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    Antes de prosseguir, Rubi olha para a ponta do galho, onde estão suas coisas, penduradas entre as folhas. “Posso fazer esse exercício com a minha camisa?”, ela pede. “Seria bom eu já me acostumar a voar com as asas passando por debaixo dela, não concorda?”

    “Como achar melhor”, Byron responde, diligente e calmo. “Quando estiver pronta, apenas se levante.”

    Yrah, observa tudo, sentada na base do galho, quieta como alguém assistindo a uma peça. Eu quero ver isso, pensa a raposa, interessada. Demônios são estranhos. Ainda não entendi o que querem aqui, mas já vi que eles têm todo o tipo de truques guardados.

    Rubi pega a camisa branca e a veste rapidamente. Como de costume, enfia a bainha por dentro da saia, ajustando-a ao corpo. Mas, desta vez, deixa um pedaço na parte das costas um pouco mais solto, com folga suficiente para que tanto as asas quanto a cauda escapem naturalmente.

    Ficou perfeito, pensa a diaba, movendo as asas e a cauda, sem sentir a mobilidade reduzida. É uma boa vantagem ter as asas nesse lugar. 

    Assim que se apronta, Rubi se levanta. “Estou preparada. Como exatamente vai funcionar isso mesmo?”, pergunta, olhando para Byron, atrás. 

    O demônio também faz o mesmo, erguendo-se sobre o galho. “Apesar de rápido, este exercício demanda atenção e foco.”

    “Certo”, confirma a diaba. “Por onde começo?”

    “O primeiro passo você já fez, demonstrando que já consegue controlar suas asas por vontade própria. Agora o próximo passo precisa que você dobre as asas e olhe para frente em linha reta.”

    Ela se volta para frente, encarando a imensidão da floresta que se estende até onde a vista alcança. As asas se dobram, até ficarem com as membranas completamente recolhidas. 

    “Assim?”, Rubi pergunta.

    “Exato”, Byron confirma. “Agora respire fundo e fique atenta aos seus sentidos…” 

    Parece algo fácil. Será que vamos fazer algum tipo de yoga ou meditação?, Rubi se pergunta, curiosa, inspirando com calma.

    “Quando achar que deve, abra as asas sem pensar duas vezes”, 

    Rubi curva a sobrancelha. “Não entendi”, ela comenta, estranhando a falta de especificações do comando. “Soou um pouco vago. Tem como ser um pouco mais dire…”

    Antes de ela completar a frase, Byron, de súbito, a empurra, lançando as duas mãos no meio das costas dela. 

    Rubi, sentindo como se duas paredes sólidas a pressionassem, tomba para frente, sem nenhum equilíbrio. O quê?!, pergunta-se a diaba, pega de surpresa.

    Yrah se levanta, os olhos arregalados e os pelos eriçados de susto. “Ein?”, ela exclama, vendo a succubus cair do galho.

    Mais abaixo, Rubi se vê em queda livre, sem base sob os pés, a mais de uma dezena de metros do chão. Eu tenho que…, ela pensa, fecha os olhos e, num reflexo quase instintivo, o par de asas se desdobra completamente, esticando-se como uma lona.

    De um segundo para o outro, a velocidade da queda diminui drasticamente, a descida tornando-se suave, lembrando a de alguém amparado por um paraquedas, porém com o movimento misticamente mais suave.

    Quando Rubi volta a abrir os olhos, está praticamente parada no ar, descendo mais devagar que uma folha ao vento. Eu… estou… flutuando?, ela se pergunta, encarando o chão de frente, quase sem acreditar, com as pernas, os braços e a cauda pendurados. É como se alguma força me segurasse no ar.

    A succubus olha para os lados, checando seu par de asas vermelho e roxo, esticadas e firmes. Deu certo! Elas funcionam!, ela constata, segura.

    A diaba, aliviada, olha para cima e vê a raposa e o diabo a observando do galho no alto. 

    Yrah está boquiaberta, em choque ao vê-la pairando alguns metros abaixo. Ao mesmo tempo que Byron exibe uma feição de tremenda satisfação, como a de uma vitória recém-adquirida.

    O sorriso no rosto do diabo faz Rubi soltar um curto riso. É, até que deu certo, mas não precisava ter me dado um susto desses, ela pensa, alegre. 

    Rubi volta a olhar para as asas que a mantêm suspensa. Isso é bem melhor do que o que eu pensei. Elas, abertas assim, parecem um freio no ar, ela analisa, com a confiança aumentando. E se eu…

    Ela cruza os pés, move as pernas para frente e consegue ajustar a cintura para trás. Sem dificuldades, a diaba assume uma postura firme e ereta, com a graça de uma acrobata. 

    Certo, tenho destreza o bastante pra me manobrar sem problemas, Rubi constata, encarando o par membranoso, reflexiva. Que tal se…

    Ela bate as asas uma vez, remando o ar para baixo e naturalmente ganha altura, antes de abrir as asas e voltar a pairar, caindo bem sutilmente. Testando mais, ela fecha as membranas de leve e, no mesmo instante, a velocidade de sua queda aumenta. 

    Entendi. Pra cima e pra baixo, ela conclui, abrindo novamente as asas, voltando a pairar com calma. Agora…

    Rubi repete o bater de asas, mas dessa vez adiante, empurrando o ar para frente. Seu corpo, em resposta, é empurrado para trás. Por fim, refaz o movimento na direção oposta e, como esperado, move-se para frente. É. Pra frente e pra trás, ela deduz, aquietando as asas e parando o movimento. É bem intuitivo, na real. 

    Rubi para por um momento, dando apenas uma sutil lufada para manter a altura. Acima da imensidão verde da floresta ao seu redor, mais uma vez, ela admira o par membranoso e colorido que a faz flutuar com um sorriso sincero no rosto. 

    O outro poder é forte, legal e útil. Mas esse… essa sensação… É simplesmente incrível, ela pensa, tomada por uma alegria genuína. Me sinto até mais livre.

    E de repente, uma voz do alto quebra o silêncio. “Tá tudo bem aí?”, pergunta Yrah, olhando para baixo.

    “Mais do que bem”, Rubi responde, olhando para a raposa, resoluta.

    “Vejo que já está dominando bem a sua nova habilidade”, Byron ressalta.

    “Depois do susto inicial, até que é divertido”, diz a diaba, de bom humor.

    A raposa suspira aliviada, depois olha para o demônio. “Você sabia que ele iria voar assim?”, ela questiona.

    Byron balança a cabeça para os lados, negando. “Eu não possuía nem ideia de que ela faria isso. As asas dela aparentemente têm propriedades diferentes das minhas”, ele responde, sem respaldo de culpa. “Apenas tinha certeza de que ela simplesmente não cairia ao chão.”

    Yrah arregala os olhos, surpresa com a calma que ele exibe, até recuando um passo. Demônios são… estranhos, ela pensa.

    Abaixo, Rubi, escutando atentamente a conversa, deixa outro riso baixo escapar. Posso admitir que deu certo, mas ainda questiono a necessidade da surpresa, ela analisa. Tranquila, a diaba bate as asas mais algumas vezes, rapidamente ganhando velocidade, rumando em direção ao galho. Mas, já que foi assim, ele não vai poder reclamar se eu for um pouco mais bruta no treinamento dele.


    Olá. Gostaria de agradecer pelo ano e desejas boas festas a todos.
    Como extra do ultimo capitulo de 2025, aqui vai uma ilustração simples da Rubi alada.

    Arte por: @jikishxdow

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