Histórias 2
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por Velho Hassini — A noite havia descido sobre o mar como um manto grosso, pesado e frio. O céu estava limpo, sem nuvens, revelando um campo de estrelas tão vasto que Dante teve a sensação de estar diante de um abismo invertido, como se pudesse cair para cima, puxado pelo silêncio sombrio do firmamento. O Nokia avançava devagar, rangendo nas articulações enferrujadas, cada estalo do casco como o som de ossos se movendo após muito tempo de inércia. Dante estava encostado na amurada de estibordo, os cotovelos… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — O céu tinha a cor de ferro velho quando Dante subiu ao convés. Nuvens baixas deslizavam sobre o mar como uma mortalha de fumaça, espessas e pesadas, ocultando o horizonte. O vento vinha do sul, cortante como lâminas cegas, trazendo o cheiro amargo de sal e ferrugem que se entranhava na madeira do Nokia, um cheiro que já fazia parte deles. As placas de pedra no mar estalavam e gemiam ao se chocarem umas contra as outras, como ossos velhos rangendo sob um fardo pesado. O casco do navio tremia sob… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — O cheiro de óleo de peixe era a primeira coisa que Dante sentiu ao voltar à consciência. Uma essência espessa, rústica, carregada de sal e gordura velha, misturada ao odor mais sutil de madeira encharcada e fumo barato. Ele conhecia aquele cheiro. Já o sentira antes, em outros quartos, outras camas improvisadas, depois de outras batalhas que haviam deixado o corpo tão destroçado quanto a alma. Tentou abrir os olhos, mas a luz branda de um lampião os forçou a semicerrar. As pálpebras… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — Deitado de costas, com a pistola do comandante do Glossário apontada para o meio de sua testa, Porto gargalhava como se estivesse bêbado. Mas o riso morreu em sua garganta quando sentiu a onda de choque da aterrissagem do Capitão. A vibração subiu pelo seu corpo, fez os ossos doerem. Ele virou a cabeça devagar, como quem se recusa a acreditar no que sabe que é verdade. O impacto foi um trovão que sacudiu o chão, fazendo a terra abrir pequenas fissuras ao redor do ponto onde ele aterrissou. A… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — Ele ouviu os estalos antes de ver. O navio rangeu outra vez, e o Felroz atirou-se à frente com uma explosão de músculos disformes. Dante girou o corpo instintivamente, usando o jato de ar para erguer-se do casco e saltar, evitando por um fio o tentáculo que estraçalhou a amurada onde ele estivera um segundo antes. Caiu ajoelhado, uma onda de dor subindo pela coluna. E antes que pudesse reagir, o Felroz veio outra vez. Foi então que ouviu o grito. — Capital! O rugido era de Miatamo, e… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — O Nokia rangia sob seu próprio peso. As placas metálicas que formavam o casco se contraíam devagar, como se o navio respirasse, um som úmido e profundo ecoando pelos corredores. A estrutura, embora ancorada no lodo da ilha, parecia impaciente. Vibrações sutis percorriam o chão de aço frio sob as botas dos Vanguardistas. — Ele não vai segurar muito mais tempo — disse Miatamo arrastando um dedo pela solda trincada de uma viga lateral. Havia ferrugem ali, mas por baixo, o ferro e a madeira… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — O cheiro vinha com o vento. Dante parou no alto da escarpa e inspirou devagar, olhos semicerrados. Havia algo ali. Não era o cheiro de lenha queimada nem de terra molhada, nem o mofo das cavernas subterrâneas de Truman. Era algo mais doce, denso. Como resina quente misturada com sangue novo. Ele sentiu o gosto amargo na boca. O gosto da seiva. Desceu pela encosta, um pé depois do outro, sem pressa. A vegetação se fechava ao redor, galhos retorcidos como costelas, folhas quebradiças rangendo sob… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — Dante ainda estava ali, encostado na lateral da cabana onde a mulher o havia deixado. O cheiro da fumaça entranhava suas roupas, a madeira ao redor parecia absorver o calor dos incêndios que ainda ardiam à distância. Ele ouvia vozes abafadas lá dentro, palavras sussurradas como promessas ou condenações, mas não conseguia distinguir o conteúdo. O tecido da entrada, uma trama rústica de fibras e couro curtido, foi puxado de lado com um gesto seco. A mulher surgiu outra vez, de olhos estreitos e… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — Dante retornou para o alto da cidade por um caminho que só agora parecia reconhecer. Os galhos retorcidos das árvores formavam arcos naturais, com cipós pendendo como cordas de forca, balançando ao sabor do vento úmido que vinha do leste. As casas suspensas nas copas pareciam abandonadas, janelas vazias como órbitas sem olhos. Mas ele sabia que havia olhos ali, observando-o em silêncio. O cheiro da fumaça ainda era forte. Madeira queimada, carne queimada, misturando-se com o perfume doce e… 740,9 K Palavras • Ongoing

por Velho Hassini — Dante abaixou na frente do corpo do adestrador. Ele colocou a mão nos bolsos, puxando algo de dentro, mas não conseguindo sequer uma pista de quem ele era ou porque falava em uma língua diferente. Só a habilidade dele conseguir controlar o Felroz já era de se admirar e se assustar. Se alguém conseguisse fazer isso algum dia, em plena convicção, poderia vencer qualquer batalha. Mas, a morte dele ali foi suficiente. Um homem não deveria fazer aquilo, era completamente o oposto do que Dante… 740,9 K Palavras • Ongoing