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Capítulos 47
Palavras 87,8 K
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por ODA — Era como entrar em uma dimensão diferente. Jiten pôs os pés no interior da sala e se sentiu mudado. Algo dentro dele ressoava com aquele ambiente, enchia-o com a percepção de familiaridade misturada a surpresa de encontrar elementos tão incomuns que um único passo pareceu muito mais poderoso do que já imaginara. Seu coração bateu mais forte. Yuwa, a senhora curandeira, já estava lá dentro e o jeito que ela o olhava era apenas um dos elementos que geravam inquietude. Ali, a forma como ela… por ODA — Era sufocante. O ar parecia contaminado. Irritava os olhos, tornava a respiração mais sofrível e causava uma ânsia de vômito que se prendia a parte mais baixa da garganta. Jiten tinha o rosto manchado pelo sangue e os olhos azuis abertos pelo medo. A vítima foi Reinn. Sua garganta aberta como uma rosa na primavera, mais rasgada do que cortada, seu sangue jorrando refletindo a luz quente da fogueira. O mais velho entre os pastores tinha uma expressão de surpresa, de súbito se vendo… por ODA — Uma chuva fina cobria a floresta. O sol estava coberto, mas a camada de nuvens que o segurava era frágil. Olhar para aquele céu fazia doer os olhos tanto quanto olhar para o de um dia ensolarado. A floresta como um todo parecia mergulhada em uma névoa quase transparente, o tipo de situação que a tornava silenciosa e apenas alimentava seu mistério. Jiten apenas podia ver por detrás de uma janela. As dores haviam aumentado naquela fase de sua recuperação, mas dentro de si sabia estar… por ODA — — Acha que eles existem mesmo? A pergunta fez Jiten erguer a cabeça, tirando-o de um transe parcial ao qual havia se deixado conduzir. Percebeu então que a pergunta não foi feita a ele e tornou a abaixar sua cabeça. Aquele que indagava era um dos pastores mais jovens entre o grupo. Um menino chamado Fukusa de cerca de doze anos, com cabelos curtos raspados, um rosto macio e redondo, com uma túnica boa demais para o trabalho no campo. Sua pergunta era dirigida ao mais velho entre… por ODA — Ficou um tempo entre o estado de sonhar e estar acordado. Tinha que escolher um dos lados. Os vagalumes dançavam em uma procissão rítmica. A trilha de luz seguia por entre as árvores, iluminando um caminho familiar. O ar era denso ali, como se estivesse dentro de uma névoa. Estava difícil enxergar, mas era possível sentir. Sentia o formigamento em seu peito. Uma corrente invisível amarrada em seu plexo solar o endireitou e puxou em direção ao espírito primordial que habitava naquela… por ODA — Havia pouca luz. O sol começava a se render ao domínio do horizonte e a penumbra já cobria os céus. A floresta se modificava durante a noite, mas aquela alteração em nada poderia estar relacionada com a natureza estranha daquilo que Jiten enxergava. A criatura que encontrara na floresta antes. Podia enxergar a escuridão se dissolvendo do corpo dela para o ar que o cercava. As espadas e os ramos retorcidos que extravasam de seu corpo dificultavam a percepção de que aquilo era vivo.… por ODA — Abriu os olhos assustado. Podia ouvi-la cantarolar uma canção. Como ainda se lembrava de sua voz? Era apenas uma memória, esparsa e difusa como uma neblina no amanhecer. Tinha certeza que era ela. Seus olhos conseguiam ver a lua brilhante no céu. Bem maior do que ele podia se lembrar. Sua luz esbranquiçada vencia a escuridão de uma noite sem estrelas. Somente a lua e nada mais. Cerrou os punhos e rastejou pela grama. Estava no chão da floresta. Qual das florestas que… por ODA — O fogo podia ser uma visão atordoante. O mestre-sacerdote Mochiaki surgiu por detrás de uma coluna temporária de fogo. Sua aparição causou arrepios e roubou exclamações de surpresa do grupo de pessoas no salão. Deveria ser um truque que ele não cansava de usar. Também, era compreensível porque não cansava de surpreender. O Dogma é inacessível aos servos. O próprio lorde se aprumou quando seu conselheiro surgiu. Enquanto o salão tentava aos poucos retomar o que estava… por ODA — Lúgubre foi o caminho até a fortaleza de Soramaru. A cidade que cercava a fortificação tinha o aspecto de deterioração infiltrado no próprio ar. Como a maresia corrói o metal, a estranha aura ali presente na própria atmosfera havia criado algum jeito para consumir parte das edificações. O próprio espírito do povo parecia corroído. Alguma coisa dentro deles havia sido quebrada. Jiten estava zonzo quando os guardas o retiraram da presença de Yuwa e ele foi levado a… por ODA — A guerra tem suas marcas Uma delas estava em Soramaru. Mesmo dez anos depois. Não era do tipo de marcas que uma pessoa pode definir de maneira específica. Ali havia uma dezena, talvez uma centena de marcas diferentes. Enquanto o tempo passa com crueldade para a maioria, muitas vezes, para alguns o tempo apenas para de passar. A vila já havia sido um local importante da economia local. Era um ponto de parada importante para viajantes. Erguida próximo a uma nascente que corria por dentro da…