Arco 3: Capítulo 75 - Esgoto
Dante tinha o seu primeiro objetivo: sair daquele esgoto. O lugar fedia muito, além de quase não ter iluminação, apenas por escassas tochas presas à parede.
Ponderou sobre qual direção deveria tomar. Olhou para trás, se lembrando que os perseguidores nudistas e canibais vieram daquela direção. Sendo assim, a opção mais lógica seria à frente. No entanto, a iluminação escassa daquele lugar não o ajudaria, já que mais pra frente só havia um breu.
Ele podia tentar pegar aquela tocha e seguir com ela, mas estava cravada à suporte de metal, e não sabia como faria para retirá-la.
— Espera…
Colocou a mão no seu bolso. Se aquela carta que Freya lhe deu ainda estava na sua calça, então algo que podia o ajudar com a iluminação também estava.
— Meu celular…
O aparelho estava intacto, mesmo depois de tudo que aconteceu recentemente. Ao ligá-lo, a primeira coisa que foi conferir foi a sua porcentagem.
— 23%… Impressionante que ainda esteja carregado depois de tanto tempo.
[Você também quase não mexeu no aparelho desde quando chegou a este mundo, há uns 3 meses.]
— Mesmo assim.
Ligou a lanterna do celular, conseguindo uma forma de se mover no escuro.
Antes que tomasse a coragem necessária para dar um passo adiante, respirou fundo. Ainda não estava confiante que poderia escapar da onde estava com vida, considerando que aqueles malucos iriam o perseguir novamente.
[Não se preocupe, estou aqui com você.]
Ao que Sophie disse, o jovem ficou menos apreensivo, apesar de que ele preferisse que a ex- deusa estivesse em forma e presença física ao seu lado naquele momento.
— Vamos lá.
Andou, entrando nas sombras, esperando pelo pior.
Quanto mais adentrava aquele esgoto, mais o cheiro podre o incomodava, ao ponto de ter que andar tampando o nariz manualmente.
[Pra um esgoto tão nojento, não vi nenhum inseto.]
Não perceberam a presença de nenhum rato ou barata no local. Nem de sequer algum outro ser vivo. Com certeza era uma diferença notável dos esgotos daquele mundo fantasioso para o Planeta Terra.
— Pra falar a verdade, desde que eu cheguei aqui, não vi nenhum inseto… Não um que seja normal pelo menos. — O mais próximo disso foi aquele louva-deus gigante da noite anterior, mas nada que chegasse mais perto de algo que visse em seu mundo de origem. Fora isso, nada.
Por estar mais acostumado com as coisas de lá e não com toda essa loucura de outro mundo, sentia saudades do seu mundo de origem. Ao menos lá orcs não morriam por um louva-deus gigante e medonho, ou ele era perseguido por um tigre.
[Um esgoto, é…? Não acho que vá demorar muito até que você ache uma escada que o leve até a saída deste local.]
— É mesmo?
[Eu não disse?!]
Sua reação inesperada foi em reação a uma escada enferrujada encostada na parede.
[Um ponto de saída para um Katanabe acabara de sair no capricho!]
Ignorando a brincadeira da garota, Dante guardou o celular no bolso e começou a subir as escadas. Sentiu um pouco de medo em cair, ainda mais que a altura só aumentava, já que as escadas estavam enferrujadas.
— Credo, que escada enorme. — O jovem já estava alguns minutos subindo, mas parecia que aquele caminho não tinha fim.
Parou por um momento e puxou seu celular do bolso, iluminando o que estava acima dele. Para sua infelicidade, não conseguia nem ver o fim daquele caminho.
— Que ótimo, hein…
[Sem estresse. Você conseguirá sair.]
O jovem, querendo levar as palavras como a verdade absoluta, apenas continuou subindo, e esperando o fim daquela escadaria.
Depois de alguns minutos subindo, acabou batendo com a cabeça com uma superfície sólida,
Puxou o celular novamente, e vendo em que acabou batendo, percebeu que aquilo era uma tampa de bueiro.
— Consegui!
No entanto, cantou vitória cedo demais, pois não conseguiu empurrar aquela tampa. Havia algum objeto bloqueando a passagem para fora.
“Merda.”
Vendo que não tinha escolha, começou a descer.
Chegando no início das escadas, faltando apenas descer umas três barras, a escada se quebrou na região onde segurava com as mãos, o fazendo cair.
— Droga!
De forma repentina, ouviu um som peculiar, algo que ressoava como “cri, cri, cri” ou como uma batida de dentes.
— Ouviu isso, Sophie?
[Sim…]
Se levantou rapidamente, pegando a barra de ferro solta para se defender. Também pegou seu celular, iluminando ainda mais o ambiente, porém, não viu nada.
— Uh…!
Novamente aquele som ressoou no lugar, mas o jovem não tinha ideia de qual direção, até que decidiu apontar para a água. Pequenas bolhas saíram delas, dando um alerta para Dante.
De repente, duas mãos saíram da água, se esticando até a borda. Daquela água nojenta, saía um homem com o rosto completamente deformado, e com apenas um rosto, nariz gigantesco, e com dois dentes gigantes na parte superior da boca, que se destacavam fora da própria, como se fosse de ratos.
Ele não vestia roupas, mas diferente daqueles homens, seu corpo era coberto por fezes. E em certas partes, como em suas genitais, tinham tanto desse dejeto que parecia que ele estava com algum resquício de roupa.
Como se isso não bastasse, todo o seu corpo estava envolvido em arame farpado, que furavam a sua pele, e o fazia sangrar a todo momento. Para piorar, aquele homem era enorme e um pouco corcunda.
Dante ficou boquiaberto com aquela cena. Estava surpreso, assustado, enojado. Só de ficar perto daquele “homem-rato” lhe causava um pouco de náuseas, por conta do cheiro insuportável e de sua aparência completamente anti-higiênica e deselegante.
[Que… nojo.]
Disse Sophie, completamente enojada.
Aquele rapaz gritou, fazendo um som parecido com o de um rato enfurecido. Sem hesitar, o garoto o acertou com a barra de ferro, conseguindo desferir o ataque em sua cabeça, e a barra de metal se quebrou no processo.
Isso foi puro instinto, e acabou por deixar o seu medo lhe dominar, mas parecia que alcançou um bom resultado com isso tudo, ou algo perto de bom, já que o homem-rato caiu com o ataque na cabeça, dando tempo de sobra pro garoto escapar.
Sendo assim, correu como se não houvesse amanhã.
“Acho que essa foi a coisa mais nojenta que eu vi em toda a minha vida!”, se esforçava ao máximo para não vomitar ali mesmo.
[Dante, tente aquelas escadas!]
Havia mais uma naquele local, mas, diferente da anterior, essas escadas pareciam estar em uma boa quantidade.
Foi até as escadas e subiu nelas, continuando rapidamente.
— Que droga era aquela?
[Melhor não saber, mas aquilo quase me fez vomitar!]
De repente, os dois ouviram um rugido vindo de baixo. Com toda certeza era daquele homem que acabou de atacar, e ouvir um som dele extremamente irritado só desencorajou Dante a voltar, principalmente se a passagem de cima estivesse também bloqueada.
Chegando ao topo, sentiu uma superfície sólida em seus dedos. Ao iluminar, pôde ver que era outra tampa de bueiro.
“Por favor…”, implorou para que não tivesse que voltar, e esse fosse o caminho certo.
Empurrou a tampa, e ela se moveu perfeitamente. Isso aliviou o jovem, já que não teria que continuar lá embaixo com aquela coisa.
Subiu para a superfície, tampando aquele buraco rapidamente.
— Eu consegui! — falou, mas isso ainda não era motivo de comemoração, já que não estava, de fato, em um lugar seguro.
Quando olhou para cima, pôde ver a lua.
— Ué…? Eu não estava debaixo de um lugar que ficava sob Schalvalt? Será que eu subi tudo?
Olhou para os lados, apenas vendo pedras, terra e uma pouquíssima vegetação.

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