Eu me ergui dos escombros, sentindo cada músculo do meu corpo de dragão recém-descoberto vibrar com energia pura. As minhas asas refletiam o cosmos, como se carregassem o próprio firmamento, e eu podia sentir a imensidão do poder que ainda precisava dominar.

    A Sombra Verdadeira estava à minha frente, suas três cabeças emitindo um brilho roxo maligno, e sua voz ecoou pelo ambiente, carregada de fúria e desdém.

    — Acha que apenas uma pequena transformação irá livrar você da derrota? — provocou, cada palavra como uma lâmina cravando em minha mente.

    Eu não deixei barato. Olhei diretamente para ela, o olhar de um predador que acabara de encontrar seu igual.

    — Heh, você vai se arrepender dessas palavras, — comentei, a primeira provocação desde que essa batalha começou. — Cuspidinha do Vazio…

    Pude sentir a raiva dela crescer instantaneamente, e um rugido gutural atravessou o ar.

    Mas eu não estava ali para brincar. A cidade, antes um cenário de concreto e vida, era agora um coliseu de titãs.

    Cada prédio que ruiu, cada chão que tremeu, cada chama roxa que consumia tudo ao redor, era apenas o pano de fundo da nossa batalha.

    O choque foi inevitável. Sentir suas presas cravaram no meu pescoço foi como levar o golpe de um cataclismo. Fui erguido no ar, balançando, antes de ser arremessado ao chão com uma força capaz de pulverizar tudo ao meu redor. Os destroços me envolveram, esmagando-me por metros, até que uma pilha de concreto e aço me aprisionou por um instante.

    Respirei fundo. A dor latejava, mas era apenas o lembrete de que meu corpo ainda não estava totalmente sincronizado com a vastidão do meu poder. A Sombra aproveitou minha fraqueza momentânea, e o impacto me forçou a refletir rapidamente. Precisava me adaptar — rápido.

    — Isso foi como uma criança amadora, aprendendo a usar algo que nem mesmo compreende — zombou a Sombra, e eu suspirei, sem conseguir evitar um sorriso irônico.

    “Nem me fale… isso doeu bastante.”

    Olhei para o corpo recém-destravado, sentindo a resistência do meu novo eu. Nem mesmo a mordida que teria sido letal para minha forma humana causará danos permanentes, meu corpo cósmico estava se curando com eficiência assombrosa.

    A Sombra, quase em admiração, inclinou-se ligeiramente, suas garras afundando no chão.

    — Hmm~ a beleza dessas criaturas acima do divino, Dragões Cósmicos e outros… você tem uma grande genética com uma criatura tão primordial fazendo parte de você, querido. Qual será o gosto de consumi-lo? — murmurou, com aquela curiosidade maliciosa.

    E então, como se fosse natural para um ser de caos absoluto, começou a carregar um ataque devastador, energia púrpura pulsando furiosamente de sua boca.

    Senti a pressão do momento em cada fibra do meu corpo. Meu coração bateu mais rápido, meus olhos brilharam em azul intenso, era hora de reagir, de mostrar que ninguém ia brincar com meu poder sem pagar o preço.

    Eu respirei fundo, concentrando cada partícula de energia cósmica que fluía dentro de mim. A batalha estava longe de acabar, mas desta vez… eu estava pronto para contra-atacar.

    Eu podia sentir a energia púrpura da Sombra pulsando, carregando um ataque devastador prestes a me atingir. Cada fibra do meu corpo de dragão vibrava com a pressão do momento, e eu sabia que precisava reagir… rápido.

    — Uma baforada de energia, né? — murmurei, um toque de sarcasmo escapando enquanto observava minha inimiga, absorvendo cada detalhe de seus movimentos. Aprendizado em tempo real.

    Um rugido profundo escapou de minha garganta. Meus olhos brilhavam como faróis azuis, refletindo a vastidão do cosmos, enquanto a luz começava a emanar do meu peito e garganta. Uma aura de poder irrompeu de mim, ondulando pelo ar como uma força viva, desafiando as leis da física.

    A tensão entre nós dois era quase palpável, como se o mundo inteiro prendesse a respiração.

    O rugido da Sombra e o meu sopro cósmico colidiram, e a cidade ao redor tremeu com o estrondo da energia liberada.

    A mistura de roxo e azul iluminava os escombros, fazendo o concreto se partir e o céu escuro pulsar com flashes sobrenaturais. Era o caos personificado, uma dança de destruição entre dois titãs.

    Finalmente, nos lançamos. O ataque roxo avançou com fúria incontrolável, uma torrente de malícia e destruição, e o meu sopro cósmico irrompeu como um rio de luz azul, vibrando com a força de estrelas.

    O choque criou uma onda de energia que reverberou pelo campo de batalha, fazendo os prédios desmoronarem e o chão se rachar em rachaduras profundas.

    Eu podia sentir cada pulsar da energia oposta, cada tentativa de me esmagar com pura força bruta.

    Mas eu resisti. Cada vez que a energia roxa avançava, a minha luz a contenha, mantendo o equilíbrio do conflito. Cada explosão ao redor não era apenas destruição, era uma prova da minha determinação, da vontade de não ser subjugado.

    Aumentei a intensidade do meu sopro, empurrando minha própria energia para além do limite. O azul se tornou um torrente avassalador, envolvente, esmagando a onda roxa da Sombra. Senti seu corpo pesado sendo lançado para trás, a poeira levantando-se em nuvens densas, obscurecendo sua visão, deixando-a vulnerável e surpresa.

    Meu rugido ecoou pelo campo de batalha, profundo, primal, e por um instante eu pude ouvir o alerta da Sombra. Cada músculo do meu corpo vibrava de antecipação, eu estava prestes a decidir o ritmo da luta.

    Avancei cortando a poeira, minha velocidade e precisão desafiando tudo que se poderia esperar de um corpo colossal como o meu.

    Cada músculo, cada movimento, estava em perfeita sincronia com o cosmos que pulsava dentro de mim.

    Minha cauda, agora adornada com lâminas afiadas, varreu o ar e atingiu a Sombra com força brutal, lançando-a contra o último prédio de pé.

    O impacto sacudiu a estrutura, fazendo-a ranger até os alicerces. A criatura caiu no chão, cortes profundos marcando seu corpo, a energia escura escorrendo como sangue de suas feridas.

    — Finalmente… você agindo como algo superior a humanidade, querido… — murmurou a Sombra, erguendo-se lentamente, exalando cansaço e desespero, mas ainda assim tentando manter sua postura.

    Olhei para ela com frieza, reconhecendo a verdade que a batalha me ensinara. Sem aquela adversária, jamais teria atingido esse nível em tão pouco tempo.

    — Agradeço a você, ao menos… — disse, cada palavra carregada de determinação, reconhecendo a cruel lição que ela me proporcionou.

    Ela tentou um último ataque, liberando energia de sua boca, mas minhas garras afiadas a interceptaram. Cravei-as em seu pescoço, erguendo a criatura sem esforço, obrigando-a a se reerguer contra sua própria vontade. Eu era mais forte, mais intimidador, e a ferocidade dentro de mim só crescia.

    — Então aqui é meu fim — murmurou a Sombra, resignada. — Então esse era o ser pelo qual a Kyouka se apaixonou… agora vejo o porquê… — disse, fechando os olhos, incapaz de resistir.

    Sem hesitar, forcei sua boca a se abrir. Minha energia cósmica pulsava com intensidade quase insuportável, acumulando-se como um mar prestes a explodir.

    Em um golpe único e devastador, lancei minha baforada cósmica direto por sua garganta.

    O efeito foi instantâneo e aterrador. A energia corrompeu a Sombra por dentro, corroendo cada fibra de sua essência.

    Seu corpo se expandiu descontroladamente, sua cabeça se separando violentamente até que, finalmente, ela explodiu em uma colossal nuvem de energia púrpura, dissipando-se no ar como se nunca tivesse existido.

    Meu rugido de vitória ecoou pelo campo de batalha, proclamando minha supremacia como Guardião. O silêncio caiu, pesado, enquanto a nuvem púrpura desaparecia completamente. A Sombra estava morta.

    Respirei fundo, ainda em minha forma de Dragão Cósmico, sentindo o poder primordial vibrar em cada parte de mim.

    Eu estava triunfante. Sobre os restos da batalha, fiquei ali, uma força que esmagará um ser feito de pura malícia e escuridão, lembrando a todos, e a mim mesmo, do que significava ser o. Equilíbrio da Existência.

    Meu rugido ecoou pelo mundo, um som que proclamava minha ascensão como o único de pé naquela batalha insana.

    Cada fibra do meu corpo gritava, cada batida do meu coração era uma afronta silenciosa àqueles que acreditavam estar acima de mim. Eu era o Guardião Negro, e ali permanecia, triunfante.

    Minhas garras tocaram o chão com força, e meu corpo cansado finalmente começou a se regenerar.

    As asas se recomporem lentamente, o cosmos reluzindo em cada movimento, minhas escamas voltando a brilhar como um céu noturno salpicado de estrelas.

    Por um instante, senti a magnitude do poder que corria em mim, como se o próprio universo estivesse me abençoando.

    Minha visão ficou embaçada, o horizonte se abrindo diante de mim. As nuvens se afastaram e a energia do Vazio desaparecia, como se dissesse que a tempestade havia passado.

    E então eu vi o Sol no ponto do horizonte, tingindo o mundo de um alaranjado suave, sereno… parecia sussurrar que o trabalho estava feito.

    O peso da batalha finalmente me alcançou. Caí de joelhos, o corpo cedendo à exaustão, cada músculo ardendo, cada respiração pesada.

    Com um estrondo que reverberou pelo campo de batalha, deixei-me descansar, mesmo que por apenas um breve momento.

    Eu, Renier… o Guardião Negro, sobrevivi. Eu pude cumprir minha promessa Yggdrasil… você viu mãe?

    Continua…

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