Histórias 1
Capítulos 138
Palavras 279,2 K
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por Dellos — O bocejo pôde ser ouvido ecoando entre os corredores. Sons sempre pareciam se propagar mais em noites frias. Thierry olhou para a mesa em que se havia servido o jantar uma hora antes. Mesmo que já tivesse sido limpa, ainda se podia sentir o calor e o cheiro da comida no ambiente. Piscou. Não sabia se era pelo frio da noite, pelo estômago pesado pela comida, ou se pelo som do bocejo, mas sentiu seus olhos tomados pelo sono. Foi até a cozinha, onde uma jarra com melgrás aguardava para ser… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — “A bruma dança e o sol não se conhece. A noite persiste e o dia não amanhece. Talvez venha e um dia bom talvez traga. Ou algo melhor, ou talvez o nada. Nada pode ser bom se tudo for ruim. Assim dizia o velho pastor. De Vaarraiz a Mulím. Cansado estava de pregar. Ovelhas levava a algum lugar. Cansado estava de andar Ouviam sua voz sem escutar. O dia não vem! O dia não vem! Tolos que seguem o que convém. A noite chegou, a noite foi embora. Não entendem que… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — O som de um chicote estalando ressoou pelo ar, seguido do zurrar do pobre jumento. A carroça se moveu mais depressa, sendo seguida por mais meia dúzia de outras quase idênticas a ela. Rodas a ranger, animais a murmurar e homens de barriga estufada a guiar as rédeas, praguejando e reclamando em voz alta da demora dos que estavam à frente. Júlia estava debruçada sobre a amurada da casa de Thierry. Observava a cena com uma graça nos lábios, notando que essa era a coisa mais parecida com uma… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Um acorde ressoou e então veio o dedilhar das cordas. O murmúrio melódico da flauta flutuou pela noite, enquanto a marcha dos tambores ditava o ritmo da balada. Duas vozes se ergueram. Uma grave, porém suave. A outra, aguda e selvagem. Ambas se entrelaçaram como amantes apaixonados na noite de núpcias. Cantavam uma música sobre as estações, sobre as folhas que caem, sobre o sol que aquece, a flor que brota e a neve que derrete. Sobre a mudança, sobre a permanência. Sobre o amor e… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Uma sequência de batidas secas acertou a porta, despertando Odilon de seu sono. Ele grunhiu, erguendo-se na escuridão. Sonhara um sonho bom. Um com seu pai. Sempre gostava de ouvir seus gritos. Ao menos em sua mente podia escutá-los à vontade. Abriu a porta, franzindo os olhos para a luz do archote que o guarda segurava. — Perdão por despertá-lo, jovem senhor. Mestre Scalco pede para chamá-lo — sussurrou o homem, sem erguer os olhos para encarar Odilon. Era um homem de Jacke. Odilon… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — O interior do castelo era quente, bem iluminado e seco. Bem diferente do dia frio e sombrio que se fazia ao lado de fora. Carmen podia apenas agradecer por não estar entre os camponeses trabalhando no campo. Detestava terra em suas mãos, chuva em seus cabelos e lama em seus pés, pois amava cada uma dessas partes. E, se estiverem todas bonitas, talvez ele também as amasse. Cadê ele?, perguntou-se. Percebeu o quão angustiante era procurar alguém em um lugar em que ela não deveria estar. E o… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Os olhos se abriram ao sentir o calor se espalhar por seu rosto. Viu o feixe de luz a machucar-lhe a vista por um momento, então se mexeu preguiçosamente, erguendo o corpo aos poucos. A cama improvisada de palha rangia a cada movimento. Respirou fundo. Sua mente recém desperta montava o quebra cabeça de sua vida até aquele momento nos breves instantes que dura o primeiro piscar de olhos ao acordar, e então se lembrou de onde estava. Lembrou, aborrecida. Carmen se levantou. Os panos grossos que… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Um milhar de pingos caía lentamente pelo nublado céu outonal. Eram trazidos pelo vento frio, pela lateral da encosta do pequeno monte que a estrada contornava. Uma agradável garoa, se comparada à chuva que os impedira de continuar sua marcha no dia anterior. Do outro lado, podia-se ver pradarias e bosques sendo cobertos pelo véu fino da chuva constante, até a paisagem sumir na escuridão cinza distante. Eduardo esfregou com a mão o rosto molhado, limpando os olhos e o nariz entupido. Um gesto… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — Um brilho pálido atravessava as frestas entre as folhas das árvores do bosque dos Torboun. Laranjeiras, macieiras e romãzeiras na maior parte, embora nenhuma estivesse em época de colheita. Os ancestrais da casa pareciam ter apreço por frutas, espalhando tanto dessas árvores ao redor de seu decrépito castelo. Odilon se mantinha parado como uma delas nos momentos de calmaria do vento. Sentiu uma folha cair em sua cabeça, juntando-se a outra dúzia que havia pousado lá anteriormente,… 279,2 K Palavras • Ongoing

por Dellos — “Estrela, deserto, atravesse”. Era lua cheia. A segunda que Ítalo vira desde que chegou àquele mundo. Ele observava-a através do buraco aberto do teto. Logo ela continuaria sua trajetória, e ele teria de mudar de posição se quisesse continuar a vê-la. Coisa que não podia fazer. Tanto pelo ferimento no ombro, que, embora tivesse sido firmemente enfaixado, ainda o incomodava quando tentava se movimentar. Como também pelas cordas que o amarravam. Ele se perguntava onde Daisy as havia… 279,2 K Palavras • Ongoing