Kanhats

    Histórias 1
    Capítulos 98
    Palavras 234,0 K
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    Tempo de Leitura 12 horas, 59 minutos12 hrs, 59 m
    • Capítulo 37: Orquídea

      Capítulo 37: Orquídea Capa
      por Kanhats Maldito sonho… Toda maldita noite, ele volta. Sempre o mesmo, sempre igual. Como um disco quebrado que nunca para de girar. A sala está mergulhada em um negro absoluto — não há teto, não há chão visível, apenas vazio. No meio desse nada, ele está lá… parado. Igual a mim. Seus cabelos negros são lisos e bem arrumados, com fios que caem suavemente sobre a testa, quase como se tivessem sido penteados com cuidado cruel. Sua altura, sua compleição… tudo é idêntico. Cada traço…
    • Capítulo 36: A paz dos mortos

      Capítulo 36: A paz dos mortos Capa
      por Kanhats Fechei o diário com cuidado. O som da capa se encontrando com as páginas ecoou suavemente no silêncio do quarto. Meus dedos ainda repousavam sobre o couro envelhecido quando encarei o teto de pedra entalhada, como se buscasse respostas que não estavam ali. “…Estamos na camada -143…” Engoli em seco. A ficha finalmente caía. Eu não sabia nada sobre este mundo. Julia Silvit havia vivido mais de oitocentos anos, atravessando camadas e revelando civilizações que existiam como espelhos…
    • Capítulo 35: Fragmentos da vida de Julia Silvit

      Capítulo 35: Fragmentos da vida de Julia Silvit Capa
      por Kanhats Perspectiva de Lysanthir — Leitura do Livro de Julia Silvit Voz de Julia Silvit: "Eu nasci em um lugar onde justiça era um conceito inexistente…" Um mundo dividido em camadas. Um sistema tão antigo e cruel que sequer nos permitia sonhar com igualdade. Minha tribo era conhecida por seus cabelos negros como a noite e olhos roxos como améthystas. Vivíamos em uma região esquecida chamada Piso do Paraíso — um nome poético demais para um lugar tão próximo do abismo. As bordas da…
    • Capítulo 34: Preparação para a verdade no abismo

      Capítulo 34: Preparação para a verdade no abismo Capa
      por Kanhats O som suave das folhas balançando do lado de fora foi interrompido pelo eco dos passos dentro do salão. Duas figuras adentraram o recinto com uma presença que imediatamente silenciou qualquer cochicho entre os conselheiros. A primeira era Zeyra-Kaê. Zeyra caminhava com uma graça quase sobrenatural. Seus cabelos longos, de um branco prateado, desciam lisos como véus d’água, escorrendo até quase tocar o chão de pedra polida. A pele bronzeada, marcada com manchas ritualísticas em vermelho ao…
    • Capítulo 33: A beleza do abismo

      Capítulo 33: A beleza do abismo Capa
      por Kanhats O tal Yuri, com o rosto marcado por arranhões e os olhos ainda fervendo de raiva, se levantava devagar, como quem tentava desesperadamente resgatar a própria dignidade que tinha sido esmagada. — Estamos indo até Kura’ru. — continuou Mirassol, desviando o olhar na direção da cachoeira. — Paramos aqui só pra beber um pouco de água e… Ela parou no meio da frase. Os ombros enrijeceram. Os olhos arregalaram. — Seruus…? — murmurou, com uma mistura de surpresa e incredulidade na…
    • Capítulo 32: Tribo Marezza

      Capítulo 32: Tribo Marezza Capa
      por Kanhats — Já que vão até o Rio Marezza… — disse Seruus, com aquele tom preguiçoso e profundo que ele usava até quando falava de morte. A voz dele se arrastava como fumaça espessa, cobrindo o ar com um peso quase hipnótico. — Posso acompanhar vocês. Tô sem nada pra fazer mesmo. Marcellia bufou alto — e dessa vez não tentou esconder. O som ecoou como uma flecha batendo contra um escudo. O olhar dela passou rápido por mim e por Cedric, cortante, mas sem se fixar. Depois desviou para o…
    • Capítulo 31: A vila de Kura'ru

      Capítulo 31: A vila de Kura'ru Capa
      por Kanhats É difícil descrever como é viver aqui. As casas da vila Kura’ru não seguem o padrão que qualquer mente da superfície consideraria comum. Elas são hexagonais, esculpidas em uma madeira avermelhada, fibrosa, que parece respirar com o calor do ar. Estão dispostas em círculos perfeitos, delineando as quatro zonas da vila: norte, sul, leste e oeste — como se seguissem um padrão ancestral, um ritual silencioso. No centro de cada um desses círculos ergue-se uma única árvore colossal: a…
    • Capítulo 30: O começo no abismo

      Capítulo 30: O começo no abismo Capa
      por Kanhats A base da tropa de investigação na camada 10 era um lugar estranho. Parecia estar sempre coberto por uma névoa silenciosa e pesada, como se o ar ali carregasse a dor de todos que passaram por aquele inferno disfarçado de estrutura militar. Quando Aesyr abriu a porta de uma das alas internas, a figura que estava do outro lado mudou o ritmo do meu coração. — Giovanna, agora você terá um novo integrante na tropa de investigação. Ele será o novo líder. Ensine-o bem. — disse com seu…
    • Capítulo 29: Lysanthir Vauz

      Capítulo 29: Lysanthir Vauz Capa
      por Kanhats Perspectiva Lysanthir Vauz Desde que me entendo por gente… sempre fui chamado de talento nato.Prodígio.Essas palavras me cercaram como uma segunda pele, antes mesmo de eu entender o peso que carregavam. Nasci na Camada 2, em Vanaheim, nas províncias do Clã da Luz — especificamente, na linhagem Vauz.Não éramos da elite, mas nossa família carregava vestígios diretos da linhagem principal. Isso, por si só, já bastava para que a expectativa me esmagasse desde o berço. Desde cedo, a…
    • Capítulo 28: O preparo para o futuro

      Capítulo 28: O preparo para o futuro Capa
      por Kanhats As palavras ainda estavam suspensas no ar quando uma nova voz cortou o silêncio da sala — fria, afiada e certeira como o som de uma lâmina desembainhada. — Finalmente encontrei vocês. Nos viramos quase em sincronia. Rico Zyx estava ali. Caminhava pela entrada com passos lentos e controlados, as mãos enfiadas nos bolsos da calça, como se o tempo não o tocasse. Os olhos, geralmente tomados por uma fúria latente, estavam calmos. Seria quase reconfortante… não fosse a tensão contida…
    Nota