Histórias 1
Capítulos 24
Palavras 46,7 K
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Tempo de Leitura 2 horas, 35 minutos2 hrs, 35 m

por Pixau — De repente, meu corpo inteiro estremeceu. Quando me dei conta, todo o local foi consumido por uma obscuridade sem precedentes. Perplexo por não poder mexer um único músculo sequer, recorri-me da insensatez de meus instintos e olhei ao redor. A de mim estendia-se um cenário desolador, um lugar mergulhado na escuridão e no vazio. Nenhuma luz, nenhum contorno visível, apenas uma obscuridade que envolvia tudo. A quietude desse lugar era mais do que a ausência de som; como se até mesmo o som do… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — 24 de dezembro, ano 774 a.R. Ao redor do Vilarejo Archi, Ástrea. Desde o primeiro respiro somos lançados à mercê de um destino que não controlamos. O brado feroz de um recém-nascido é seu primeiro protesto contra a crueldade do mundo; é ali que ele aprende a beber o ar amargo da existência. Belos ou ásperos, todos os caminhos partem do mesmo jugo, indiferentes aos nossos esforços de domá-los. Tentamos ajustar as engrenagens da vida, forjar uma ilusão de controle. Alguns buscam… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — A floresta albina estava manchada. A neve, cúmplice silenciosa, absorvia o sangue do Ratrator. Eu apenas desejava que a geada mantivesse meu jantar fresco. No auge de sua fúria, o desespero lhe concedeu força o bastante para estourar a ligação do tronco cortado. O ódio escorria pela sua baba — tão rubra que, por um instante, pensei em fazer um chouriço. Um desperdício de sangue, convenhamos. O que foi? Na fome vale tudo. Bem… quase tudo. Meus instintos se aguçaram. Cada fio de… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — 24 de dezembro, ano 774 a.R. Centro do Vilarejo Archi, Ástrea. O entardecer rubro cercou o horizonte. Os poucos postes de luzes se esforçaram para iluminar o início da penumbra que aproximava, era o momento perfeito para a abertura dos botequins. O fedor da fermentação de aguardente era como incenso para a meia dúzia dos gatos pingueiros daquela vila, mas aquela produção chula de uma aldeia medíocre afastava as crianças famintas com o seu cheiro de vinagre. Os últimos raios de sol… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — Local? Não… sei? Data? Eu sei lá. Uma chuva sórdida caía, lenta, preenchendo o ar com flocos gélidos que se acumulavam sobre a terra. Suspirei fundo tentando compreender novamente minhas atitudes, já havia virado rotina fazer coisas que eu necessitava, mas que não fazia ideia do porquê de tanta necessidade. “Pelo menos ficou legal… Neh, o da Halo ficou melhor”, analisei o formato de nossos corpos nessa nova camada macia sobre o chão. A auréola no topo de sua cabeça, deixava o… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — Escorado contra um antigo carvalho, um monge repousava. Entre seus dedos esguios, linhas rubras e pulsantes se entrelaçavam como veios vivos de uma tapeçaria invisível. Sua voz, grave e compassada, rasgou o silêncio do pequeno recanto etéreo. — Estamos seguros aqui. O capuz ocultava-lhe o semblante, mas não havia receio em ser desvelado; sua presença era como o vento — discreta, inevitável, em plena harmonia com a calma que reinava. Prosseguiu, o tom firme, quase solene. — Nós somos… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — “Aguente, Elyza! Aguente!” Minhas preces mentais eram tão inúteis quanto folhas ao vento. A cada segundo, o peso do caos ao meu redor esculpia minha mente com golpes de martelo. Eu queria desistir, fechar os olhos e finalmente repousar. Mas a morte digna que tanto busquei sempre parecia escapar de minhas mãos. — Tio… por que as nuvens estão pretas e fedidas? Tô com medo… — A voz suave e inocente da pequena menina em meus braços rompeu minha concentração. Seus olhos grandes, que… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — 24 de Dezembro, Ano 770. Ruínas do Vilarejo Archi, Ástrea. O sol brilhava intensamente, aquecendo a colina onde eu e Vie estávamos deitados. Era verão, e o calor tornava o ar ao nosso redor quase palpável. O verde das folhas e o dourado dos campos de cânhamo abaixo da colina criavam um contraste vívido com o céu azul sem nuvens. De onde estávamos, podíamos ver a aldeia ao longe. Pequenas casas de pedra e madeira se agrupavam em torno da praça central, onde os moradores se ocupavam com… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — Será que eu era apenas um erro, uma falha irreparável dentro do destino? E mesmo que eu realmente fosse, como isso seria possível? Fechei os olhos por um momento. Desta vez, era algo pessoal. — Nunca me submeti a esses fios vermelhos. Durante toda a minha vida, recusei-me a seguir seus chamados. E quando finalmente reuni coragem para desafiar o destino, sou rotulado como um erro. Com a ponta dos dedos, pressionei a membrana que separava a realidade desfocada. Concentrei ali todo o ódio… 46,7 K Palavras • Ongoing

por Pixau — O mundo… estava em silêncio. Meus olhos abriram devagar. Ainda havia fuligem no ar, como se a noite estivesse morrendo aos poucos. Estava deitado sobre o que antes talvez fosse uma estrada. A terra estava quente, endurecida pela cinza, e um gosto metálico me pesava a língua. Levantei-me com esforço. Meu corpo estava intacto, mas uma sensação incômoda percorria a pele — como se formigas caminhassem por cada centímetro, incessantes. Era como se cada fibra minha tivesse sido escavada,… 46,7 K Palavras • Ongoing