SandmanBored

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    Tempo de Leitura 1 dia, 3 horas1 d, 3 hrs
    • Capítulo 241 - Spes

      Capítulo 241 - Spes Capa
      por SandmanBored O povo da baleia parou. Olhos antes febris agora se voltavam, um a um, para a pilha de corpos. Ninguém falou ou sequer respirou alto. Apenas ouviram. Notas. Simples, espaçadas, mas definitivas como sentenças. Uma melodia que parecia antiga, mas sem lugar em memória alguma. Apesar do silêncio contemplativo, tudo vibrava — poeira, prédios, ossos. Era como se o mundo estivesse escutando também. Brayner reagiu primeiro. A coluna enrijeceu. Os dedos tremeram de leve. O monóculo rodou…
    • Capítulo 240 - Versos Carmesins

      Capítulo 240 - Versos Carmesins Capa
      por SandmanBored — Agrupar! A ordem de Ana veio antes do primeiro verbo assentar. Alex deslizou à esquerda com o calor subindo cada vez mais. Miguel quebrou o pelotão em três blocos e encaixou cada um no lugar sem desperdiçar um segundo sequer.  Os murmúrios do bibliotecário ficaram mais rápidos. Traços borrados da sua pele começaram a se iluminar e os dez livros nas correntes perderam o peso, subindo tecnicamente antes de orbitá-lo em elipses caprichosas com páginas virando como se…
    • Capítulo 238 - Entrada entre restos

      Capítulo 238 - Entrada entre restos Capa
      por SandmanBored — Podem pelo menos soltar as cordas? — Não. — A resposta de Alex veio sem floreio. Ele puxou e obrigou Duque e Carlos a acelerarem o passo. Carlos resmungou, mas não testou a sorte. Seguiu no ritmo apressado do pirata. Ana vinha atrás de braços cruzados. Os olhos não estavam nos dois prisioneiros, nem nos tripulantes que os acompanhavam, confusos o suficiente para manter silêncio, tampouco em Niala que sobrevoava alto, frustrada pela possibilidade de Collectio cair ao perceber que o…
    • Capítulo 237 - Um salto

      Capítulo 237 - Um salto Capa
      por SandmanBored — Um. Dois. Três… No fim, tudo se resumiu a um salto. Não precisava — o avião era rápido o suficiente —, mas seu corpo ainda amava decisões que o mundo chama de erro.  — Maldita baleia… O vento estalou em seu rosto com um tapa. As cordas que emergiram do nevoeiro se aproximavam um metro de cada vez. Eram menos do que antes, muito menos — cinco, não mais. A primeira cruzou diante dela com a elegância cansada de quem sobreviveu mais do que devia: fibra dura, início…
    • Capítulo 235 - A Dobra da Baleia

      Capítulo 235 - A Dobra da Baleia Capa
      por SandmanBored O escritório de Catarina nunca foi grande, mas naquela manhã parecia menor. Talvez fosse o barulho do porta-aviões rangendo ao longe; talvez fosse a pressa que não cabia nas paredes. A taverneira empurrou a janela basculante com o cotovelo, deixando entrar um vento salgado que fingiu arejar a tensão, e bateu uma moeda no tampo da mesa — duas vezes, pausa, mais uma. — Chegaron por un cabelo. — Ela não sorriu. — Mais cinco horas y estarían en la mierda. Ana encostou a lombar no armário…
    • Capítulo 244 - Neve Rosada (epílogo)

      Capítulo 244 - Neve Rosada (epílogo) Capa
      por SandmanBored — Mestre… tem alguém aqui. A voz fina vinha carregada de surpresa genuína, aquela que não se ensaia. Lina largou o feixe de lenha na neve com um baque oco e se ajoelhou imediatamente, ignorando o frio que atravessava as calças remendadas. À sua frente, quase indistinguível do chão, havia um pequeno monte de neve manchado de rosa. Ela começou a limpar com cuidado excessivo, temendo acordar o que quer que estivesse ali. A neve cedia fácil sob seus dedos enluvados, revelando primeiro um…
    • Capítulo 243 - O Brinde

      Capítulo 243 - O Brinde Capa
      por SandmanBored Amélia entrou quase caindo. O rosto estava machucado, mas o que mais chamava atenção eram as manchas que não eram dela — fuligem e restos alheios. A respiração estava ruidosa. Do chão, Ana ergueu o olhar devagar. “Eu tinha mandado aqueles idiotas barrarem todo mundo.” Suspirou. — Tá fazendo o que aqui? Amélia apoiou as mãos nos joelhos e levantou um dedo, pedindo tempo. Não conseguia puxar ar suficiente para falar. Ana esperou, paciente dentro do possível, e forçou um…
    • Capítulo 242 - É só carne

      Capítulo 242 - É só carne Capa
      por SandmanBored O sangue cascateava. A cada batida do coração por pouco não destruído, um jato quente escapava pelo buraco aberto no peito. Ana pressionou a palma sobre a ferida novamente, mas a mão só afundou mais. A pele rasgada cedeu sob os dedos, mole e quente como uma fruta passada. “Fecha… fecha, porra, FECHA!” A manifestação veio trêmula, uma camada de mana negra instável que devia se solidificar — mas se dissolvia no ar, espirrando fagulhas inúteis. O fluxo se partia, tremia, se…
    • Capítulo 236 - Porcaria de Festival

      Capítulo 236 - Porcaria de Festival Capa
      por SandmanBored Não dá pra fazer a ronda sem deixar a mão na coronha. Quem vem do chão sabe que é maluquice. Duque — que de nobre só tem o apelido e a mania de alisar o cabelo quando acha que ninguém tá olhando — discorda. Mas ele nasceu aqui em cima. Acha que Leviathan é firme só porque nunca caiu. — Tu tá ouvindo os sinos ou sou eu que tô inventando? — Tô. Dois longos, uma pausa. — Ele conta no dedo, sem graça. — Deve ser casamento… — Aham. Vamos ter que evitar a parte oeste essa…
    • Capítulo 234 - De Volta ao Caos

      Capítulo 234 - De Volta ao Caos Capa
      por SandmanBored “Quem diria que voltaria pra cá tão rápido.” Jasmim apoiou as mãos na cintura, girou o tronco e estalou as costas com um som que teria feito qualquer quiroprata chorar de desespero. Os últimos dias tinham sido duros. Chamar de “viagem” seria um elogio, estava mais para uma “tentativa de homicídio da natureza”: chuva demais, ventos demais, barulhos na mata que ela preferia fingir que não ouviu — e mesmo assim, estava ali. Inteira. De novo no litoral de São Paulo, como se o mundo…
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