Histórias 1
Capítulos 122
Palavras 265,0 K
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por Jota — O ar na Cidade Sagrada de Santa Maria era pesado e quieto, cheirando a poeira seca e cerveja derramada. Num dos poucos bares da cidade, a luz fraca de uma lanterna a óleo lançava sombras trêmulas sobre as paredes de taipa. Dois homens ocupavam um canto afastado. Um deles, Elias, vestia um casaco de bom corte, agora empoeirado, e esgrimia com as mãos enquanto falava, sua voz um misto de raiva e desânimo. — Não acredito que paguei aquela taxa absurda para participar da frota para Portugal, para no… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O sol da manhã ainda estava fraco, mas Tassi já caminhava a bom ritmo pela calçada de concreto. O ar carregava o orvalho fresco, um contraste agradável com a poeira que sempre pairou sobre o Mocambo no passado. "Os passarinhos hoje estão especialmente animados," pensou ela, ouvindo o trinado alegre que vinha dos ipês que ela mesma ajudara a crescer. Suas sombras ainda longas desenhavam padrões dançantes no chão. Ela observou, não sem uma ponta de orgulho, um novo grupo de cavalos —… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — Carlos acordou cedo, sentindo a brisa fresca da manhã acariciar seu rosto. O sol ainda começava a pintar o céu com tons alaranjados, e o canto dos pássaros ecoava pelo mocambo. Com os lucros exorbitantes do mês anterior, não conseguia conter o sorriso que teimava em surgir em seu rosto a cada pensamento. — Hoje vou direto às obras — anunciou aos guardas, que se posicionaram ao seu lado. — A prefeitura pode esperar. Enquanto percorria a estrada principal, seus pés deslizavam sobre a… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O cheiro gostoso de feijão enchia a casa pequena. Carlinha comia devagar, ouvindo a conversa animada dos seus pais. O som da colher de pau batendo na panela ainda ecoava na cozinha. — Jorginho, é a chance perfeita! — disse Fernanda, os olhos brilhando. — A sorveteria é num cantinho bom, perto da praça. Com esse seu dom das gemas gelo e ferro, você pode inventar sabores que ninguém nunca viu! Jorginho balançava a cabeça, um sorriso largo no rosto. — É verdade, amor. Vou fazer… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — A luz do candeeiro tremulava sobre a mesa de jantar, lançando sombras dançantes sobre a superfície áspera e marcada da madeira. Cada oscilação da chama parecia o último suspiro de vitalidade naquele lugar outrora tão vivo. Fernanda deslizou os dedos, calejados pela costura que agora a sustentava, pela borda da tigela vazia de Carla. O cheiro residual da sopa de mandioca, insossa e rala, ainda pairava no ar, um fantasma da refeição que mal aquecera a barriga da menina de sete anos. Carla a… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — Na capital da Capitania de Pernambuco, dentro do imponente Palácio das Duas Torres, a atmosfera era pesada e carregada do mormaço do fim de tarde. O ar salgado da costa se infiltrava pelas janelas abertas, misturando-se ao cheiro de cera de abelha que polia os pesados móveis de jacarandá. — Por todos os santos, isso é inaceitável! — gritou o governador Bento Vidal, um homem de feições jovens marcadas pela frustração, passando uma mão impaciente por seus longos cabelos negros. À sua… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — A luz da manhã filtrada pela janela iluminava a mesa de Carlos de relatórios e cálculos riscados com força. Ele passou a manhã inteira debruçado sobre o mesmo problema: a falta crônica de mão de obra qualificada. Ensinar o povo do zero ou atrair imigrantes especializados eram soluções de longo prazo, e ele precisava de algo agora. Esfregando os olhos cansados, ele sussurrou para os papéis: — Isso não vai dar certo... Pelo menos, não com a prefeitura tentando controlar tudo com mão de… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — Um silêncio tenso pairou sobre o gramado iluminado por postes com gemas da luz, quebrado apenas pelo canto distante de uma coruja. Tassi foi a primeira a se mover. Com um passo firme do pé esquerdo, que amassou suavemente a grama úmida, ela projetou o punho à frente, o bracelete de gema verde reluzindo sob o sol. Imediatamente, as plantas ao redor dos pés de Nyran ganharam vida, crescendo num emaranhado rápido e verdejante para prender seus tornozelos. Nyran, sempre ágil, não se deixou apanhar.… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — O ar no ponto de encontro era leve, carregado do cheiro de poeira seca, suor e o dulçor distante de frutas maduras. Sob a sombra irregular de uma árvore, Carlos conversava com o comerciante Francisco e a Papisa Paula, cujas vestes imaculadas contrastavam com a terra avermelhada. — Basicamente, vou precisar de aço — explicou Carlos, seus dedos traçando linhas imaginárias na mesa de terra. — E você pode nos trazer grandes quantidades de minério de ferro, além de um pouco de manganês e… 265,0 K Palavras • Ongoing

por Jota — — Nyran? — disse Tassi, seus olhos se arregalando de surpresa genuína ao reconhecer a mulher à sua frente. Um sorriso largo e aberto, que Nyran jamais associaria àquela guerreira endurecida, iluminou seu rosto. — Não acredito! Nunca achei que fosse te ver de novo! Vamos, tenho tanta coisa para contar! A expressão calorosa e descontraída de Tassi deixou Nyran ainda mais confusa. Aquela não era a companheira estóica que ela conhecera. — Sim — respondeu Nyran, mantendo a voz contida.… 265,0 K Palavras • Ongoing