[Oeste das Terras Centrais]

    O trio dava passos regulares em direção à floresta lá na frente. A mulher na dianteira, esbanjando um largo sorriso, carregava um grande e pesado fardo nas costas, mas não apresentava nenhum sinal de cansaço, mesmo depois de uma caminhada de três dias e três noites.

    Atrás dela um homem já não se aguentava de tanto calor e cansaço, em seu rosto deslizavam cascatas de suor, que sinalizava o quanto ele não suportava aquele calor e o quanto ele estava cansado de levar aquele fardo que tinha nas costas depois de tantos dias. Suas pernas até tremiam de tão doloridas que estavam e seus ombros reclamavam a cada passo dado.

    Em total contraste com o homem, uma garotinha andava ao seu lado, seus lábios curvados para formar um grande sorriso, assim como a mulher na frente. Ela tinha suor molhando o seu rosto, mas nem as suas pernas, nem os ombros apresentavam sinais de cansaço.

    — Finalmente, chegamos — disse a mulher, diante da trilha que levava ao interior daquela floresta.

    — Será. Que. Podemos. Fazer. Uma. Pausa? — O homem sugeriu ao levantar o indicador, suas costas arqueadas, a mão esquerda apoiada nos trêmulos joelhos e os pulmões ardiam tanto que o forçavam a ofegar a cada palavra.

    — A gente descansa lá dentro, pai. — A garotinha respondeu, seus olhos brilhavam apreciando cada canto daquele lugar, seu coração pulsava inquieto e seu sorriso se alargava cada vez mais.

    — Ouviu a pequena, Glamich — assim como a menor, Lavina não mostrava sinais de sequer cogitar aceitar a sugestão/pedido do esposo. —, tem muito lugar para descansar lá dentro. Sabia que dizem que a floresta é mágica, Vaiola?

    — Uaau, é mesmo?! — Os olhinhos dela brilharam com mais intensidade, ficando inquietos, buscando alguma coisa mágica naquela imensidão verde.

    — Foi o que ouvi, mas nunca confirmei. — Lavina relatou, seus olhos analisando a floresta aparentemente normal. — Vamos descobrir isso hoje, todos juntos.

    — AÊÊÊ…!! — As mãos da menor foram ao alto em comemoração e a ansiedade já pulsava em suas veias. Ela já queria explorar aquele lugar dito ser mágico.

    — Ebáaaa! — Glamich fingiu animação e mal levantou o punho direito, enquanto lutava para regular a respiração. Logo pegou um cantil da cintura e despejou a água lá dentro na sua garganta seca.

    — Então, prontos?


    [Duas semanas antes]

    Vaiola já tinha esquecido o que lhe fora dito pelos dois Hyems naquela tarde e dançava com animação, balançando seus braços enquanto levantava os joelhos e dava alguns pulinhos de alegria, girando no ar.

    Era impossível não notar a empolgação presente naquele largo sorriso e naquele intenso brilho irradiando daqueles olhos fixos no seu ombro direito, na cicatriz que marcava a pele naquela região.

    Glamich, que a acompanhava por trás, mesmo estando ainda preocupado depois de escutar as palavras dos dois Hyems, não pôde deixar de sorrir, contagiado pela animação da filha. Logo, ele já tinha esquecido os Hyems.

    Depois de alguma caminhada, Vaiola levantou a mão até a maçaneta da porta da sua casa e pensou em abrir, mas desistiu e retraiu a mão no mesmo momento.

    — Hmm… — A cabeça dela tombou para o lado e os braços cruzaram-se, seus olhos fixos num ponto indeterminado na porta. O sorriso sumiu quando ela mordeu o lábio superior e agitou a mandíbula inferior para os lados.

    Glamich parou os passos e sorriu, depois de cruzar os braços. Era engraçado e fofo aquilo que sua filha fazia sempre que mergulhava em seus pensamentos.

    — Ah!

    O sorriso retornou a face da Vaiola segundos depois e ela levou as mãos à cabeça e desfez o nó da fita vermelha que amarrava os seus cabelos, permitindo que a cascata azul caísse sobre as suas costas e ombros.

    Ela só voltou a levantar a mão até a maçaneta depois de confirmar que os cabelos cobriam perfeitamente a cicatriz.

    Kriiunk…

    As dobradiças rangeram quando a porta foi aberta, alertando quem estivesse no interior.

    — Estamos de volta!! — A criança gritou, ciente de que a sua mãe já devia estar de volta naquela hora, afinal o céu começava a ganhar tons roxos. — Mamãe!?

    Ela soltou a porta, que só não causou um estrondo por ter sido segurada pelo pai, e avançou correndo para o interior da casa.

    Ela passou pela pequena sala, desviando da mesa de madeira maior que ela ali no centro, das três cadeiras ao redor da mesa e passou direto pelas cinco talhas de barro escoradas na parede à direita dela, até que alcançou a abertura na parede que a levava ao próximo cômodo: a cozinha.

    Cot! Cot! Cot…

    — Mamãe!! — gritou animada, depois que escutou o som de uma faca batendo contra uma tábua de corte e bastou dar a curva e entrar na cozinha para ela ver a mãe de costas para ela, cortando alguma coisa no balcão. — Huh? — A intuição da garotinha gritou no mesmo instante: “Perigo!!!!” e ela escutou um quase inaudível som similar a um assobio, como se algo rasgasse o vento em alta velocidade. — Hã?!! — Sua mão se levantou instintivamente e parou aberta diante do seu rosto, um milésimo de segundo antes de algo se chocar contra a sua palma, causando alguma dor no seu pulso e a forçando a dar um passo para trás.

    Na mesma hora, um cheiro desconfortável invadiu as suas narinas.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota