Capítulo 514: Destruidor [1]
Ruído suave~
Um som suave de folhas sendo agitadas ecoou através da Kasha. Embora fraco, chegou aos ouvidos de todos, como uma cócega delicada escovando seus ouvidos. Tudo parou subitamente, sejam os monstros atacando a cidade ou as pessoas revidando.
Todas as cabeças se viraram para o lado norte.
Enquanto alguns podiam vê-lo claramente, outros apenas conseguiam captar o leve ruído vermelho no ar.
Porém, se havia algo que todos sentiam, era a tremenda pressão vinda da distância. Ela dominava tudo, e os rostos de várias pessoas empalideceram ao vê-la.
“Oh, não.”
Murmurando baixinho, Arten Myron colocou a mão atrás das costas na tentativa de esconder o tremor. Mas foi inútil.
Cada parte dele traía o pavor e terror que sentia.
Dos seus pupilas excessivamente contraídas, sua respiração ofegante e seu rosto pálido.
Ele não era o único a se sentir assim.
‘…Isso é ruim.’
Rosanna, a Anciã Chefe da família Astrid, estava em uma situação similar. Embora ela lidasse melhor que Arten, sua compostura vacilava.
Este era o segundo monstro de nível Destruidor em sua vista.
Um já era difícil o bastante, mas dois…?
‘É impossível.’
Não havia como lidarem com isso.
Se o antigo chefe ainda estivesse vivo, as coisas seriam diferentes, mas…
Ele se foi.
Ele já havia deixado este mundo.
“Haa.”
Erguendo a cabeça, Rosanna encarou o céu azul acima.
Esta era a primeira vez que ela olhava propriamente para ele desde que despertou, e ao encará-lo, sentiu seu peito apertar.
Este era o último presente que o antigo chefe lhes dera, e ainda assim…
“Eu gostaria… de ter podido1 saborear esta visão adequadamente.”
Franzindo os lábios, ela fechou os olhos e desviou o olhar.
“….”
“….É bom que você não sinta emoções.”
Kaelion murmurou enquanto olhava para a distância e depois para Caius. Ele estava parado quieto ao seu lado. À frente deles, várias dezenas de monstros haviam parado de repente, seus olhares fixos na direção de onde a pressão vinha.
Ambos os corpos estavam crivados de feridas, suas camisas e calças rasgadas.
Eles vinham lutando há um bom tempo, tentando segurar a linha e impedir que os monstros entrassem totalmente na cidade.
Estavam indo bem, e ainda assim…
“Devemos tentar ao máximo evacuar os civis. Podemos não conseguir, mas pode ser o melhor curso de a—”
Cortando as palavras de Kaelion veio um tremor súbito.
Erguendo a cabeça, ele olhou ao redor, para a multidão de monstros que o cercavam, e seu corpo ficou tenso.
“Prepare-se.”
Mana começou a emanar de seu corpo, assim como de Caius, que franziu a testa e abriu a boca, seus olhos ficando brancos.
Com os olhos focados nos monstros ao redor, sua boca se abriu enquanto se preparava para falar, mas justo quando as palavras estavam para sair, Kaelion colocou a mão à sua frente.
“Espere…”
“??”
Caius piscou, a energia acumulada em sua garganta condensando. Confuso, olhou para Kaelion e foi então que notou algo.
‘Isso…’
Ele não era o único a perceber.
Praticamente todos notaram as mudanças súbitas na situação, e expressões similares de confusão surgiram em seus rostos enquanto encaravam os monstros diante deles, que de repente viraram para a direção de onde a pressão vinha.
Então…
Enquanto todos estavam confusos com a situação, os monstros correram em direção à pressão.
Tum! Tum—!
Pareciam estar correndo para fora.
“O que está acontecendo?”
“Por que eles estão indo embora?”
Seu comportamento repentino deixou todos perplexos e apreensivos.
Apenas momentos antes, estavam tentando romper a qualquer custo, e de repente queriam sair.
O que diabos estava acontecendo?
“….Para os monstros saírem assim, pode ser algo bom ou ruim. Espero que seja o primeiro, mas temo que não seja o caso. O melhor curso de ação é evacuar todos.”
Encarando os monstros com os olhos semi-cerrados, Rosanna estava pronta para voltar e iniciar o processo de evacuação quando um par de olhos amarelos surgiu em sua visão.
“Anciã Chefe.”
Com sua voz suave e monótona, Caius parou diante dela, seu olhar fixo nos monstros que partiam.
“O que foi.”
“…Precisamos impedir os monstros de saírem.”
“Como assim?”
As sobrancelhas de Rosanna se franziram fortemente enquanto olhava atentamente para Caius. Foi então que ela notou o pequeno gato repousando em seu ombro.
Quando…
“Essa pressão que você está sentindo…”
Ignorando seu olhar, Caius continuou, seu queixo apontando para a direção de onde a pressão vinha.
“…Vem do nosso lado.”
***
Ao mesmo tempo.
Na fonte de toda a pressão.
“O que está acontecendo? O que é isso…?”
Com a mão na casca da árvore, a expressão de Seraphina mudou. ‘Estalo, estalo, estalo—!’ Ela podia sentir a conexão entre a árvore e ela se rompendo, e sua expressão se distorceu ao perceber que perdia o controle.
Olhando ao redor, viu mudanças ocorrerem na árvore.
Farfalha~
As folhas que antes caíam começaram a retornar, ficando de um vermelho mais intenso que antes.
Mas isso não era tudo.
O que seguiu as folhas foi outra mudança.
Erguendo a cabeça, um leve tom rosado refletiu nos olhos cristalinos de Seraphina enquanto ela olhava para cima.
‘Flores.’
De fato, flores haviam começado a aparecer por toda a árvore.
Conforme os segundos passavam, mais e mais flores desabrochavam, gradualmente cobrindo o topo da árvore, acompanhadas por um aroma peculiar e doce.
Seraphina não deu atenção ao cheiro a princípio, focando de volta na árvore e tentando ao máximo recuperar o controle, mas alguns segundos depois, sua expressão não pôde evitar de mudar.
‘Perigo…!’
Afastando a mão da árvore, sua figura ficou turva, aparecendo a algumas dezenas de pés de distância.
Ao mesmo tempo, segurou o pescoço e começou a engasgar.
“Hguek—!”
Sua visão ficou turva e o mundo diante dela começou a se distorcer. Erguendo a mão, ela estalou os dedos e tudo se desfez.
Estalo!
O mundo voltou ao normal logo em seguida.
Olhando ao redor, sentiu um frio de suor escorrendo por suas costas enquanto seus olhos tremiam levemente ao ver a árvore à sua frente.
‘…O que era aquele cheiro?’
Apenas um simples cheiro e sua mente quase caiu em uma ilusão.
Sinos de alarme tocaram em sua mente.
‘Isso é perigoso.’
Havia uma coisa de que Seraphina se orgulhava, e era sua força mental. Ela podia contar nos dedos o número de pessoas que achava poder rivalizar com ela em termos de força mental.
Na verdade, a razão pela qual ela podia controlar tantos monstros de uma vez era por causa de sua força mental.
Era algo de que se orgulhava.
Ainda assim, um único trago do aroma da árvore foi o suficiente para lançar sua mente em desordem.
Que tipo de situação era essa?
“Não, ukh—!”
Apertando a cabeça, Seraphina ouviu um estalo contínuo ecoando em sua mente enquanto via os fios se romperem da árvore. Seu controle sobre a árvore continuava a diminuir conforme seu aroma começava a se espalhar.
“Não, não…”
Ela recuou com uma expressão pálida.
“Como isso…?”
Ela podia sentir todo o seu trabalho começar a desmoronar. Seu plano, que levou tanto tempo para formular e colocar em ação… Tudo isso, ela assistia ruir diante de seus olhos. Ela não podia falhar.
Este plano era de extrema importância.
Afinal…
Este seria o lugar onde a fusão começaria.
“Sim, não posso falhar. Não devo falhar.”
Virando a cabeça, a expressão de Seraphina se suavizou, e seu comportamento mudou completamente, como se tivesse se tornado outra pessoa. Com uma calma quase perturbadora, ela olhou na direção das muralhas da cidade.
Estrondo, estrondo—!
O entorno tremeu.
***
Era estranho.
Algo no ar mudou.
De repente, parecia mais leve.
Arranha~
Olhando para as raízes que antes o enredavam, comecei a relaxar quando elas já não pressionavam meu corpo com a mesma intensidade de antes.
Eu podia respirar novamente.
Mas isso não era o mais importante.
Afastei minha mão da árvore e a observei, vendo inúmeras flores desabrocharem diante de meus olhos.
Era…
“Lindo.”
Havia poucas palavras que podia usar para descrever a visão diante de mim, e ao dar um passo para trás, esbarrei em algo.
“Uh?”
Quando virei a cabeça, percebi que era Leon.
Ele estava olhando para o Coruja-Poderosa com uma expressão vazia.
“Aquilo…”
Suas sobrancelhas se franziram momentos depois, enquanto focava seu olhar em mim.
“O que aconteceu? Você…?”
“Não, não fui eu.”
Sorri com o pensamento.
Esta mudança dificilmente foi por minha causa.
O Coruja-Poderosa sempre esteve à beira de alcançar o rank Destruidor. Seu corpo estava pronto, mas sua consciência não. Tudo que o Coruja-Poderosa precisava era um pequeno empurrão para alcançar este ponto.
Isso era inevitável.
“Oh.”
Os olhos de Leon se estreitaram em dúvida, e assim que seus lábios se abriram, ele parou subitamente e cheirou o ar.
“…Você sente um cheiro?”
“Cheiro?”
Cheirei ao redor e franzi a testa.
“Não, não sinto.”
Não havia cheiro no ar.
“Que estranho.”
Leon murmurou enquanto coçava a nuca.
“…Sinto algo doce, agradável, mas não consigo lembrar onde senti antes. Também parece estranhamente atraente. Minha cabeça está um pouco leve, mas só um pouquinho.”
“Sério?”
Olhei de volta para o Coruja-Poderosa, ou mais especificamente para as flores desabrochando em seu corpo, e tive uma leve ideia do que estava acontecendo.
‘Acho que o cheiro deve vir de lá.’
O fato de eu não conseguir sentir o cheiro que emanava delas era surpreendente, mas talvez houvesse uma razão.
Seja como for, não era hora de me aprofundar nisso enquanto olhava ao redor.
A realidade de nossa situação logo se impôs e meu rosto ficou sombrio.
“O Coruja-Poderosa parece ter ficado mais forte, mas não há garantias de que sairemos vivos daqui. Na verdade, é bem provável que ‘ela’ esteja planejando algo lá fora.”
“…Eu sei.”
O rosto de Leon ficou sombrio enquanto também olhava ao redor.
“Você acha que pode pedir à árvore para nos levar embora?”
“Isso não é possível.”
Como uma árvore poderia escapar de um humano? Não, não apenas um humano, mas um extremamente poderoso que podia controlar várias dezenas de monstros igualmente poderosos.
“Então…?”
“Eu não sei.”
Mordendo meu dedo, senti a urgência da situação. Embora fosse verdade que o Coruja-Poderosa ficou mais forte, isso ainda não significava nada. A mãe de Julien era extremamente poderosa, e o Coruja-Poderosa havia acabado de alcançar o rank Destruidor.
Quão forte ele poderia—
Foi no meio de meus pensamentos que uma notificação piscou diante de meus olhos, capturando minha atenção imediatamente.
Erguendo a cabeça para encarar a notificação, meu coração e rosto pararam.
“O… quê?”
Como se o ar tivesse sido sugado de meu corpo, fiquei encarando a notificação por alguns segundos antes de respirar fundo.
“Isso…”
[Véu do Engano] –> [Lamento das Mentiras]
…Isso era mesmo possível?
- Sei que é estranho, mas está correto[↩]

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