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    Xiao Lin trocou um olhar com Gu Xiaoyue; ambos ficaram um pouco surpresos, especialmente Xiao Lin. Diferente dos outros monitores, que nunca tinham saído realmente da proteção da academia, ele já passara por muita coisa no Novo Mundo e conhecia bem as estruturas de governo nos territórios coloniais. Também estava muito ciente da importância do cargo de chefe do Departamento de Inteligência.

    O fato de Li Cheng poder falar tão casualmente sobre tudo o que ele fizera já não era surpreendente, pois esse era justamente o seu trabalho.

    Após organizar os pensamentos, Xiao Lin relaxou rapidamente. Parecia que Li Cheng só estava no mesmo voo por coincidência e não viera especificamente por causa dele.

    Xiao Lin não pôde evitar um leve sentimento de culpa. Ele havia escondido muitas coisas da academia. A mais recente foi sua negociação com a inteligência artificial da Academia Dawn, Bell — algo que definitivamente não podia vazar.

    No entanto, como Li Cheng não o procurara por causa disso, não havia com o que se preocupar. Xiao Lin e Li Cheng não eram íntimos, então, depois de algumas gentilezas, não havia muito o que dizer. Ainda assim, isso não impediu o homem de puxar conversa.

    Era óbvio que Li Cheng simpatizava com Xiao Lin, mas Xiao Lin ainda achou estranho, pois não conseguia se livrar da sensação de que o homem tinha um motivo oculto e estava apenas levando-o adiante.

    O avião decolou rapidamente, e Xiao Lin ficou naturalmente feliz por ter alguém para conversar e passar o tempo. Era uma pena não poder continuar falando com Gu Xiaoyue, mas não havia o que fazer. A mulher só se aproximava de Xiao Lin quando não havia ninguém por perto; na presença de outras pessoas, mantinha o habitual ar frio e orgulhoso.

    A viagem do Japão de volta à China não levaria muito tempo; pousariam em cerca de três horas. Quanto a passaportes e vistos, Xiao Lin confiava que o ramo terrestre não teria problemas com pormenores assim.

    Depois de conversar um pouco com Li Cheng, Xiao Lin sentiu-se cansado. As andanças em Hokkaido provavelmente o haviam esgotado ainda mais. Após alguns bocejos, Li Cheng também percebeu seu cansaço e parou de falar, sorrindo. Gu Xiaoyue, como de costume, não era alguém que gostasse de conversar.

    Quando Li Cheng silenciou, a cabine logo caiu num mutismo completo. Xiao Lin achou estranho não ter visto nenhum membro da tripulação desde a decolagem, mas a suspeita durou pouco antes de cochilar.

    Após um tempo desconhecido, Xiao Lin despertou assustado. A cabine estava às escuras, com mesas e cadeiras reviradas. Do lado de fora, nuvens negras cobriam o céu; trovões ressoavam ao longe, e relâmpagos cortavam o firmamento de tempos em tempos, sem que caísse uma gota de chuva.

    “O que aconteceu? Gu Xiaoyue? Gu Xiaoyue!”, gritou Xiao Lin, sentindo de imediato que havia algo errado, sobretudo quando percebeu que era a única pessoa restante no avião. Um horror gelado percorreu o corpo ao não receber resposta alguma.

    Xiao Lin tentou se levantar, mas uma dor lancinante tomou conta dele; desabou no chão. Ao olhar para trás, levou um susto ao notar que seus membros estavam amarrados por cordas. Havia um leve brilho prateado nelas. Xiao Lin reconheceu o material: era uma liga especial do Novo Mundo, extremamente dura, que a Academia Dawn usava com frequência para fabricar instrumentos de contenção. Além da dureza, possuía um efeito supressor, restringindo o uso de qualquer poder mágico ou aura de espada.

    Conseguir aquilo — e ainda trazer para a Terra — não era tarefa simples. Todos que saíam dos territórios coloniais passavam por inspeções rigorosas. Sem falar nos itens restritos: até materiais comuns não eram facilmente liberados, embora não fosse algo totalmente impossível.

    “Li Cheng!”, rugiu Xiao Lin, pensando no sujeito que aparecera de forma tão conveniente. Se fosse o Chefe do Departamento de Inteligência, seria fácil burlar qualquer inspeção, disse consigo.

    Ainda assim, nenhuma resposta; era como se ele fosse o único a bordo. Cerrando os dentes, Xiao Lin foi aumentando a força do corpo pouco a pouco. As amarras o restringiam muito e, após algumas tentativas frustradas, só lhe restou arrastar-se em direção à cabine de comando.

    Um suor frio correu quando ele viu que a cabine também estava vazia. O avião seguia no modo de piloto automático e, não muito longe, havia um aglomerado de nuvens ainda mais escuras. Dentro delas, viam-se incontáveis objetos misteriosos. Xiao Lin não sabia o que eram, mas tinha certeza de que não eram coisa boa.

    “Ruína!”, bradou Xiao Lin, sem mais hesitar.

    Pelas regras da academia, não se podia usar poder demais na Terra, pois isso feriria as já enfraquecidas leis do planeta. Porém, com a situação de Gu Xiaoyue incerta, Xiao Lin não podia se dar ao luxo de ponderar. Que as leis que se danassem, pensou.

    Aquelas contenções metálicas, claro, não eram inquebráveis, e o efeito supressor só funcionava até certo ponto. Com Ruína ativada, o poder de Xiao Lin já tocava o rank Ouro; as amarras se romperam num estalo. Ele vasculhou todo o avião, mas não encontrou sinal de ninguém.

    A aeronave se aproximava cada vez mais daquelas nuvens, e uma sensação ruim apertava-lhe o peito. Ele não sabia pilotar, não conseguia encontrar Gu Xiaoyue e os problemas vinham de todos os lados. Por fim, cerrou os dentes e decidiu abandonar o avião para então pensar no próximo passo. À medida que as nuvens se avizinhavam, o mau pressentimento só aumentava.

    Ele lançou uma bola de fogo e abriu um rasgo na fuselagem. Abaixo, estendia-se o mar imenso. Sem ter certeza de onde estava, calculou que ainda devia estar na rota de volta ao país.

    Xiao Lin avançou para a abertura; ventos violentos o forçaram a fechar os olhos. Arrependeu-se de não ter aprendido feitiços de voo, mas tudo bem: ainda tinha alternativas. Mesmo sem arma, sob Ruína, podia invocar a aura de espada com facilidade.

    Ondas de Aura de Espada dançaram ferozmente rumo à superfície do mar. Xiao Lin não se conteve em despejar sua frustração; as vagas erguidas pareciam engolir o entorno, e o recuo da aura foi suficiente para desacelerar sua queda. Quando a velocidade ficou aceitável, ele soltou-se por completo e mergulhou no oceano.

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