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    “Pelo que você está dizendo, uma pessoa veio aqui para comprar a comida com seus pontos”, disse Abel.

    “Sim, mestre.”

    “E ela fez isso porque o cheiro estava tão bom que perdeu o interesse por qualquer outro alimento.”

    “Sim, mestre. Não sei se você sente o mesmo ao comer, mas aparentemente, cada mordida é extremamente viciante.”

    A princípio, Abel não prestou muita atenção em como Alberta interagia com Bartoli. Mas, ao ouvir o que dizia, algo começou a fazer sentido em sua mente.

    Abel balançou a cabeça: “Nuh-uh. Eu só acho que a comida está deliciosa.”

    Bartoli inclinou a cabeça: “Seu poder de Vontade é superior ao da maioria das pessoas, mestre. Além disso, parece haver uma força misteriosa e poderosa residindo em sua alma. Por isso você não foi afetado.”

    Bartoli tinha razão em suspeitar que havia algo de especial na comida. A verdade é que, sempre que Abel tentava fazer algo para comer ou beber com seu Cubo Horádrico, surgiam resultados inesperados.

    Por exemplo, o vinho tinto que ele fundiu. O Mago Morton descobriu que ele podia aumentar a velocidade de evolução de um mago. Havia também o rum que ele fez (ou seja, o vinho mestre). Não era para funcionar como um item mágico, mas era eficaz contra climas frios.

    Com todos esses exemplos anteriores, Abel não deveria esperar que a essência de coelho fosse algo comum. Ele não percebeu efeito algum no início, mas agora sim.

    “Bartoli”, instruíu Abel, “vá até a guilda dos ferreiros por mim. Use o círculo de contato que eles têm lá. Quero que ligue para Bernie e peça para enviar alguns cães em gaiolas separadas.”

    “Para quê, mestre?” perguntou Bartoli.

    “É para um pequeno projeto de pesquisa.”

    Na tarde daquele mesmo dia, vários cães em gaiolas foram teleportados para Abel. Por mais estranho que parecesse, nenhum dos escoltas fez perguntas. Todos já conheciam a excentricidade do Grão-Mestre Abel e estavam comprometidos em fazer o melhor trabalho possível.

    Depois de receber os dez lotes de cães, Abel abriu imediatamente seu círculo de barreira e entrou no mundo das trevas. Durante os dez dias seguintes, enquanto estava lá dentro, ele registrou o comportamento dos cães após alimentá-los com carne regada com a essência de coelho. Havia um grupo placebo e um grupo experimental. Depois de alimentar cada grupo com carnes diferentes, começou a anotar as mudanças no comportamento deles.

    Quando terminou, voltou para casa e contou a Bartoli os resultados.

    “A essência de coelho não contém nenhum tipo de toxina prejudicial ao consumo. Dito isso, é um agente extremamente viciante, muito difícil de resistir ao primeiro contato.”

    Abel continuou seu relatório: “Uma vez consumida, a vontade criada pelo cheiro normalmente desaparece em dois dias. No entanto, em casos de exposição prolongada ao aroma, como testei, a vontade se fortalece. Pode durar até três dias ou mais.”

    “Para humanos de qualquer classe, consumir a essência de coelho faria perder todo interesse por qualquer outro alimento. Embora o efeito desapareça em três dias, ainda haverá desejo pela comida durante esse período. Acredito que o desejo possa durar pelo menos dez dias.”

    Bartoli imediatamente teve uma ideia: “Que tal lucrarmos com isso, mestre? Precisamos de alguns pontos agora, então… que tal abrirmos um restaurante ou algo do tipo?”

    “Uhh…”

    Era uma boa ideia para Abel, embora um tanto inusitada. Ele era um ferreiro conhecido. Se quisesse, poderia viver na cidade Liante apenas com seu trabalho de ferreiro. Se decidisse abrir um restaurante, ninguém esperaria por isso.

    Após pensar um pouco, Abel disse: “É uma excelente ideia.”

    Ele ainda lembrava das três missões “especialmente atribuídas” a ele. Agora, com a opção de abrir seu próprio negócio, poderia simplesmente recusar trabalhar para alguém desconhecido. Além disso, abrir um restaurante seria muito mais fácil se Bartoli pudesse cuidar da maior parte do trabalho.

    Quanto mais pensava, mais viável a ideia de Bartoli parecia. Ele conseguia imaginar: quando o restaurante lucrasse o suficiente, poderia bancar uma torre mágica de seis andares, um grande círculo defensivo e um círculo de teletransporte. Teria tudo que quisesse naquela cidade.

    Bartoli já pensava nos detalhes: “Seria fácil contratar atendentes, mas não podemos deixar a receita vazar. Na verdade, nem devemos chamar quem cozinha de ‘chefs’. Devemos tratá-los como uma profissão completamente nova.”

    “Verdade”, Abel concordou. “Eu deixaria você na cozinha para lidar com a essência de coelho, mas isso geraria muita suspeita. Além disso, você precisa praticar.”

    Apesar de ser assistente de Abel em muitas coisas, Bartoli era uma maga intermediária. Ela tinha suas prioridades, principalmente desenvolver suas habilidades como maga. Na verdade, como Abel queria que Bartoli fosse uma grande ajudante, era a decisão certa não sobrecarregá-la com tarefas básicas.

    Bartoli sorriu, apreciando a compreensão de Abel:

    “Talvez possamos deixar isso para alguma criatura invocadas, mestre. Se alguma tiver inteligência suficientemente alta, pode até aprender a cozinhar.”

    “Hmm. É possível. Vamos ver… como precisa ser uma invocação humanoide, só posso deixar o cavaleiro guardião espiritual tentar. Você será a instrutora.”

    E foi exatamente isso que fizeram. Na manhã seguinte, Bartoli levou o capitão guardião espiritual para a cozinha para ensiná-lo a cozinhar. Enquanto isso, Abel convocou o corvo morto-vivo e começou a treinar sua habilidade de “charge”.

    “Isso é fantástico, mestre!” Bartoli relatou ao meio-dia. “A inteligência que ele possui! Quando comete um erro, nunca repete!”

    Ao mesmo tempo, a Maga Alberta estava em sua casa, esfregando cuidadosamente o ovo cozido que havia guardado com as mãos. Sim, ela tinha guardado o ovo o dia inteiro para não comê-lo rápido demais. Até contava o número de pequenas colheradas que poderia fazer antes de terminar.

    O Comandante-Chefe Lange estava sentado ao lado dela, devorando várias comidas diferentes, mas todas pareciam sem gosto. A essa altura, já havia desistido de pedir a Alberta para compartilhar.

    “Está ficando difícil me controlar aqui. Você disse que eu poderia pedir amanhã, mas é tempo demais!” reclamou Lange.

    “Sim, e se quiser ir, vá sozinho. Sabe, eu estava bem desesperada naquela época. O sujeito tinha uma maga intermediária como governanta. Não quero arriscar ofendê-los de novo”, respondeu Alberta.

    “Sobre isso”, os olhos de Lange começaram a brilhar, “você tem razão. Quem quer que seja o dono, deve ser muito, muito poderoso, a ponto de nada que possamos oferecer impressioná-lo.”

    “Mesmo assim, não significa que não podemos tentar estudá-lo. Ele é uma pessoa viva, não é? Deve ter alguma fraqueza, algum desejo pelo qual trocaria qualquer coisa. Se descobrirmos, ele não poderá nos recusar, tenho certeza disso!”

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