Histórias 1
Capítulos 123
Palavras 266,4 K
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por Jota — Carlos saiu do barracão com um nó de sentimentos contraditórios no peito. A irritação por ter sido contrariado por Ganga Zala misturava-se a um alívio profundo e inesperado. A ideia de carregar o peso de uma sentença de morte na consciência o perturbava mais do que ele admitia. Agora, a responsabilidade por manter Nyran viva e sob controle não era mais dele, mas de Zala. Ele estava, de certa forma, livre daquela culpa. Tassi caminhava ao seu lado, seu silêncio mais eloquente que qualquer… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O calor que emanava do Boitatá cego era como o de uma fornalha. Suas escamas crepitavam, e o ar ao seu redor tremeluzia, distorcido pelo intenso calor. Ele se contorcia, direcionando o corpo incandescente para Carlos, que recuava, sem ter para onde correr. A intenção da fera era clara: carbonizá-lo ali mesmo, sem cerimônia. Mas, no exato momento em que o Boitatá se preparava para liberar uma onda de fogo concentrada, uma figura esguia e vestida de cinzas materializou-se ao seu lado. Era Espectro,… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — Uma calma estranha habitava Nyran, mais profunda do que ela mesma esperava. Era o silêncio interior de quem já aceitou seu fim, um alívio mórbido após anos de lealdades conflitantes e sobrevivência precária. O ar do pequeno posto hospital cheirava a ervas medicinais e terra, e a luz fraca de uma gema da luz projetava sombras nas paredes de concreto. Sombra estava à sua frente, seu rosto uma máscara impenetrável de serenidade. Seus olhos, porém, observavam cada microexpressão em seu… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O ar no Mocambo da Lagoa estava pesado com o cheiro de água, suor e o odor metálico do sangue. Sombra e Sussurro lutavam em sincronia, suas formas movendo-se como partes de uma mesma máquina mortal contra as Iaras que emergiam da lagoa de águas cristalinas, agora turvas pela agitação, e outros membros invasores. O som de golpes, gemidos e espadas raspando contra escamas ecoava pela clareira. Sombra, após desferir um golpe preciso com sua adaga contra uma criatura aquática, recuou alguns passos,… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O ar do fim da tarde estava começando a ficar frio. Nyran fitou Tassi, seus olhos cintilando com uma mistura de desdém e uma ponta de pena sob a luz fraca das estrelas. Sua voz, quando ecoou na clareira, era suave, mas cortante como o aço. — Sinto muito, Tassi — disse ela, e o peso daquela falsa compaixão pareceu ecoar na floresta. — Mas cedo ou tarde, o quilombo cairia. Vocês são fracos. E neste mundo, o forte sobrepuja o fraco. É a lei mais antiga e a única que importa. Ao seu lado,… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol da tarde lançava seus raios dourados sobre os campos experimentais de Tassi, criando um mosaico de esperança e frustração. Carlos caminhou por entre os canteiros, sentindo o cheiro misto de terra úmida e plantas murchas sob seus pés. Algumas áreas estavam completamente ressecadas, com galhos retorcidos apontando para o céu como dedos acusadores, enquanto outras teimavam em manter pequenos focos de verde resistente. Encontrou Tassi ajoelhada em um dos canteiros menos devastados, suas mãos… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — A manhã seguinte ao ataque trouxe um sol forte que dissipou a névoa noturna e iluminou o Mocambo do Tatu com uma luz dourada e esperançosa. Pelas ruas de concreto, os habitantes não sussurravam apreensivos, mas conversavam em vozes animadas, seus sorrisos fáceis e gestos largos contando a mesma história: pela primeira vez, eles haviam enfrentado o perigo e saíram vitoriosos, sem uma única baixa. — Você viu a Ministra? — comentava uma mulher, carregando uma cesta de roupas na cintura. — A… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O ar noturno no Mocambo do Tatu era frio e carregado do perfume distante de alguma flor notívaga. No alto de uma torre de terra solidamente construída por Tassi, Kauã fincava os pés no barro seco, sentindo a textura áspera sob suas botas. Ele levou a luneta da visão aos olhos, e o mundo à sua volta ganhou uma nova dimensão. Cada folha, cada galho, cada sombra na mata parecia vibrar com uma vida própria, enquanto seus ouvidos captavam o coro incessante de grilos e sapos. “Preciso encontrar… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol da tarde pesava sobre o quilombo. Nos últimos dias, Nyran se via enrolada em uma teia de tédio e inércia. Com o ferro rareando, as longas jornadas no conversor haviam dado lugar a horas vazias. Ela não podia voltar para o exército – seu valor, disseram-lhe, estava aqui, então se agarrava à única rotina que lhe restava: treinar até a exaustão, longe dos olhares alheios, enquanto tentava, sem sucesso, coletar informações. "Lidar com pessoas nunca foi meu forte", pensou, com um amargor… 266,4 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol da tarde insistia em derramar seu calor sobre a terra, mas Carlos permanecia confortável sob a sombra fresca do ponto de comércio. O ar carregava o cheiro misturado de poeira, suor e serragem, um testemunho do trabalho incessante que acontecia ao seu redor. Ao seu lado, imóvel e observador, estava Espectro, seus olhos atentos varrendo o horizonte como os de um falcão. A estrada que se estendia diante deles era o coração pulsante do progresso do quilombo. Conhecida como Estrada da… 266,4 K Palavras • Ongoing