Índice de Capítulo

    — Que… bosta…

    O jovem estava cambaleando pela rua, tentando se manter em pé, apoiando o seu braço na parede. Ainda estava atordoado pelo o que aconteceu no beco, e queria só se livrar da grande dor que assolava a sua barriga.

    Após o soco que o garoto levou de Altair, ele não conseguiu manter a compostura. Foi um ataque feroz, e veio de uma pessoa maior e mais forte. Com isso, Dante estava minimamente debilitado.

    — Rei Demônio…

    Lembrou-se das palavras do homem e ficou apreensivo e pensativo quanto a isso. Pensava o porquê do Rei Demônio querer caçá-lo. Talvez fosse por causa que era amigo de duas deusas, ou por poder ressuscitar. Também pensou na possibilidade de ser por causa dos acontecimentos envolvendo o Raia.

    — Isso vai ser um…

    — Com licença!

    Foi interrompido por uma voz preocupada de um jovem adulto. 

    — Com licença garo… garoto!

    “Ele acertou…”

    Era um demi-humano cachorro. A sua aparência era puxada mais para o lado de animal do que humano, diferente de Freya ou Chloe. Parecia estar bem preocupado com Dante, com certeza, percebeu o estado de dor em que o garoto estava.

    — Você não parece nada bem! Precisa de ajuda?

    Dante vendo a gentileza e preocupação, principalmente a sua condição, não pôde querer recusar.

    — Ah, muito obri…

    Antes que pudesse aceitar a sua ajuda, os dois foram abordados por dois rapazes com aparências desagradáveis segurando garrafas de bebidas alcoólicas.

    Um dos rapazes visualizou a situação e começou a rir. O outro não estava entendendo o motivo de seu companheiro estar rindo. O homem cochichou para seu amigo, e ele começou a rir também.

    — Qual é a graça? — o demi-humano perguntou.

    — Fala sério! Isso só pode ser uma piada! — Um dos homens jogou a garrafa no demi-humano, acertando seu rosto. Felizmente, ela não quebrou quando o acertou, só no momento em que caiu no chão — Um demi-humano? Querendo ajudar essa pessoa? Onde está seu dono, hein? — Continuou rindo.

    — Com todo o respeito, senhor, mas eu não sou um escravo…

    — Mas o quê?! Então você é um dos soltos? Os soltos são os que me dão mais nojo, seu lixo! — O demi-humano não se importando com as provocações, pegou o ombro de Dante e começou ajudá-lo a andar.

    O outro rapaz também começou a provocar.

    — Aí, demi-humanozinho, quer ser meu escravo não?

    Dante estava muito mal para ouvir aquelas coisas horríveis que aquels dois estranhos gritavam em plena luz do dia, atraindo olhares curiosos. Seu dia estava muito cheio, e o jovem só queria chegar na hospedaria e descansar.

    — Ei, moço, pode me deixar ir sozinho, não quero lhe trazer problemas.

    O demi-humano estava hesitando. Tudo que ele queria era ajudar o garoto.

    — Se preocupa não, meu jovem, não ligo para aquilo.

    Dante não aceitando a sua teimosia, saiu do braço do rapaz e colocou sua mão em seu ombro.

    — Olha, eu agradeço muito o que você está tentando fazer, mas posso me virar, okay?

    — O… Okay? Essa palavra é nova.

    — Talvez pra você. — Dante começou a andar sozinho novamente — Muito obrigado mesmo.

    O garoto não entendia o porquê do preconceito contra os demi-humanos. Para ele aquelas pessoas eram fantásticas. Mas algo chamava a atenção, e era quando aquele homem desagradável falou que o rapaz era um dos “soltos”.

    — Qual é o problema dessas pessoas?

    O garoto acabou caindo no chão.

    “Droga… Rei Demônio… Rei Demônio… O R-Rei Demônio… o que ele quer comigo…?”

    Não conseguia parar de pensar nisso.

    “Por que ele quer me caçar? Isso é… assustador… Será que vou acabar morrendo de novo…? Não, não quero isso, dói demais…”

    Pensando no que de pior poderia acontecer, ele estava começando a se desesperar. Dante decidiu parar ali mesmo, no chão.

    “O que posso fazer? Ele vai me caçar, né? O Rei Demónio vai vim me matar, né? Será que a Angel e meus amigos vão morrer.”

    Sua garganta estava começando a secar. Pensar que poderia acabar sofrendo por causa de uma pessoa que nem conhecia estava o deixando com muito medo.

    “O aviso que aquele cara me deu, realmente me intimidou… acho que estou em uma péssima situação agora…”

    — Eeeeh… cê tá bem?

    Olhando para o dono dessa voz, ele viu uma linda mulher.

    — Espera, você não é aquele cara que estava correndo e esbarrou comigo?

    —  Hã?

    Ele achou que a garota havia se enganado, mas para confirmar, Dante pensou um pouco, até que acabou se lembrando de que se esbarrou com uma pessoa encapuzada há um tempo, antes do jovem acabar morrendo algumas vezes dentro da casa onde tinha o cadáver de uma garota.

    — Vo-você… era aquela pessoa encapuzada?

    — Isso!

    O garoto se levantou rapidamente do chão.

    — Ah, me de-desculpa por aquilo…

    — Sem problemas. Vejo que você está um pouco desesperado, quer conversar?

    Eles foram para uma praça na capital, um local onde havia muitas pessoas, e estavam sentados em um banco.

    — Então, qual é o problema?

    Dante hesitou um pouco antes de falar, ele não sabia se seria uma boa ideia, ainda mais para uma estranha.

    — …Bem, é que… Um cara que eu nunca vi na minha vida, pelo visto, quer me matar… nunca fiz nada para ele e isso me preocupa… Acabei pensando se isso afetaria meus amigos… Quando soube sobre isso de primeira, fiquei pensando… mas parece que uma amiga havia percebido isso, e falou para não me preocupar, mas não estava tão preocupado quanto estou agora…

    A mulher entendeu sua situação de forma graciosa. Ela estava pensando na melhor forma de achar uma resolução para esse problema.

    — Então acho que não devia se preocupar.

    Não eram as palavras que Dante queria ouvir.

    — Você não escutou o que…

    — Fala, aí, qual é dessa sua amiga que disse para você não se preocupar.

    Angel queria uma vida sem que as pessoas soubessem quem ela era de verdade, a garota contou isso após o jovem sair do hospital. Dante respeitou essa sua decisão, então não iria falar sobre ela ser um Anjo da Guarda.

    — É uma amiga que me protege de perigos.

    — Te proteje? Tipo, uma guarda-costas?

    — Acho que sim…?

    — Se você confia nessa pessoa, talvez deva confiar em suas palavras. Se ela disse isso, é porque irá te proteger, não importa o que aconteça.

    — …Acho que está certa. Mas… tô assustado…

    — Então foque em alguma coisa para ficar mais tranquilo.

    — “Ficar mais tranquilo”?

    Foi quando se lembrou de Freya. A garotinha foi uma escrava por bastante tempo, então ela não devia ter feito alguma coisa divertida há algum tempo.

    — Acho que sei como fazer isso. Muito obrigado, irei seguir o seu conselho para não ficar maluco.

    A garota se levantou do banco soltando um suspiro de satisfação, e seu rosto também demonstrava isso.

    — Uma moeda de ouro pelo conselho.

    — Oi?!

    Riu da cara de surpresa do garoto.

    — Só estou brincando. Meu nome é Kelly, e você?

    — Oh, meu nome é Dante Katanabe.

    — Tudo bem, Dante Katanabe. — Deu um grande e lindo sorriso — Nos vemos a qualquer hora.

    Sua voz era doce e sua aparência era angelical, qualquer pessoa ficaria admirado com ela. Com aquele sorriso, Dante acabou corando e seu coração acelerou mais do que o normal.

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