Arco 3: Capítulo 77 - Desespero
O sofrimento continuava. O jovem tentava se libertar das amarras daquela corda, mas o esforço parecia ser o mesmo que falar para um cego que era só enxergar.
Se balançava desesperadamente, mas nada acontecia. O seu fôlego estava no limite. Quando olhou pro lado, viu algo que o chamou atenção: um grande homem careca vestindo um terno; era o Rei Demônio, se espreitando atrás de uma casa.
Dante não questionou como ou o porquê dele estar ali, mal conseguia pensar em qualquer coisa além de como fugir dali, ou se iria morrer. Com o desespero sendo a sensação mais forte naquele momento, apontou repetidas vezes para a corda amarrada ao seu pescoço, implorando por ajuda.
O Rei Demônio havia entendido o seu recado, e como resposta, apenas o mostrou o dedo do meio.
Depois disso, Dante viu como isso foi uma decisão estúpida. Afinal, por qual razão a pessoa que sentia um ódio mortal por ele o ajudaria nessa situação? Por tanto, o garoto já havia perdido as esperanças.
Sua visão estava ficando cada vez mais embaçada, e sentia que seu corpo ficando cada vez mais fraco.
Entretanto, um som alto de estalo ressoou pelo local. A origem do som vinha atrás dele, e olhando para trás, viu que aquela árvore estava com um enorme corte.
Com suas últimas forças, continuou se balançando com tudo. Os habitantes daquele lugar, antes distraídos pela animação de ver o forasteiro sendo sufocado, sentiram-se incrédulos pelo que iria acontecer.
Insistindo tanto nisso, a árvore acabou quebrando, levando o jovem para baixo, junto da parte de madeira solta, em cima dos habitantes.
O garoto tossiu fortemente, e aproveitou essa brecha para se desamarrar e fugir. Algumas das pessoas lá estavam no chão, e outras afastadas.
Correu em busca de fugir, empurrando os indivíduos que estavam em pé e tentaram entrar em seu caminho.
— Eu odeio esse lugar! — Expressou isso com a voz fraca.
[Você teve sorte que te amarraram em uma árvore podre que não aguentou seu peso. Foge daí o mais rápido que puder!]
Sem hesitar, o garoto seguiu o que ela disse. Correndo o mais rápido que podia para longe dali.
— Peguem o forasteiro! — gritou um dos habitantes, apontando para o jovem desesperado.
Eles corriam, gritavam furiosos, indo atrás do assustado garoto, enquanto armados.
Dante se deparou com uma casa que, repentinamente, teve sua porta aberta, saindo um homem de lá. Outras pessoas saíam de outras casas por perto, o cercando.
O garoto, desesperado, olhou para os lados. Debaixo daquela casa, tinha um pequeno espaço onde um pequeno animal ou uma pessoa baixa poderia passar, talvez com certa dificuldade. Sem escolha, entrou lá embaixo, se rastejando e implorando para que houvesse uma saída.
Enquanto se rastejava lá por baixo, pôde sentir seu pé sendo agarrado. Olhou para trás, vendo uma mulher que se rastejava em busca dele. Sem hesitar, usou sua outra perna para chutá-la bem no rosto, ficando livre.
Continuou se rastejando, até que viu os dentes de ferros de uma forquilha perfurando o chão de madeira da casa parando em sua frente, quase o acertando.
— Esses caras são loucos! — gritou, desviando o caminho.
Continuou, vendo mais dentes de ferros perfurando o chão, repetidas vezes, mas cada um estava longe se mais para sequer o acertar, e isso foi pura sorte.
No fim do caminho, Dante chegou na parte de trás daquela casa, tendo que escalar um pequeno morro.
No fim dele, olhou para baixo. Aqueles habitantes ainda o perseguiam, escalando aquele local.
O garoto pegou algumas pedras no chão, jogando acertando aquelas pessoas.
— Me… deixem… em paz!
O ataque funcionou, fazendo eles recuarem um pouco. Com isso, aproveitou para continuar correndo, entrando dentro da floresta.
Cansado, se escondeu em uma moita, tentando recuperar o fôlego.
“Não posso parar… Não aqui.”, pensou o jovem, colocando sua mão no pescoço, se lembrando do que aconteceu há pouco.
— Acho que estou começando a odiar esse mundo…
— Oh, você não gosta do nosso mundo, Dante? — Uma voz familiar ressoou de trás dele. Quando se virou, a primeira coisa que viu foi um pênis, o que o deixou completamente enojado.
Se afastou, podendo ver melhor quem era a pessoa atrás dele, Frank, que sorria de orelha a orelha.
“Ele tava me esperando aqui?!”, estava horrorizado por dois motivos: o primeiro era saber que aquela pessoa estava tão disposta a matá-lo que estava o esperando para terminar o serviço, e porque teria que fugir de um homem adulto pelado segurando uma marreta.
— O nosso pega-pega ainda não acabou, garoto. Vamos nos divertir!
Frank levantou sua marreta, direcionando-a ferozmente ao jovem, sentado no chão. No entanto, Dante foi mais rápido, conseguindo desviar do ataque potencialmente fatal.
No entanto, um alto som de disparo assolou a floresta, surpreendendo os dois. Quando viram, tinha dois buracos de bala no chão, ao lado da mão de Dante.
Olharam para a direção que veio esse disparo, vendo aquele aglomerado de pessoas da vila, com um homem na frente deles segurando uma espingarda.
“Isso tá coerente com a época em que esse mundo tá?!”
Frank foi na frente deles, enfurecido.
— Não atrapalhem o nosso jogo! Vocês já tiveram a vez de vocês e falharam! Agora é minha vez.
Os habitantes olharam para Frank, completamente intimidados, e se afastaram um pouco.
Quando o homem olhou para onde Dante estava, o garoto já havia saído de lá, correndo com todas as energias que restaram.
— Volta aqui, garoto!
Frank correu atrás dele, completamente animado. A emoção de ser o predador correndo atrás de sua presa em um jogo em que ambos deviam ser astutos, pois um podia não alcançar e o outro fugir a tempo, era tudo que o coração daquele homem sentia. Ele estava se divertindo em caçar Dante. Em contrapartida, o garoto não podia dizer o mesmo.
Enquanto corria, o jovem sentiu várias gotas de água pingando em seu corpo. De repente, começou a chover, e a força da chuva só ia aumentando ao passar dos minutos.
[Como poderia chover em uma cidade subterrânea?]
— Talvez porque isso não é uma cidade subterrânea!
[Isso não faz sentido… Com certeza ainda estamos abaixo do subsolo.]
— Sinceramente, eu não tô com muita animação pra saber disso agora! Porque tem um louco atrás de mim!
Continuou correndo, até que se deparou com o fim da floresta. O jovem conseguiu parar bem na hora, pois tudo que tinha à sua frente era um penhasco. Olhou para baixo, apenas vendo uma forte correnteza.
Hesitou em pular, tentando achar alguma outra forma de sair daquele lugar sem ter que se afogar.
— Você corre muito.
Olhou para a direção da voz. Frank havia o encurralado.
— Não tem lugar para fugir, garoto. Aceite o seu destino.
— P-por que a gente não resolve isso de uma forma mais pacífica? Já jogou UNO?
O homem deu um curto passo em direção ao jovem, o fazendo dar um passo pra trás, sentindo a beirada do chão. Frank deu mais um passo, e Dante engoliu seco.
De repente, vários sons de trovões pairavam sobre o lugar, até que, de repente, um raio caiu no lado dos dois, os fazendo ser arremessados.
Dante caiu na forte correnteza, já desmaiado.

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