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    Ao mesmo tempo, Casa de Myron.

    Enquanto todos retornavam aos seus quartos após completarem suas tarefas do dia, Aoife olhou ao redor.

    “…Alguém viu o Julien?”

    “Julien?”

    Evelyn inclinou a cabeça, igualmente olhando ao redor antes de fixar o olhar em Kiera, que coçou a nuca.

    “Err… não sei. Já faz um tempo desde que ele saiu.”

    “Para onde você acha que ele foi?”

    “Talvez foi investigar a situação? Bem, quem diabos se importa? Ele some assim o tempo todo. Você já devia estar acostumada com isso.”

    “É, você tem razão.”

    Diante das palavras de Kiera, Aoife parou e acenou com a cabeça. Certo, certo… Não era surpresa o Julien desaparecer. Era algo comum.

    “Estou mais surpresa com o fato de que aqueles dois… err… Kyle e Camelion desapareceram.”

    “É Caius e Kaelion.”

    Aoife corrigiu Kiera, que coçou a nuca enquanto dizia: ‘Ah, merda. É, isso…’

    Ela não era muito boa com nomes.

    “Espera, eles desapareceram?”

    Foi a vez de Aoife parecer surpresa.

    Leon olhou para ela estranhado.

    “Você não é a líder do grupo? Como não sabe?”

    “Ah, não, é que…”

    O rosto de Aoife ficou sério enquanto ela começava a dar uma desculpa atrás da outra.

    “Tem muitos alunos e eu não consigo ficar de olho em todo mundo. Principalmente na Kiera, já que ela pode fazer algo que nos meta em encrenca. Se tenho que ficar vigiando ela, não consigo prestar atenção em todo mundo, né?”

    “Ei.”

    Kiera franziu a testa, mas não rebateu Aoife.

    Pensando bem, as palavras de Aoife não eram sem mérito.

    Kiera inflou o peito.

    ‘Eu causo problemas, mas pelo menos sei que causo.’

    Leon olhou para Kiera e balançou a cabeça antes de olhar para Aoife.

    “Se está tão preocupada com alguém causando problemas, devia ter ficado de olho no Julien.”

    “Isso é impossível.”

    “Por quê?”

    “Ele é mais forte que eu. Se ele realmente quiser sair do meu campo de visão, não posso fazer nada.”

    “…..”

    Leon tentou rebater, mas quando abriu a boca, percebeu que não tinha argumentos contra ela.

    E odiou esse fato.

    “Viu? Até você sabe que não posso fazer nada quanto a ele.”

    “…..”

    Leon cobriu a boca, seus olhos percorrendo a sala. Justamente quando considerou contatar o Professor, um movimento chamou sua atenção. Sua cabeça virou bruscamente para a janela mais próxima, onde uma sombra sutil tremeluziu, e logo avistou uma coruja.

    “Coruja?”

    Olhando mais de perto, Leon percebeu que conhecia a coruja.

    Não era o animal de estimação do Julien?

    “Aquela é…”

    Parando abruptamente, todos se viraram para Coruja-Poderosa, que estava do lado de fora da janela. Sem hesitar, Leon avançou e abriu a janela, permitindo que o ar seco e frio invadisse o corredor.

    “O que está fazendo aqui? O Julien está por perto?”

    “Não.”

    Coruja-Poderosa balançou a cabeça, olhando ao redor do grupo.

    Com seus olhos frios, começou a falar.

    “Ele está com outras duas pessoas.”

    “Onde?”

    Diante da pergunta de Aoife, Coruja-Poderosa se virou em silêncio, seus olhos brilhando na escuridão, e estendendo a asa, apontou para a imponente estrutura branca ao longe.

    “Ali.”

    “Ah.”

    A expressão de todos presentes caiu ao mesmo tempo.

    Fechando os olhos, Aoife esfregou o rosto enquanto murmurava: ‘Maldição. Tentei negar, mas eles não estavam errados. Ele é uma praga.’

    Olhando para o horizonte, os olhos de Leon se estreitaram.

    “Deixa eu adivinhar.”

    Ele virou-se para Coruja-Poderosa.

    “Ele está em apuros, não está?”

    “….Sim.”

    ***

    Minha mente estava uma bagunça.

    Recordando a vaga visão que acabara de ter, minha boca subitamente secou.

    Ba Baque—!

    Ao fundo, os tambores continuavam a ecoar enquanto eu me forçava a me manter firme.

    ‘Então no final… Sithrus era alguém que eu conhecia?’

    Tentei recordar a voz, mas minha mente estava em branco. Não conseguia lembrar de tal pessoa no passado. Pelo tom com que falava, parecia ser bastante íntimo de mim.

    Mas como eu não sabia…?

    ‘Estou quase certo de que minhas memórias não foram manipuladas. Não, é mais como se um grande pedaço delas tivesse sido apagado.’

    Seria possível que eu mesmo tivesse feito isso?

    ….Ou haveria outra razão para isso?

    Porém, se havia uma coisa da qual eu tinha certeza, era que eu me vi encarando a mim mesmo. Ele… Não, eu… me viu. Ele não reagiu, mas eu sabia que ele me viu.

    Isso me fez pensar.

    ‘E se no passado eu me visse assim?’

    Lambi os lábios.

    A ideia era absurda, mas fazia todo sentido.

    Oracleus, Emmet, eu…

    Eu tinha visto o futuro com antecedência e me preparado para ele. Disso eu tinha certeza. Agora, finalmente entendia outra coisa.

    O futuro que Emmet viu era o futuro que eu criei.

    ‘Isso é tão confuso.’

    Tudo parecia uma bagunça em minha mente, mas eu estava começando a entender. Tudo o que eu fiz estava interconectado com o passado, presente e futuro. Isso parecia muito algo que um ‘Oráculo’ faria.

    Mesmo assim, ainda havia muitas coisas que eu não entendia.

    E nesse caso em particular, minha relação com Sithrus.

    ‘Quão próximos éramos no passado?’

    Isso me deixou curioso, mas eu sabia que não tinha tempo para me aprofundar nisso. Havia assuntos mais urgentes para resolver.

    “Hoo.”

    Respirando fundo, fixei meu olhar na aba de habilidades à minha frente. Especificamente, em uma certa habilidade — [Olhos do Vidente].

    Ela não estava mais obscurecida.

    Eu podia usá-la agora.

    Meu peito tremeu ao ver, mas não pressionei a habilidade precipitadamente. Ainda não tinha certeza sobre sua duração. Ela duraria até eu morrer, ou havia um limite de tempo fixo?

    Ainda não tinha certeza, então precisava planejar com antecedência. Se houvesse um limite de tempo, não podia desperdiçá-lo.

    ‘Tenho duas opções. Encontrar uma saída, ou ir até o velho.’

    Meu coração me dizia para procurar uma saída, mas recordando as experiências recentes, sabia que seria quase impossível encontrar uma. Quem quer que tivesse criado esse cenário não queria que escapássemos.

    O velho parecia a opção mais promissora das duas.

    Pelo menos por agora.

    ‘Ainda tenho mais dois frascos. Mesmo se desperdiçar a primeira habilidade, tenho mais duas tentativas. Preferia não usá-las, mas não tenho muita escolha.’

    Não podia esperar que reforços chegassem.

    Até lá, quem poderia dizer que eu não me tornaria um fantoche como os outros aqui? O tempo estava escapando por entre meus dedos, e eu não tinha espaço para hesitação.

    Virando levemente a cabeça, olhei para meu relógio de bolso e conferi a hora.

    Tique, taque—

    Era 00:12 da madrugada.

    Anotando o horário, ativei a habilidade.

    ‘Ela está ativa.’

    Vendo a habilidade se ativar, olhei diretamente para Pedrinha e abri a boca.

    “Diga a Caius e Kaelion para se moverem na direção oposta à de antes. Diga que preciso que eles distraiam a atenção de todos os fantoches.”

    Era um tipo de simulação.

    Não precisava me preocupar com a segurança de Caius e Kaelion. Por isso, planejava usá-los como isca para que eu pudesse entrar na mesma sala de antes.

    “…Tem certeza, humano? Eles não vão achar que você está os abandonando?”

    “Diga que tenho um plano.”

    “Ok.”

    Pedrinha não questionou mais e correu na direção de Caius e Kaelion. Ao ouvirem minhas palavras, ambos me olharam com sobrancelhas franzidas.

    Encontrei seus olhares e acenei levemente com a cabeça.

    ‘Confiem em mim.’

    Suas expressões se aprofundaram, mas eventualmente cederam e avançaram.

    Vira, vira, vira—!

    Como esperado, todas as cabeças dos fantoches viraram para eles em uma união arrepiante. A visão enviou um calafrio pela minha espinha, mas desta vez, eu não era o alvo de seus olhares perturbadores.

    Os tambores pararam e um silêncio sufocante cobriu o espaço.

    Segurando a respiração, observei as pessoas ao meu redor começarem a se mover, seus braços e pernas se movendo de forma desarticulada enquanto os fios presos a eles os puxavam do céu acima.

    Como fantoches sem mente, eles correram na direção de Kaelion e Caius.

    Os dois ainda estavam cansados de antes, assim como eu, mas tempo suficiente havia passado para que pudéssemos lutar, então, no momento em que Kaelion e Caius correram na direção oposta, duas esferas apareceram em minha mente e os fios acima de mim se romperam enquanto eu corria para o mesmo caminho de antes.

    Swoosh—

    Minhas pernas doíam enquanto me movia, mas ignorei a dor e arrombei a porta do prédio, direcionando minha atenção para as escadas enquanto fechava os olhos e visualizava um espaço escuro.

    Quando os abri novamente, todo o espaço havia escurecido, com o contorno sutil das escadas e do andar superior aparecendo à vista. Mãos roxas emergiram do chão, alcançando as muitas pessoas presentes, e as prendendo no lugar.

    “Huu.”

    Segurando meu peito, corri para as escadas e ignorei diretamente os fantoches.

    Enquanto minha mana era drenada rapidamente, senti meu corpo ficar fraco, mas ainda consegui me manter firme enquanto seguia o caminho familiar de antes.

    Tique, taque—

    Era 00:15 da madrugada.

    ‘Ali.’

    Eventualmente, quando minha mana atingiu seus limites, forcei meu caminho até o alçapão, o abri com força e desci sem hesitar.

    Clank!

    Estava escuro e eu mal conseguia ver, mas continuei descendo.

    Tique, taque—

    Era 00:17 da madrugada.

    Foi quando finalmente cheguei à sala familiar. Entrando no local, meus passos desaceleraram e minha respiração parou.

    Dang, da~

    “Hm?”

    Uma certa nota soou no ar.

    Parecia vagamente familiar, vindo diretamente de um piano e parecia vir de todos os lados da sala.

    Olhando ao redor, a sala estava quase completamente vazia, exceto por uma grande caixa de madeira no fundo. Fora isso, não notei nenhum instrumento.

    Então, como…?

    ‘Não, onde está o velho?’

    Procurando pelo velho, minha expressão caiu quando notei que ele não estava lá.

    “Mas que— Uh?!”

    Mas eu logo parei e bati o pé no chão, me forçando a recuar quando notei a presença de alguém atrás de mim.

    “Você chegou mais rápido do que eu… esperava.”

    Parado bem atrás de mim estava o mesmo velho de antes. Vestindo roupas esfarrapadas que destacavam seu enorme porte, o velho me olhou por um breve instante antes de olhar para trás.

    “E seus dois amigos? Você os abandonou?”

    “Ah, isso…”

    Pensei por um momento antes de mentir.

    “…não abandonei.”

    “Mhm.”

    O velho acenou com a cabeça, seu olhar perfurando-me.

    “Está mentindo para mim?”

    “Não.”

    Na verdade não estava, já que isso não era real.

    “Se você diz.”

    O velho encolheu os ombros depois de me olhar.

    Encarando o velho, senti uma pressão esmagadora emanando dele. Era sufocante, dificultando a respiração, como se sua mera presença estivesse espremendo o ar de meus pulmões.

    Para eu sentir tal pressão…

    Quem era esse homem?

    Baque, Baque—

    O som súbito de passos abafados encheu o ar vindo de cima. Virando a cabeça, eu sabia que os fantoches estavam chegando.

    Foi quando olhei diretamente para o velho.

    “Você me pediu para voltar depois do restart. Você… sabe de um jeito de parar isso?”

    “Parar? Você diz os fantoches?”

    “Sim.”

    Acenei apressadamente com a cabeça, olhando na direção das escadas enquanto suor escorria pelo meu rosto.

    Eles estavam chegando.

    Tique, taque—

    Era 00:18 da madrugada.

    “Sei.”

    O velho apontou para a melodia tocando no ar.

    “…A música mantém os fantoches afastados.”

    “O qu—”

    “Eu teria deixado você ficar, mas você mentiu para mim.”

    “Eh?”

    Olhei apressadamente para o homem.

    Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, senti uma força poderosa me arremessar contra a parede enquanto minha visão escurecia e eu me via de volta ao lugar de onde viera.

    “Huaa.”

    Respirando fundo, meu peito tremeu.

    Tique, taque—

    Era 00:12 da madrugada.

    Eu tinha morrido.

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