Histórias 1
Capítulos 44
Palavras 107,9 K
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por Eloisa S. Reis — A tempestade engoliu o Semente do Caos em um abraço violento de vento e água. As ondas se erguiam como montanhas, ameaçando engolir o navio a cada baque. O rangido constante da madeira era agora um lamento agudo, um grito de dor do casco que Nix sentia vibrar em seus próprios ossos. Ela agarrava o timão, os nós dos dedos brancos, a cada fibra de seu ser focada em manter o curso. As lições de Panacéia e Astéria sobre a resistência do navio ecoavam em sua mente, mas a realidade era um monstro… por Eloisa S. Reis — O primeiro raio de sol trespassou a escotilha do camarote de Nix, atingindo seus olhos como uma adaga. Ela gemeu, enterrando o rosto no travesseiro embebido de suor e rum. O Semente do Caos murmurava sob seus pés, uma vibração reconfortante que contrastava com o martelar infernal em suas têmporas. Fragmentos da noite anterior surgiam como relâmpagos dolorosos: o gosto amargo do rum barato, o riso rouco de Madoc, o peso de seu braço sobre seus ombros enquanto cambaleavam pelo cais... e o nome que… 
por Eloisa S. Reis — A taverna "O Porco e o Apito" era menos enfumaçada que a Espinha do Kraken, mas não menos barulhenta. Luzes bruxuleantes de lamparinas a óleo de baleia lançavam sombras dançantes nas paredes de madeira enegrecida. O cheiro predominante era de cerveja azeda, suor rançoso e uma pitada de óleo de máquina – uma combinação que, após algumas canecas, se tornava estranhamente reconfortante. Nix e Madoc se espremeram em um canto próximo ao balcão, longe dos grupos mais ruidosos de marinheiros já… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — A construção do Semente do Caos começou no dia seguinte à invocação do espírito, e Nix não queria delegar nada. Astéria e os carpinteiros experientes, com seus olhares astutos e mãos calejadas, ofereceram ajuda, mas ela recusou com uma teimosia quase infantil. Queria fazer tudo sozinha. Queria sentir a madeira sob as mãos, ajustar cada peça, testar cada encaixe, entender como tudo se conectava como se fosse uma extensão de seu próprio corpo. Era uma promessa silenciosa a si mesma, uma… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O Cais das Lágrimas acordava em um turbilhão de cheiros: peixe fresco, sal marinho e o aroma pungente de rum. Na pequena cozinha improvisada do estaleiro Aurora, o cenário não era menos caótico. Panacéia, com um sorriso matreiro, tentava convencer Nix e Vênus a experimentar um pequeno gole de uma bebida de aparência duvidosa.— Ah, qual é, meninas! É tradição aqui no Cais! — Panacéia insistia, segurando um copo que cheirava a destilado de algas. — Um pequeno gole para aquecer a alma… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O primeiro raio de sol da manhã mal se insinuava pela janela do sótão, pintando as tábuas do chão com um dourado tímido. Nix já estava acordada, sentada no futon, com os óculos que Zander lhe dera repousados no nariz. Com um toque leve, ela ativou a runa de gravação nas hastes, e o ar à sua frente tremeluziu, projetando imagens.A primeira era de Zander, seu rosto calmo e o sorriso gentil. Ele estava inclinado sobre uma bancada, concentrado em pequenos mecanismos, os dedos habilidosos… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — A taverna "O Porco e o Apito" era menos enfumaçada que a Espinha do Kraken, mas não menos barulhenta. Luzes bruxuleantes de lamparinas a óleo de baleia lançavam sombras dançantes nas paredes de madeira enegrecida. O cheiro predominante era de cerveja azeda, suor rançoso e uma pitada de óleo de máquina – uma combinação que, após algumas canecas, se tornava estranhamente reconfortante. Nix e Madoc se espremeram em um canto próximo ao balcão, longe dos grupos mais ruidosos de marinheiros… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — A luz da manhã chegou preguiçosa, como se também tivesse dançado até tarde. No convés superior, a vida despertava aos poucos, embalada por risos sonolentos e passos arrastados. Vênus fora a primeira a aparecer, descabelada e com uma caneca de chá que cheirava a limão e hortelã. Trazia o cobertor ainda enrolado nos ombros e as marcas de travesseiro vincadas na bochecha. Espreguiçou-se como um gato preguiçoso e olhou para o céu com desconfiança. — Se eu morrer hoje, que seja com outro… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O calor não vinha apenas do solo — ele se infiltrava pelas roupas, subia pelos ossos, repousava sob as pálpebras. A aldeia dos Escaldados parecia esculpida da própria terra, erguida entre colinas fumegantes e rochas vivas que exalavam vapor. As casas, se é que podiam ser chamadas assim, eram cavadas em placas de basalto e cobertas por teias de vidro vulcânico, refletindo o céu rubro do entardecer como olhos imóveis. A entrada foi silenciosa. Não havia crianças correndo, nem idosos nas portas.… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O calor era outro tipo de mar. Um que não podia ser navegado, apenas suportado. Vapores densos subiam das rochas negras ao redor, transformando o ar em algo viscoso, pesado. A cada passo, a madeira da Semente do Caos rangia como se estivesse sendo cozida por dentro. Os Escaldados os guiaram por uma trilha estreita entre colinas fumegantes. As pedras pareciam pulsar sob os pés. Havia poucas palavras — e todas ditas em uma língua gutural, que se dobrava como o estalo de lenha em brasa. Eles… 22,8 K Palavras • Ongoing