Índice de Capítulo

    No solo baixo da floresta, numa região tomada por árvores altas, com troncos retos, Byron, em sua forma alada, sobrevoa pela vegetação rasteira. 

    O demônio desloca-se a poucos metros do chão, fazendo curvas sutis entre as árvores. Em mãos traz consigo sua espada, segurando-a pelo cabo, paralela ao corpo.

    Cada bater de suas asas emite o som de uma pancada abafada no interior da mata, porém, o barulho do vento se movendo não é o único que se destaca na região.

    O alvoroço de várias passadas ritmadas entre as folhas o persegue. 

    Metros atrás, três grandes aves o acompanham, correndo entre os troncos, com pescoços esticados à frente e com olhares ferozes.

    Duas delas são garras-brancas, altas e com a penugem clara, atrás delas, uma garra-cinza enorme as acompanha no meio. 

    Ela é mais alta e possui um corpo mais robusto que as aves. As passadas dela são pesadas, emitindo mais ruído que as outras duas. Seu bico longo e afiado possui uma marca similar a uma rachadura que se estende de uma margem até o meio.

    Os três pássaros perseguem Byron como uma unidade organizada, correndo sempre mantendo a mesma distância entre si.

    O diabo, após um bater de asas, desvia o foco para trás por um curto instante. Criaturas irritantes, pensa o demônio, com repúdio. Assim que eu me virar para lutar, a cinzenta vai tentar me atordoar e as outras vão começar a gritar.

    Apesar do problema, o demônio volta a olhar para frente, com sorriso no rosto, e segue em seu trajeto. 

    Após alguns instantes, as aves apertam o passo e começam a alcançar o diabo.

    Lá vem, ele pensa, antecipando-se para algo, apertando seus dedos contra a espada.

    E subitamente, uma flecha vermelha brilhante corta a floresta, vindo diagonalmente do alto em direção ao chão, silvando em alta velocidade. 

    O projétil ruma contra a garra-cinza, acertando-a certeiramente pela lateral, na asa. O impacto é forte e derruba o pássaro correndo para o lado, fazendo-o se chocar ferozmente contra uma árvore.

    As garras-brancas seguem correndo por mais alguns instantes antes de perceber o acontecido, agora a mais de uma dezena de metros de distância. 

    Elas olham para trás ao mesmo tempo em que reduzem a velocidade de suas passadas, preparando-se para parar com a perseguição.

    O demônio também nota a parada. É agora!, ele pensa, firme. Nesse momento, Byron abre completamente as asas, posicionando-as perpendiculares ao corpo, como um paraquedas, abaixando a velocidade de seu voo. Ela desce os pés ao chão e começa a derrapar até parar completamente. 

    Sem perder tempo, ela já salta na direção das garras-brancas distraídas.

    Antes de se darem conta, a primeira ave é atacada com uma estocada brutal no peito. O sangue escorre pelas penas e pelo fio da lâmina, e Byron sorri.

    Como uma resposta, quase engatilhada, a garra-branca que não foi atacada abre o bico e crucita um som alto que incomoda tremendamente, logo fazendo aquele sorriso sumir.

    Enquanto isso, metros atrás, a garra-cinza se ergue do chão. A asa curta agora possui um furo de onde é possível ver parte de seu dorso, também perfurado pela flecha.

    Apesar do ferimento, ela se levanta sem muitas dificuldades, lançando olhares desconfiados para todos os lados, ao mesmo tempo em que suas penas já começam a se eriçar e a vibrar como uma por todo seu corpo.

    Mesmo com o grito de suas parceiras ecoando próximo, a garra-cinza se mantém parada no lugar e em guarda, como se estivesse esperando pelo autor da flecha.

    Outro projétil vermelho ruma em sua direção, porém, dessa vez, a ave cinzenta, preparada, tenta se esquivar com um movimento rápido para o lado. 

    A flecha ainda acerta de raspão na lateral. Penas se partem pelo contato com a flecha e o projétil estoura no chão atrás.

    A garra-cinza, imediatamente, como um guerreiro experiente, encara a direção de onde veio o ataque e avista o atirador. 

    Ela vê, há algumas dezenas de metros ali, Rubi, pairando no ar, com suas asas abertas.

    A succubus flutua a meio caminho entre o chão e a copa das árvores, com seu arco em mãos. O casaco dela, pendurado nas costas, balança com uma leve brisa.

    Hum… é como o Byron disse antes. Esses cinzentos não são só animais irracionais, a daiba analisa, vendo a ave esquivar-se da flecha. Além de serem mais resistentes, sabem lutar.

    A garra-cinza, após encontrar seu inimigo, dispara correndo em direção à succubus.

    A diaba prepara outra flecha, puxando a corda do arco. Vindo direto pra mim… Será que ela tem algum jeito de me atacar do chão ou é só um instinto de atacar tudo pela frente?, ela se pergunta, curiosa.

    Rubi começa a mirar seu próximo projétil em direção à ave.

    A garra-cinza, enquanto corre, naturalmente começa a vibrar as penas novamente.

    É uma boa tática para evitar ataques. Sem o poder daquela marca, seria um bicho ruim de caçar mesmo pra mim, a diaba pensa e já solta a flecha.

    A flecha corta a distância entre as duas em um instante. A ave cinzenta, em resposta, ainda se flexiona para tentar esquivar, mas o tiro vindo de cima a acerta em cheio nas costas.

    Com o impacto, a garra-cinza é pressionada contra o chão, como se uma rocha caísse sobre ela, e a flecha completa seu percurso, atravessando sua carne. 

    Dessa vez, a ave tomba e permanece no chão, com a vida ceifada.

    Atrás, no outro combate, uma garra-branca ilesa salta nas costas de Byron, arranhando-o com suas unhas afiadas como lâminas. Enquanto o ataca, sente a aura quente que o demônio emana queimar lentamente todo o seu corpo, devido à proximidade.

    Ao mesmo, a ave branca ferida tenta golpear o diabo com ataque pela frente, lançando uma de suas patas com as garras voltadas a ele.

    Apesar de estar afetado pelo grito, Byron interpõe o ataque com a lâmina que ele empunha, bloqueando-o perfeitamente. 

    O demônio devolve o golpe, estocando novamente a ave com espada na base do pescoço. 

    Além dos ferimentos físicos, o pássaro também sofre com a presença abrasadora do diabo. Carne exposta já aparenta o aspecto de uma carbonização e o cheiro das penas queimadas inunda o ar. 

    A criatura carregada de dor se afasta e tenta recuar, mas os ferimentos são muitos e ela tomba derrotada após o primeiro passo. 

    Logo em seguida Byron sente a ave atrás atacá-lo novamente, lançando suas garras contra suas costas mais uma vez. As pontas cortam a lateral de seu dorso, causando uma dor aguda. 

    O demônio contra-ataca girando o corpo para trás com tudo, movendo sua espada em um corte aberto. 

    O golpe acerta. A lâmina atravessa toda a lateral esquerda da garra-branca, manchando metade da ave de rubro. Uma das asas curtas simplesmente despenca ao chão, decepada sem nenhuma resistência. 

    Todo o instinto agressivo e furioso da ave se transforma em medo e desespero. Buscando sobreviver, ela começa a correr para longe, derramando sangue no chão. 

    Byron não avança atrás da garra-branca, apenas fica parado, observando-a fugir. Creio que acabou. Ele não irá voltar, ele constata, quando o pássaro se afasta vários metros. 

    Instantes depois, o demônio é envolto em chamas e retorna à sua forma humanoide. 

    O demônio se volta para a garra-branca tombada no chão, que, apesar de mortalmente ferida, ainda vive seus últimos momentos, respirando ofegante. 

    O diabo ergue o cabo da espada, guiando a ponta até a cabeça do pássaro e, como um executor, dá fim a ele.

    Enquanto isso, a garra-branca que corre desesperada, consegue se afastar bastante de Byron, porém, sua sobrevivência se estende por muito pouco.

    Uma flecha vermelha é disparada em sua direção, interceptando-o. O projétil mágico acerta a coxa, derrubando-o violentamente contra o chão, matando-o logo em seguida.

    Rubi, voando ao fundo, encara Byron, ainda com o arco em mãos. “Ia deixar mesmo aquele escapar?!”, ela questiona em voz alta.

    “Jamais. Só queria dar-lhe a chance de praticar mais um pouco!”, Byron responde, com um bom humor perceptível. 

    E, próximo a Rubi, um pouco mais alto, no galho de uma árvore, Yrah os observa, sentada ao lado da bolsa de Rubi. 

    Uma feição de incredulidade e espanto está estampada na raposa. 

    Talvez… Talvez essas aves não sejam os seres mais perigosos desse lado da floresta, ela reflete, com arrepios.

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