Histórias 2
Capítulos 142
Palavras 365,9 K
Comentários 197
Tempo de Leitura 20 horas, 19 minutos20 hrs, 19 m

por Nyck — A planta do WonderheartStudio oferecia um caminho, mas Nicholas não confiava em mapas. Eram apenas versões congeladas de algo que já não existia mais da mesma forma. Um retrato de um tempo em que aquelas paredes ainda tinham propósito, quando as portas ainda levavam exatamente aos lugares a que se destinavam. Porém, o estúdio estava morto há tempo suficiente para que os corredores se transformassem em labirintos imprevisíveis. Ele analisou as opções. Havia três maneiras de chegar até… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — A porta rangeu e, conforme se abriu, uma lufada de ar quente escapou de dentro. O escuro do Auditório os engoliu como uma boca esperando para se fechar. — Maravilhoso. — Nicholas entrou primeiro, iluminando o ambiente com a lanterna. — Cheiro de lugar feliz. Sam hesitou na entrada, com os ombros tensos. Não queria estar lá. De jeito nenhum. O auditório era vasto e cavernoso, e a escuridão consumia a luz fraca da lanterna. Fileiras de poltronas de veludo carmesim se estendiam até onde a… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — SALA DE ARQUIVOS Tudo exalava um cheiro sufocante de papel velho e madeira apodrecida. A umidade saturava o ar, misturando-se ao amargor da tinta desbotada e ao mofo que se acumulava nas extremidades das prateleiras. Emilly passou a mão pelo rosto e sentiu a textura áspera do suor seco na pele. Emilly puxou uma cadeira de metal para perto da mesa central e se sentou. O abafamento se agarrava a ela, tornando cada respiração densa. A iluminação precária do teto oscilava, projetando… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — Emilly foi arremessada para trás, tombando de costas. Seu corpo colidiu com outra cadeira, que caíra com um baque surdo. Os seus quadris bateram na prateleira de metal, e o mundo desabou em uma cacofonia de papel rasgado, dos quais os documentos voaram como pássaros ensanguentados. A pancada nos quadris foi como um golpe de faca que se espalhou em ondas até os joelhos. Diante da dor, Emilly engasgou, cerrando os dentes em um ranger abafado. Era uma dor aguda e viva, como se farpas de metal… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — Emilly permaneceu onde estava, o olhar dela capturado por aquela criatura deslocada no tempo. No meio do que fora um laboratório de obsessões e misérias humanas, havia um animal. Puro. Sem entender nada daquilo. Por um breve momento, seus ombros relaxaram. — O que você está fazendo aqui? — A sua voz saiu num tom mais baixo do que pretendia. Transparecia nela um calor antigo, uma ternura há muito esquecida. Deixou-se ajoelhar, com a lanterna que descia junto com o movimento. O coelho não… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — A criatura ficou imóvel por um momento que pareceu se estender além do que era tolerável, como se o tempo tivesse cedido ao seu desejo. Os olhos brancos, lisos e artificiais, permaneciam sem piscar. Ele inclinou a cabeça devagar para o lado, num movimento que não simulava reflexão. Ela estava assistindo a uma performance, uma encenação para distraí-la, ou ainda pior, para apreciar o medo com mais atenção. Os ombros estreitos dele subiram levemente antes que deslizasse um passo para o… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — 10. Emilly escorregou as costas pela parede áspera, com o frio da cerâmica quebrada incrustado em sua blusa úmida de suor. A capacidade respiratória não era um privilégio, mas um valor a ser avaliado: eram três segundos para inspirar e dois para expirar. A respiração funcionava como um relógio, apesar de cada batida do coração acelerar o tempo. Continuou avançando. O corredor afunilava, e as lâmpadas piscavam em lapsos intermitentes, lançando sombras que se contorciam e se… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — Nicholas caminhava pelo corredor com passos justos e rápidos, embora não apressados. Sob seus ombros robustos, levava o fardo inconfessável da missão, com o rosto impassível, mais como uma máscara do que como um semblante. Sam estava atrás com um passo mais inseguro. Seu caminhar já não possuía a mesma disciplina – ocasionalmente tropeçava nas irregularidades do piso, e sua respiração, cada vez mais curta, denotava tensão. O corpo todo suplicava por repouso, mas ele tinha consciência de… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — Bear se mexeu. Ou tentou. O primeiro movimento foi desajeitado, um leve balançar de corpo enquanto tentava sair do armário estreito onde se encolhera por sabe-se lá quanto tempo. O segundo foi uma catástrofe completa. Suas patas escorregaram na pilha de papéis espalhados pelo chão, e num instante, despencou para frente, aterrissando com um baque que fez algumas folhas voarem no ar. Sam deu um passo para trás. — Nossa! Você viu isso? O baque devia ter sido suficiente para deixá-lo… 302,2 K Palavras • Ongoing

por Nyck — O assoalho de madeira rangia sob as botas, mostrando que o lugar memorizava cada passo que alguém ousasse repetir ali dentro. A luz da lanterna desenhava contornos ocres sobre os móveis cobertos por poeira, e no centro do cômodo repousava a mesma boneca que dera início a tudo. Emilly respirou fundo. O cheiro de tinta velha, mofo e verniz adormecido estava suspenso no ar, como um hálito que se recusava a desaparecer. Não havia barulho, apenas o silêncio bruto, do tipo que faz os pulmões parecerem… 302,2 K Palavras • Ongoing