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    Rubi se levanta, voltando-se para a direção do norte, com um olhar focado no rosto. “Hora de começar”, diz ela.

    A diaba sobe pela raiz grossa da árvore e se senta, colocando a mochila ao lado. Ela a abre e vasculha o interior, separando os objetos.

    “Já começará a lançar novos corvos pela floresta?”, Byron pergunta, agachado diante do ninho.

    Antes de responder, Rubi tira uma das mãos da mochila e aponta o dedo indicador para ele. “Só vou lançar um por agora”, corrige ela. 

    Byron arqueia a sobrancelha, intrigado. “Apenas um será necessário?”

    “Não”, diz Rubi, fuçando na bolsa. “Como os ninhos não contam como criaturas, minha magia não consegue me avisar se o corvo passar perto de um, muito menos de alguma ave escondida dentro dele. Se eu enviar mais de um, posso acabar deixando algum detalhe passar enquanto eu alterno entre a visão dos corvos. Para encontrá-los, vou ter que acompanhar todo o trajeto de um corvo só, sem perder nadinha. Por isso, só irei lançar um por vez, mas farei isso várias vezes.”

    “Agora compreendo”, diz Byron. “É uma tarefa mais complexa do que pensei.”

    Talvez não seja a maneira mais rápida, mas com certeza é mais efetiva do que eu consigo elaborar no momento, pensa a diaba, vasculhando o interior da bolsa. 

    As mãos dela param de revirar os objetos e ela sorri, confiante. Sabia que ainda estava aqui, conclui a succubus. 

    Da bolsa, Rubi retira um pedaço de papel dobrado e um fino pedaço de madeira, com a ponta carbonizada, negra como um carvão. 

    Ela desdobra o papel sobre a madeira, revelando um mapa de alguma região com cidades, rabiscados e com círculos vermelhos desenhados. Ela o vira do avesso, voltando a parte branca para cima.

    Byron se ergue e, com um olhar curioso, a observa. “O que são essas coisas?”, ele questiona. 

    “É um mapa velho que peguei de uns bandidos há um tempo e um pedaço de tocha que pretendo usar como lápis”, responde ela, ajeitando o papel sobre seu colo. “Quero anotar as posições dos ninhos nele.”

    O demônio coça o queixo, pensativo. “Terei em mente que precisamos conseguir material de escrita”, ele comenta.

    “É. Seria muito bom”, diz a diaba. 

    Mais coisas para a nossa longa lista de recursos que não podemos conseguir aqui no meio do mato, ela ironiza internamente. Mas, por hora, essas coisas já me servem. Agora só preciso ter uma ideia da escala que vou usar.

    “Yrah!”, chama Rubi. 

    A raposa, afastada há alguns passos, está com a cabeça enfiada dentro da casca do grande ovo das aves. Se alimentando, até ser chamada.

    Ela ergue a cabeça de imediato, já olhando para a succubus. O rosto está todo manchado pelo conteúdo do ovo, e do focinho escorre a clara transparente.

    “Oi!”, diz a raposa em prontidão.

    Os lábios da succubus se curvam em um sorriso involuntário. Ela vai conseguir comer aquilo tudo sozinha? Tenho certeza de que aquele ovo é maior do que a barriga dela. Não tem como caber tudo, pensa Rubi, impressionada. Ela balança o rosto, retomando o foco. Não era isso que eu precisava saber…

    “Se andássemos em linha reta, quando saberíamos que saímos do território do Senhor dos Pássaros?”, pergunta a diaba.

    “Hum”, murmura a raposa, pensativa por alguns instantes. “Bem… acho que… se começássemos a ver árvores com muito musgo no tronco, teríamos ido longe demais.”

    As sobrancelhas de Rubi arqueiam e ela abre um sorriso largo. “Ótimo!”, diz ela. 

    “Sabe onde é?”, indaga Byron.

    “Sei. Já vi esse território pelos corvos”, responde a diaba, com ânimo. “Ainda tem garras-cinzas por lá, mas um pouco depois só começam a aparecer as brancas.”

    Se esse é o limite de onde o nosso alvo pode estar, também vai ser o limite de onde vou parar o mapeamento com um corvo antes de seguir para outro, pensa ela. Então, já tenho tudo o que preciso. 

    Rubi estende a mão para o norte e se concentra em um feitiço. “Corvo Buscador”, ela pronuncia. A mana escapa de seus dedos, escura como fumaça, e se molda em um corvo que parte imediatamente voando na direção onde aponta. 

    A diaba fecha os olhos, pega o lápis improvisado e se foca totalmente na visão do corvo. 

    A raposa e o demônio observam em silêncio o pássaro se afastar, quieto como um fantasma e discreto como um animal real. 

    “E agora?”, Yrah pergunta.

    “Agora esperamos”, responde Byron.

    “Vou ficar um tempinho ocupada”, diz a diaba, com as pálpebras fechadas em um semblante distante, como se estivesse meditando. 

    Rota um, ela pensa, escrevendo em seu papel, sem nem olhar para ele. 

    “Se é assim, voltarei para a minha refeição”, comenta a raposa, logo em seguida enfiando o focinho dentro do ovo sem a tampa.

    Já longe dali, o corvo negro bate as asas pela floresta, passando entre os galhos baixos, sempre em linha reta. Por seus olhos, Rubi observa atentamente o chão da floresta.

    Minutos se passam, e uma dupla de garras-brancas, lideradas por uma garra-cinza, atravessa correndo pela mata, passando pelo campo de visão do pássaro.

    Talvez tenha um ninho por aqui, pensa Rubi, marcando no papel um traço para cada ave avistada.

    E, em pouco tempo, seu chute se comprova. Uma árvore bastante similar àquela onde o corpo físico da diaba se encontra, com raízes grandes e moitas coladas à base, surge à frente.

    Bingo! Pode ter um bem ali, Rubi pensa, animada. E ela desenha um pequeno círculo abaixo dos traços.

    O corvo continua seguindo sem parar, deixando para trás o possível ninho.

    Algum tempo depois, o processo se repete, com ela avistando mais grupos de aves e outras árvores na mata que batem com as características que ela procura. Para cada uma dessas coisas, ela anota em seu papel, respectivamente, um pequeno traço ou círculo. 

    Enquanto Rubi se mantém centrada em sua tarefa, a quietude toma conta do ambiente ao seu redor. 

    Yrah sobe na raiz e se deita ao lado da diaba, permanecendo quieta, assistindo-a com atenção. 

    Byron, por outro lado, se mantém vigilante aos arredores, caminhando entre as árvores e os arbustos próximos, como um soldado em patrulha.

    Mais de uma hora se passa e o corvo chega a uma região onde troncos ficam mais altos e as copas menos densas. Há muito musgo verde crescendo na madeira e o chão é bem mais úmido do que no trecho anterior.

    É aqui onde eu paro, pensa Rubi, logo abrindo os olhos e suspirando.

    Yrah se levanta e se aproxima da diaba. “Achou algo?”, ela pergunta.

    A diaba olha para o papel, observando as várias marcações feitas. “Achei um bocado de coisa”, ela responde. “Eu já tinha visto que havia grupos maiores e com mais garras-cinzas, e agora também deu para ver que tem algumas dessas árvores bem maiores também.”

    Deve estar ligado ao chefão dessa área. Ainda mais considerando que esses menores meio que são guardas dele, ela analisa. Vou dar mais atenção a esses detalhes nas próximas verificações.

    “Bem, uma já foi…”, diz Rubi. Ela estende o braço para frente, mas em uma direção um pouco mais à esquerda do que na primeira vez. “Só falta um bocado.”


    [Disparo Pesado](Heavy Shot)

    Magia de 2º Ciclo

    Tipo: Ataque/Encanto

    Conjuração: Padrão

    Alcance: Pessoal

    Componente: Gestual e uma arma que utilize flechas como munição.

    Duração: 1 minuto

    Recarga: 1 minuto

    Descrição: Você infunde magia em um arco, uma besta ou outra arma capaz de disparar flechas. Durante a duração do feitiço, as flechas disparadas tornam-se vermelhas e intensas, causando dano adicional igual a 10% do seu atributo de Magia.

    Além disso, qualquer alvo atingido por uma dessas flechas deve realizar uma checagem de Resistência Mágica contra o seu atributo de Conjuração. Em caso de falha, o alvo é repelido em até dois metros para trás.

    Um alvo que seja empurrado e colida com um obstáculo sofre dano concussivo adicional igual à metade do dano causado pela flecha. Caso o obstáculo seja um construto ou outra criatura, ambos sofrem o dano adicional da colisão.

    Em ciclos superiores, para cada ciclo acima, a distância do recuo aumenta em um metro, e o dano mágico adicional aumenta em +10%.

    Alguns Usuários conhecidos ao momento: Rubi.

    …Uma flecha de energia vermelha se forma, e ela a dispara em direção à garota de espada, que, sem reação, é atingida em cheio. No impacto, um estrondo é ouvido, a garota de espada é arremessada vários metros para trás e só para quando acerta uma das grandes rochas.” – Capítulo 1, Login.

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