiriu o velho. — Não. — Então como sabe que não é? O outro homem suspirou e deu-lhe alguma resposta, que levou a outra réplica, que foi respondida por uma tréplica. Assim continuou até que a discussão se esfriasse e eles falassem de outro assunto. Era sempre…
    • Capítulo 71 - A mira do caçador.

      Capítulo 71 - A mira do caçador. Capa
      por Dellos A enorme criatura avançou com uma velocidade surpreendente para o tamanho, cobrindo os metros que separavam suas enormes garras e dentes do afiado aço nas lanças e espadas da primeira vintena. Um balançar da pata carmim fez com que parte desse aço voasse, refletindo ao sol. Gritos se espalharam pela clareira, trazendo a Caio a memória do moinho. O sangue, o desespero, as mortes, tudo acontecendo novamente. Até que um grito de comando o tirou daquele momento e o trouxe de volta para a…
    • capítulo 66 - O calor da noite.

      capítulo 66 - O calor da noite. Capa
      por Dellos O vento batia forte contra a bandeira de sir Alóis, fazendo os machados coroados tremularem no alto da fortaleza. Dezenas de homens vestidos em armaduras de couro e ferro estavam enfileirados em frente ao portão, esperando pelas ordens do cavaleiro. Ele, montando um garanhão cor de vinho, trajando uma armadura de placas cor de bronze com dois machados negro e uma coroa invertida no peito, falou algumas palavras de incentivo e mandou a todos que marchassem pela vila até o portão principal.…
    • capítulo 67 - Desejo de viver.

      capítulo 67 - Desejo de viver. Capa
      por Dellos Uma vela queimava no canto do quarto, doando uma fraca luz à reunião pouco animada que se seguia. Júlia abriu a boca, com o seu corpo se enchendo de ar e então o soprando. Momentos depois, Carmen e Letícia repetiram o gesto, enquanto Theo falava, e ele parecia ser o único a querer falar. — Já estão com sono? — perguntou ele. — Querido, quem não ficaria depois de te ouvir até altas horas da madrugada — murmurou Leticia, esfregando os olhos. — Nem está tão tarde assim —…
    • Capítulo 68 - Culpe-se, não importa.

      Capítulo 68 - Culpe-se, não importa. Capa
      por Dellos Julia tocou a tatuagem, sentindo a pele lisa de Leticia. Franziu as sobrancelhas mesmo sem ter certeza do que aquilo significava. Nunca tocara em uma tatuagem antes, então não sabia se deveria senti-la ou não. — E aí, o que acha? — perguntou Leticia, que estava com a parte superior do vestido abaixada. — Parece ter mudado — Júlia falou, analisando a tatuagem nas costas da amiga. Na primeira vez que a vira, parecia dois gatos – um preto e um branco – perseguindo a cauda um do…
    • Capítulo 69 - Éris.

      Capítulo 69 - Éris. Capa
      por Dellos Uma noite nublada, fria e silenciosa se prolongava do lado de fora. Ali dentro, a sala estava quente e abafada. O cheiro das cinzas na lareira se misturava ao aroma do melgraz, já frio nas xícaras. Lamparinas e velas pendiam nas paredes, iluminando o cômodo. Carmen se remexeu em sua cadeira pela terceira vez desde que sentara, tentando ficar mais confortável. Theo, ao seu lado, não parecia menos tenso. Ele se esforçava em falar, mas sua voz saía de forma desengonçada. A razão era o homem…
    • Capítulo 1 - O mundo de ontem.Capítulo 1 - O mundo de ontem.

      Capítulo 1 - O mundo de ontem. Capa
      por Dellos O sinal tocou, encerrando a aula de geografia. O professor já havia saído da sala há alguns minutos, dando liberdade para os alunos conversarem à vontade. Júlia tentava anotar o que o professor havia escrito na lousa, antes que o de matemática chegasse. Ele tinha o hábito de apagar o que for que estivesse escrito assim que entrava na sala. Ela poderia ter copiado durante a aula, porém, havia passado a maior parte dela trocando bilhetes com Carmen. A garota sentada a sua frente, que a importunara a…
    • Capítulo 65 - O chamado do deus.

      Capítulo 65 - O chamado do deus. Capa
      por Dellos Uma voz a chamava, mandando que a seguisse, ou era isso que Júlia lembrava ao acordar, após ser sacudida por Leticia. As pessoas sentavam em silêncio, amontoadas em largos bancos de madeira, enquanto o sacerdote da aldeia, que respondia por pier Rosei, proferia um discurso. Um longo discurso. Naquele mundo não existia a tradição de um dia sabático, mas, em datas especiais, os aldeões se reuniam na catedral para ouvir os sermões do sacerdote. Era um tanto parecido com as missas a que Julia…
    Nota