Jota

    Histórias 1
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    Tempo de Leitura 14 horas, 48 minutos14 hrs, 48 m
    • Capítulo 103 - Estratégia em Duas Torres Parte II

      Capítulo 103 - Estratégia em Duas Torres Parte II Capa
      por Jota O sol da manhã entrava em ângulos agudos pelas janelas do Palácio das Duas Torres, iluminando a poeira que ainda dançava no ar como se a conversa da noite anterior tivesse agitado o próprio pó dos documentos antigos. Bento Vidal estava à sua mesa, os olhos vermelhos de uma noite mal dormida, mas com uma expressão de determinação renovada. Diante dele, a carta para o Governador-Geral do Estado do Brasil— com cópia para o Conselho Ultramarino em Lisboa — aguardava apenas a tinta secar antes do…
    • Capítulo 102 - Estratégia em Duas Torres Parte I

      Capítulo 102 - Estratégia em Duas Torres Parte I Capa
      por Jota A luz do fim de tarde entrava fraca pelas pesadas cortinas de veludo do escritório, lutando para iluminar a espessa atmosfera que pesava sobre o Palácio das Duas Torres. Cada raio de sol poente carregava partículas de poeira que dançavam lentamente, como se relutantes em se mover no ar parado. O ambiente estava impregnado com o cheiro envelhecido de cera de abelha que escorria dos candelabros, misturado ao aroma úmido de papéis antigos e uma tensão nova e afiada que parecia cortar a respiração.…
    • Capítulo 101 - Imigrante

      Capítulo 101 - Imigrante Capa
      por Jota Nzambi observou a carruagem de Seu Bastos sumir na poeira da estrada, seu coração ainda pesado pelo silêncio carregado que se instalara entre eles. Respirou fundo, sentindo no ar o cheiro diferente deste lugar: terra molhada, lenha queimando e um toque doce de fruta madura que não conseguia identificar. Virou-se e se dirigiu a um dos guardas que patrulhava a entrada do quilombo, um homem robusto com um uniforme simples de linho cru, uma lança descansada no ombro. — Boa tarde — disse Nzambi, a…
    • Chapter 100 - Nzambi

      Chapter 100 - Nzambi Capa
      por Jota Tinhão, um homem magricela e nervoso, escondia-se atrás de um arbusto espesso na beira da estrada. O sol forte do meio-dia filtrado pela copa das árvores criava padrões movediços no chão de terra batida, e o ar úmido da mata carregava o cheiro doce de folhas apodrecendo e o perfume distante de flores silvestres. De sua tocaia, ele observava, com olhos ansiosos, o fluxo constante de carruagens que subiam e desciam a estrada poeirenta. O som dos cascos dos cavalos e das rodas rangindo era quase…
    • Capítulo 99 - Uma Nova República Parte II

      Capítulo 99 - Uma Nova República Parte II Capa
      por Jota O ar na sala de reuniões estava carregado, pesado como antes de uma tempestade. A poeira dançava nos raios de sol que entravam pelas janelas, iluminando as expressões tensas ao redor da grande mesa. Carlos percebeu o olhar dos chefes – Malik, Mohammed, Jabari – e sabia que as próximas palavras seriam difíceis de engolir. — E há outra questão, chefes — continuou Carlos, suas mãos pousadas sobre a mesa. — Vocês continuarão liderando seus mocambos, mas isso será temporário. Durante…
    • Capítulo 98 - Uma Nova República Parte I

      Capítulo 98 - Uma Nova República Parte I Capa
      por Jota O barracão estava em silêncio absoluto. O peso da decisão que recém-fora tomada parecia ter esgotado até o ar que respiravam. Carlos sentiu o olhar de todos os chefes sobre si – Espectro, Jabari, Mohammed, Malik – e percebeu que o momento de assumir a liderança havia chegado. Com as pernas ainda um pouco trêmulas pela emoção contida, ele ergueu-se, apoiando as mãos na mesa de madeira áspera. — Agradeço... agradeço profundamente a confiança de vocês — começou ele, sua voz saindo…
    • Capítulo 97 - Proposta de Paz

      Capítulo 97 - Proposta de Paz Capa
      por Jota O ar dentro do barracão na Serra da Vitória estava pesado, carregado não apenas com o calor úmido que se infiltrava pelas frestas das madeiras, mas com a tensão palpável da reunião mais importante de suas vidas. Todos os chefes dos mocambos estavam ali, sentados em bancos rústicos ao redor de uma mesa comprida de madeira mal aplainada. O cheiro de suor, terra e um incenso leve que a Papisa queimara para purificar o ambiente misturava-se no ar abafado. Ganga Zala, imponente em sua cadeira à…
    • Capítulo 96 - O Mapa e a Carta

      Capítulo 96 - O Mapa e a Carta Capa
      por Jota O primeiro raio de sol mal havia começado a colorir o céu quando Quixotina abriu os olhos. A cama de algodão macia ainda a convidava a ficar mais alguns minutos, mas o hábito falou mais alto. Levantou-se e dirigiu-se ao banheiro, onde a água corrente jorrou da torneira de metal com um som suave. Molhou o rosto, sentindo a frescura da água acordar seus sentidos. "Como é bom não ter que ir buscar água no poço todas as manhãs", pensou, enxugando o rosto com uma toalha de linho. "Minha vida pode…
    • Capítulo 95 - Planos

      Capítulo 95 - Planos Capa
      por Jota Carlos permaneceu na fábrica, observando as primeiras máquinas a vapor que agora ocupavam o espaço com sua presença imponente. O ar ainda carregava o cheiro do óleo de rícino queimado e do metal quente, enquanto o característico chuff-chuff-chuff preenchia o ambiente como uma respiração mecânica. Ele se aproximou de Nia, que já examinava uma das máquinas com olhos críticos, seus dedos percorrendo as superfícies metálicas como um ourives avaliando uma joia rara. — Nia, agora que temos…
    • Capítulo 94 - Fábrica de Máquinas a Vapor

      Capítulo 94 - Fábrica de Máquinas a Vapor Capa
      por Jota O sol da manhã lutava para dissipar a névoa úmida que pairou sobre o mocambo, mas nada podia apagar o ânimo que fervilhava no peito de Carlos. Vestira-se rapidamente, o corpo ainda pesado do sono, mas a mente já alerta e dominada pela imagem do conversor Bessemer. Ao adentrar a zona industrial, seus pulmões se encheram do cheiro familiar de fuligem, carvão e metal quente — um perfume áspero, mas que para ele cheirava a progresso. Ao se aproximar da grande estrutura de aço em formato de ovo,…
    Nota