Índice de Capítulo

    Abel pegou o livro escrito por Hoover. Era um relato da jornada que ele percorreu até se tornar o comandante-chefe dos cavaleiros. Como apenas poucos podiam alcançar o auge, era necessário muito direcionamento ao longo do caminho.

    Para que um comandante de cavaleiros se tornasse um comandante-chefe, havia inúmeros obstáculos a superar. Primeiro, Abel precisava aprender a combinar seu qi de combate com um tipo específico de energia. Mais precisamente, ao fundir seus ataques físicos com um determinado elemento, seus golpes comuns se tornariam muito mais poderosos do que antes.

    Mas isso era bem mais difícil do que parecia. Embora os cavaleiros pudessem aprender essas técnicas através dos pergaminhos que encontravam, nunca descobriram como controlar sua própria mana para executá-las.

    Sim, um comandante-chefe precisava aprender a usar sua própria mana. Ao longo da história, muitos cavaleiros chegaram a extremos insanos para tentar isso. Uma das soluções encontradas foi, com a ajuda de magos, mergulhar em áreas altamente concentradas de mana.

    Era uma atitude suicida, claro. Equivalente a expor o corpo inteiro a um gás venenoso. Muitos morreram tentando, mas alguns conseguiram adquirir a habilidade de controlar uma quantidade ínfima de mana.

    Mesmo assim, os que sobreviveram tiveram de conviver com consequências negativas pelo resto da vida. Perder a força física era o menor dos problemas. Quando o corpo era corroído pela mana, os danos podiam ser irreversíveis, prejudiciais, crônicos e capazes de causar todo tipo de problema permanente.

    Uma vez que um comandante aprendesse a controlar sua mana (milagrosamente), as coisas começavam a ficar mais fáceis. Ele precisava aprender a combinar seu qi de combate com as técnicas de cavaleiro. Isso obviamente exigia tempo, mas para alguém como Abel, um verdadeiro gênio, isso não era motivo de preocupação.

    Folheando algumas páginas, Abel percebeu que já estava um passo à frente. Não precisava reaprender a controlar sua mana. No momento, seu maior desafio era fundir seu qi de combate com as técnicas de cavaleiro.

    O elemento que ele escolheu foi o “poder da dimensão”. Um elemento absurdamente poderoso, sem dúvida. O problema era que ele não conseguia ativá-lo com suas técnicas de cavaleiro. E como só conseguia liberar esse poder com um golpe rápido, não conseguia avaliar corretamente seu nível atual.

    Então, qual era seu “verdadeiro” nível? Tecnicamente, ele era um comandante de cavaleiros, mas estava muito acima disso. Contra qualquer outro comandante, poderia facilmente dominá-los com seus fios de qi de combate dourado-escuro. Mesmo sem o qi de combate, sua força e agilidade no nível máximo bastavam para lidar com a maioria deles.

    Se quisesse realmente saber qual era seu nível atual, precisaria enfrentar um comandante-chefe. Nunca havia feito isso, na verdade. Nem sabia muito sobre os comandantes-chefes. Não havia muitos no Continente Sagrado. Na verdade, além da técnica de investida descrita por Hoover (e ainda assim, não era a versão completa), quase não existiam registros ou conhecimentos transmitidos.

    Abel era diferente. Estava aprendendo tanto no Continente Sagrado quanto no mundo sombrio. Podia ser promovido a comandante-chefe a qualquer momento, e o melhor, sem sacrificar sua saúde para isso. Era uma pena que Hoover não pudesse lhe ensinar muito mais.

    Mesmo assim, ele escolheu o poder dimensional como seu elemento base. Embora essa escolha tornasse seu treinamento muito mais difícil, ele não se arrependia nem um pouco. Ninguém era capaz de se defender contra o poder dimensional. Isso ficou claro em sua luta contra Cliff; apesar de precisar preparar seu ataque único com antecedência, uma vez pronto, literalmente nada podia impedi-lo.

    Nos dias seguintes, Abel passou a visitar o primeiro andar da prisão durante o dia e voltava ao Acampamento dos Ladinos à noite para suas sessões de meditação. Quando ficou satisfeito com o progresso que estava fazendo, retornou para seu quarto na Cidade Liante.

    Estava de volta ao seu quarto. Assim que desativou o círculo de reclusão, viu que Bartoli já havia preparado o café da manhã. Era uma refeição bem simples, um pouco de pão branco, mel e algumas frutas.

    Bartoli falou com um tom de desculpas:

    “Bom dia, Mestre! Ah… me desculpe. Foi tudo o que consegui comprar com minhas gemas mágicas. Os melhores ingredientes só podem ser adquiridos com pontos…”

    “Não, não, está ótimo! Isso está maravilhoso!” Abel sorriu enquanto começava a comer. “Você pode ferver um pouco de água pra mim?”

    “Sim Mestre!”

    Bartoli saiu para buscar água no poço. Quando voltou, colocou um balde cheio sobre a mesa. Então, com um leve movimento do pulso, uma borboleta feita de chamas surgiu em sua mão. Ela voou, pousou sobre o balde e, imediatamente, a água começou a ferver.

    Abel observava com prazer. Aquilo foi uma invenção sua, mas Bartoli executava muito melhor do que ele. Ao contrário dele, ela conseguia manipular o elemento fogo sem precisar ativar nenhum feitiço. Isso exigia um controle muito maior, e o resultado era uma chama de natureza completamente diferente.

    “A água está pronta, Mestre,” disse Bartoli após fazer a borboleta desaparecer.

    Abel retirou uma garrafa de cristal de seu bracelete dimensional. Dentro dela estava o “caldo de coelho uivante azul super concentrado” que ele usava para dar sabor à sua poção nutritiva. Era uma receita secreta. Mesmo que contasse aos outros como prepará-la, ninguém teria habilidade suficiente para replicar o que ele fazia.

    Ele deu um nome especial ao caldo que fazia: essência de coelho. Ao pingar apenas uma gota no balde com água fervente, um aroma forte e delicioso se espalhou rapidamente pelo cômodo. Cheirava quase como um coelho assado inteiro.

    “Tome um pouco, Bartoli,” disse Abel, servindo a sopa em uma tigela de madeira.

    “Obrigada, Mestre,” agradeceu Bartoli. Ela não tinha muita fé nos métodos de cozinha pouco convencionais de seu mestre, mas admitia que o cheiro era tentador.

    Após um gole suave, seus olhos brilharam. Ela já havia comido coelho uivante azul antes, e essa solução, fosse lá o que fosse, tinha um sabor quase idêntico. Na verdade, ao contrário da carne que provara antes, havia algo nessa “sopa” que a fazia querer continuar bebendo.

    Sim, ela podia sentir que estava ficando viciada. Se Abel não tivesse um controle tão firme sobre a mente e o espírito, já teria advertido Bartoli muito antes.

    Bartoli apontou para a garrafa de cristal que Abel segurava. Ela havia tomado apenas uma gota. Uma gota. E havia tantas outras naquela garrafa…

    “Mestre, o que é isso…” Bartoli não conseguiu conter o sorriso de pura satisfação.

    Abel respondeu com um sorriso:

    “Essência de coelho, Bartoli. Extraí as partes mais ricas de um coelho uivante azul para fazer isso.”

    “Dá pra usar em outras comidas?” Bartoli perguntou.

    “Claro. Experimente com o que quiser. Ainda não fiz muitos testes, mas se você quiser…”

    Abel então entregou a garrafa inteira para Bartoli. Não se importava em dar aquilo a ela. Afinal, nem era tão difícil de fazer. Se quisesse, poderia produzir um tonel daquilo a qualquer momento.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (5 votos)

    Nota