Histórias 1
Capítulos 122
Palavras 265,0 K
Comentários 59
Tempo de Leitura 14 horas, 43 minutos14 hrs, 43 m

por Jota — O sol da tarde começava a ceder lugar a uma brisa suave, carregando o cheiro de terra molhada e o perfume adocicado das flores que enfeitavam o pátio da capela. Zala esperava, sentado num banco de madeira tosca, ouvindo os últimos preparativos. O som dos passos do padre Antônio ecoava no pequeno espaço, enquanto ele ajustava a toalha branca sobre a pia batismal de pedra, o barulho da água sendo vertida um som cristalino e contínuo. “Não acredito”, o pensamento veio cortante, como uma faca.… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O dia havia sido uma provação para o corpo e o espírito de Papisa Paula. Além das reuniões intermináveis, as longas caminhadas sob um sol implacável a deixavam com os ossos pesados e a pele grudenta de suor e poeira. Uma ansiedade quase infantil por um banho tomava conta dela. A promessa de água corrente era um luxo tão estranho e maravilhoso que ofuscava até a fadiga. Mal entrou no quarto, despiu-se das vestes pesadas e encharcadas, aquelas roupas de papas não foram pensadas no clima… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O fedor chegava antes mesmo do badalar dos sinos. Um cheiro acre de pus, suor e desespero impregnava o ar, pairando sobre os bairros mais pobres de Nova Lusitânia como uma maldição tangível. A varíola. Dom Mateus Orsini pressionava o lenço de linho embebido em vinagre contra o nariz — um hábito estranho que aprendera com médicos italianos —, enquanto suas botas finas de couro evitavam com cuidado as poças de água parada que encharcavam as pedras das ruas. Ele não estava ali por acaso. O… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — Carlos levava a Papisa e Francisco junto de seus guardas para conhecer seu mocambo. Tanto Paula quanto Francisco olhavam ao redor com olhos arregalados, absorvendo cada detalhe: as calçadas arborizadas, os carrinhos de mão eficientes, as lojas limpas e organizadas, as crianças saindo de um prédio escolar. — Sabe, acho essa ideia da escola pública muito interessante — comentou a Papisa, observando as crianças carregando mochilas e livros. — Na verdade, é um complemento interessante ao nosso… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O som da tosse deliberada de Francisco ecoou na sala, quebrando o clima de concentração que pairava sobre a reunião. Todos os olhos se voltaram para o comerciante, que se ajustou em sua cadeira antes de falar. — Carlos, fico feliz em anunciar que meus contatos conseguiram um fornecedor de enxofre para o Quilombo — disse ele, com um sorriso satisfeito que fazia suas bochechas arredondadas se elevarem. — Porém, saiba desde já que o custo será... considerável. Mas há uma vantagem: eles… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O barracão, construído às pressas por Tassi para abrigar a reunião com a Papisa, exalava um aroma misto de terra batida, madeira nova e o doce perfume do chocolate que escurecia em uma bandeja de prata. Gemas de luz, ativadas pelos poderes de Quixotina, cravavam as paredes de taipa, lançando uma claridade branca. No centro, uma longa mesa de jacarandá, polida até brilhar, refletia as luzes das gemas. Era ladeada por cadeiras com assentos almofadados de veludo verde-escuro. Sob a mesa, em finas… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol escaldante do meio-dia refletia nas águas tranquilas do porto, cegando o Tenente Álvaro por um instante enquanto ele desembarcava. A Cidade Sagrada de Santa Maria fervilhava à sua frente, um formigueiro humano em ritmo acelerado. O ar salgado dava lugar a um cheiro complexo de peixe fresco, madeira molhada e o suor de dezenas de carregadores. Assim que seu barco atracou, outro já se aproximava, ansioso por ocupar o espaço no cais de pedra. Os estivadores, com os músculos tensionados sob a pele… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol ainda não havia queimado a serena neblina da manhã quando Tassi adentrou a prefeitura do quilombo. O ar no interior da recém-construída prefeitura era fresco e carregado do cheiro reconfortante de capim-cidreira. Sentada à sua pesada mesa de madeira maciça, ela envolveu as mãos em torno da caneca de barro, sentindo o calor do chá penetrar sua pele enquanto dava um lento gole. A bebida, amarga e doce ao mesmo tempo, era o melhor despertar possível. Ao lado, uma fatia generosa de bolo de… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O ar na Cidade Sagrada de Áscoli, aninhada nos Apeninos, cheirava a pinheiros e santidade. Elias, entretanto, estava longe de se sentir abençoado. Ele esfregou a nuca, cansado, enquanto desembarcava de sua modesta caravela, A Donzela do Mar, no movimentado porto fluvial da cidade. "Por todos os santos, esse Francisco vai acabar com a minha pouca sanidade que ainda resta," ele resmungou mentalmente, ajustando o casaco contra a brisa fresca da montanha. "Primeiro eram o ferro, e agora... agora é isso.… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — Um silêncio pesado e úmido pairava sobre a sala de reuniões no centro do Mocambo. O ar cheirava a suor frio e medo. Espectro estava de pé, sua postura rígida quebrava a penumbra do cômodo. Diante dele, Ganga Zala e todos os chefes de quilombo ouviam, rostos carrancudos. — Hoje de manhã — sua voz era clara e cortante como uma lâmina — tivemos uma série de ataques coordenados. Um homem foi arrastado para o fundo do rio Taracatu por uma Iara, encontramos seu corpo com a ajuda de uma… 265,0 K Palavras • Ongoing