Histórias 1
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Palavras 488,1 K
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por SandmanBored — — De novo! — gritou Ana. — Se funcionou uma vez, funciona duas! Estava se enganando. Sabia disso. Mas no caos de uma batalha onde a lógica já havia pulado pela borda, repetir o absurdo parecia mais sensato do que tentar reinventar. Niala não respondeu. Suava, e não com elegância. Uma perna aracnídea tremeu, outra se esticou, e com o rosto contraído em puro esforço, ela lançou o Collectio de volta ao céu. O navio gemeu, as velas se enrijeceram, e o mundo oscilou. Lá iam eles, mais uma… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — Que droga é essa…? A pergunta escapou como uma tosse involuntária — mais pensamento em voz alta do que comando. Niala, do leme, ergueu uma de suas finas sobrancelhas. — O quê? Ana não respondeu. Entendeu, no mesmo instante, que Niala não via. Se visse a massa negra ondulando ao redor dos três navios inimigos, como raízes se enroscando num cadáver, não teria perguntado. Teria gritado. Teria vomitado. Talvez atacado, se fosse um dia particularmente enérgico. Mas não uma… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — Preparem os canhões! A voz de Ana cortou o convés como uma pedra arremessada num lago de aço. Mascarados se moveram de imediato — alguns com precisão militar, outros com a graça de quem havia aprendido na prática que hesitação custa mais caro que erro. As armas pendiam das cinturas, firmes, antigas, não tão funcionais em suas mãos, mas ainda intimidantes o suficiente. O tipo de coisa que dava certo desde que o usuário estivesse mais determinado que o inimigo. No horizonte, três… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — O mar estava calmo — mais calmo do que devia. Mas Calico Jack não notou. Não por distração. Ele apenas não levava mais a realidade tão a sério. Com o peito estufado, o casaco puído de capitão balançando com o vento e o pescoço em permanente desacordo com o resto do corpo, ele observava o horizonte como quem acredita que o mundo ainda aguarda seu sinal para girar. Já tinha se acostumado com a tensão na nuca, como alguém que se adapta a uma bengala ou a uma mentira longa demais. Era só… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — O navio negro cortava os mares com a lentidão de quem sabe de sua elevada posição. No entanto, não voava, não por enquanto, pois Ana aproveitava a solidão temporária das águas turvas como se fosse um artigo de luxo. Ela não era fã de pausas do tipo, mas também não era burra. Sabia que o tempo livre entre os problemas era tão importante quanto o tempo dentro dos próprios problemas, e muitas vezes mais raro. Os mascarados, os quais ocupavam menos da metade dos cem quartos disponíveis,… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — É claro que não seria tão simples… desgraçada… desgraçada… Ana havia passado a manhã inteira resmungando. Não em voz alta, não o suficiente para chamar atenção. Mas com aquele tom meio mastigado que só alguém realmente irritado domina. Era quase como se falasse consigo mesma só para evitar a explosão — como quem joga aos poucos a água para fora com um balde antes que o navio afunde de vez. Nem as pequenas lulas voadoras — sim, lulas — conseguiram distrair sua… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — Lucia abriu os olhos. Demorou um segundo para perceber que estavam mesmo abertos. O mundo à sua volta parecia imóvel, engasgado em um silêncio que não era exatamente paz. Ela não se mexeu. Não por escolha. Apenas não conseguia. O cenário diante dela era estranho e inaceitável. Corpos caídos em posições tortas, como se tivessem sido deixados ali por engano. O chão era duro e úmido, o cheiro ainda azedo, e o ar estava denso demais para ser respirado sem esforço. Lucia só observava,… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — Se continuar nesse ritmo, nos pegam em cinco minutos… Lúcia já não tentava manifestar nada. Nem pedras, nem paredes, nem desculpas. Com um gosto amargo na boca — e não apenas da poeira no ar —, aceitou que não conseguiria pará-los daquele jeito. — Você pode lutar? — perguntou, virando-se para Sérgio com um olhar que ainda carregava um resto de esperança, talvez por reflexo. O homem respirou fundo. Ainda abaixado sobre o lombo do lobo, fechou os olhos por um segundo. Não foi… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — Não é um bom sinal. É melhor pensarmos em um desvio. Os dedos de Sérgio tocaram as marcas de pneu no chão com um pesar dramático que só ele parecia sentir. Não precisava ter feito aquilo — serviu basicamente para sujar as mãos —, mas fez mesmo assim. No fundo, sabia que, para quem visse de fora, a cena poderia parecer digna de um detetive fodão de um filme barato. Era o suficiente. — E a Eva!? — Lúcia cruzou os braços, um gesto mais automático do que indignado. Estava se… 488,1 K Palavras • Ongoing

por SandmanBored — — ¿Seguro que este muchacho está bien? O clima estava tenso. Mas Catarina, não. Seus dedos percorreram a bochecha carmesim de Alex com um toque que lembrava quem experimenta o calor de uma panela que acabou de sair do fogo — ciente do risco, mas curiosa demais para se importar. A cada encostada, Alex travava mais a mandíbula. As veias negras que serpenteavam por seu corpo reagiam como se tivessem vontade própria, pulsantes, oscilando entre luz e sombra conforme a irritação… 488,1 K Palavras • Ongoing