Jota

    Histórias 1
    Capítulos 121
    Palavras 262,5 K
    Comentários 59
    Tempo de Leitura 14 horas, 34 minutos14 hrs, 34 m
    • Capítulo 121 - Fábrica de Armas de Repetição

      Capítulo 121 - Fábrica de Armas de Repetição Capa
      por Jota O escritório de Carlos estava mergulhado em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som de páginas sendo viradas. Uma pilha de livros velhos, comprados de mercadores a peso de ouro, tomava parte da mesa. O cheiro era de papel mofado, tinta antiga. Carlos passava os dedos por páginas do livro "História dos Reis da Bretanha". Ele fechou o livro com um baque suave, a poeira subindo em um raio de luz. "A história desse mundo... é um espelho quebrado do meu", pensou, esfregando os olhos cansados.…
    • Capítulo 120 - Adaga

      Capítulo 120 - Adaga Capa
      por Jota Nzambi arrastava os pés pelo caminho de terra batida que levava ao quartel-general do exército. O cheiro da pólvora ainda impregnava suas roupas e o suor seco formava uma camada salgada na pele. Cada músculo do seu corpo protestava, latejando com a fadiga profunda de dias de marcha e vigília. Mas, paradoxalmente, sua mente voava leve, efervescente. "Não é possível que a gente fez mais três ataques sem perder ninguém... nem um." O pensamento era um mantra de incredulidade. "Feridos, sim, uns…
    • Capítulo 119 - Os Senhores do Castelo

      Capítulo 119 - Os Senhores do Castelo Capa
      por Jota O ar na sala de cirurgia da casa-grande era denso e adocicado, com o cheiro metálico do sangue se misturando ao de ervas medicinais fortes e à cera perfumada das velas. A luz do fim da tarde, filtrada por pesadas cortinas de veludo, pintava tudo com um tom âmbar e sujo. Baronesa Inês, um vulto de rendas e babados cor de vinho, inclinou-se sobre a cadeira de madeira maciça ao se inclinar, seu colar com uma gema escarlate balançou. Seus dedos finos, adornados por anéis, seguravam uma pinça de aço…
    • Capítulo 118 - Relatórios e Mapas

      Capítulo 118 - Relatórios e Mapas Capa
      por Jota Carlos fitava os documentos em sua mesa no escritório da prefeitura, mas sua atenção estava dividida. À sua frente, três figuras marcavam a evolução da jovem República: Espectro, o Comandante do Exército, vestia com certa rigidez o novo uniforme de campo, um traje verde-oliva prático que ele ainda parecia achar incômodo, ajustando o colarinho de vez em quando. Ao seu lado, Fernanda, a Ministra do Trabalho, com seu vestido longo e preto que destacava sua postura austera e profissional. E,…
    • Capítulo 117 - Homens Livres

      Capítulo 117 - Homens Livres Capa
      por Jota O primeiro estouro fez Sebastião derrubar a tenaz no chão de terra da forja. O barulho não veio da bigorna, nem de um pedaço de metal superaquecido rachando. Veio da casa-grande. Ele saiu para o pátio, a camisa de linho colada ao peito pelo calor da fornalha, os olhos arregalados. A visão era de um pesadelo invertido. A casa-grande, o símbolo imóvel de um poder que ele pensava eterno, vomitava chamas e fumaça para o céu noturno. O rugido que se seguiu, vindo da floresta, não era de fogo. Era…
    • Capítulo 116 - Esperança Parte II

      Capítulo 116 - Esperança Parte II Capa
      por Jota Vários soldados desceram a colina em sua direção. Ainda em silêncio. Seus rostos, iluminados pelas chamas distantes, eram sérios, focados, mas não cruéis. Não havia sorrisos de sadismo, apenas a expressão contida de quem completara uma tarefa difícil. Um deles, um homem mais velho com marcas de queimadura cobrindo um lado do rosto como um mapa de dor antiga. Ele parou a uma distância segura, mas não ameaçadora, seus olhos escaneando o grupo de escravos aterrorizados. Quando finalmente…
    • Capítulo 115 - Esperança Parte I

      Capítulo 115 - Esperança Parte I Capa
      por Jota O despertar de Luiza não começava com a luz, mas com o cheiro. Uma sinfonia nauseante que havia se tornado a trilha sonora de sua existência: o odor doce-azedo da cana fermentada, que impregnava até a água turva que bebiam; o mofo úmido da palha podre que servia de cama e travesseiro; o fedor pungente do balde coletivo no canto mais escuro da senzala — um tonel de madeira rachado, sempre transbordando, onde a vergonha de homens, mulheres e crianças se misturava num líquido amarelo e fétido que…
    • Capítulo 114 - Fim da Passividade

      Capítulo 114 - Fim da Passividade Capa
      por Jota O ar frio da madrugada nordestina entrava nos pulmões de Nzambi como lâminas finas. Cada inspiração doía, cada expiração saía como uma nuvem fantasma na penumbra pré-alvorecente. Ele corria, ou melhor, tentava correr — seus pés pareciam de chumbo, arrastando-se na terra batida do pátio de treinamento. O novo quartel do Exército da República, incrustado no coração do Mocambo do Tatu, era um monstro de concreto que mal conhecia a sombra. Os altos muros cinzentos, pareciam observá-lo com…
    • Capítulo 113 - Volta a Casa

      Capítulo 113 - Volta a Casa Capa
      por Jota A viagem de volta, sob um céu noturno salpicado de estrelas, foi mais silenciosa, mas eletrizada pela conversa que haviam tido. O ar noturno, mais fresco, trazia o cheiro da terra úmida, da vegetação noturna e o canto constante dos insetos. As lanternas das carroças balançavam, projetando sombras dançantes no caminho. Dentro da carroça, Tassi quebrou o silêncio, sua voz um sussurro no escuro. — Obrigada, Carlos. De verdade. Por ter confiado em mim para explicar. E por... por ter feito o…
    • Capítulo 112 - Espada

      Capítulo 112 - Espada Capa
      por Jota O ar na sala pareceu mudar assim que a porta se fechou atrás de Dom Orsini. A formalidade cerimonial deu lugar a uma tensão diferente — mais íntima, carregada de segredos e possibilidades perigosas. A luz da tarde, agora dourada e oblíqua, entrava pelas altas janelas, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar pesado. Carlos esperou alguns segundos, sua audição aguçada tentando captar qualquer som do corredor. Então, olhou para Paula. — Consegue verificar se há ouvidos…
    Nota