Arco 3: Capítulo 29 - Banho
— Queria falar comigo, Bastet?
Angel estava cara a cara com o outro anjo à sua frente. Estava uma fria madrugada, encaravam em uma rua completamente isolada.
— Sim, e você sabe muito bem a importância do assunto. — A mulher anjo observou atentamente as vestimentas que a garota usava — Vejo que não está mais usando vulgaridades.
Ela estava usando aquela roupa que recebeu do homem na madrugada passada.
— Sim, eu sei. Tudo bem então. Vamos conver…
A garota estava bem direta sobre esse assunto importante. Antes que pudesse completar a sua frase, Bastet levou seu dedo indicador à esquerda e direita.
— Não aqui. Que tal irmos para um banho quentinho ao ar livre para conversar com calma.
Angel apenas concordou. Não havia muito o que se opor sobre essa decisão.
Elas invadiram um local de banho ao ar livre. Aquela época era um congelante inverno, mas a água daquele estava em uma boa temperatura, e não seria problema estarem expostas ao clima do livre ambiente, e as duas também não podiam se importar tão pouco com aquilo.
Estavam completamente nuas em um grande espaço no chão cheio de água quente, algo parecido com uma fonte termal. O lugar estava completamente iluminado, e não tinha ninguém que pudesse ouvi-lás ou entrar na parte feminina deste balneário, afinal, era de madrugada e as duas invadiram o local.
Bastet começou a se banhar, derramando água pelos seus braços. A mulher estava completamente relaxada, até parecia que esqueceu do motivo de estarem ali. Bem, Angel não esqueceu, e estava olhando-a se banhando tranquilamente.
— E então…?
A garota deu o primeiro passo para a conversa, esperando que Bastet começasse a falar.
— Calma, por que a pressa? Temos horas para conversar com calma.
— Pois é, mas parece que você esqueceu do motivo de estarmos aqui. E esse silêncio é completamente estranho. Além disso, se algo de perigoso acontecer, preciso proteger o meu garoto com todas as forças.
Se referia a Dante. Bastet olhou surpresa, não era algo que esperava ouvir de Angel, pelo menos da que conhecia há muitos anos.
— Você cresceu.
Esse foi um comentário espontâneo e inocente, sem malícia alguma…
— O quê? Pervertida!
…Porém, Angel achou que a mulher se referia ao tamanho de seus peitos.
— Você entendeu errado o que eu quis dizer. Falo de se importar com outras pessoas agora. Você não era assim quando nos conhecemos.
— Ah… sei disso.
— Você era uma criança insolente.
— Podemos voltar ao que interessa?
Angel estava ficando irritada com o que a mulher estava falando. Bastet riu após perceber isso. O que ela falou tinha um sentimento fraternal envolvido.
— O Rei Demônio vai nos caçar em breve. Nós precisamos reunir os cinco e criar um plano de combate.
Isso era o que Bastet queria falar com Angel. Algo bastante importante, desde que elas estariam em perigo se não agissem. Porém, a garota tinha uma única preocupação.
— E as pessoas que devemos proteger? Você pretende envolvê-las.
— Não.
— Sabe, Bastet, eu não confio nem um pouco em você desde que você nos atacou. O seu garoto até conseguiu me cortar!
A mulher entendeu o lado de Angel, e percebeu que aquilo poderia ter sido uma coisa péssima de ter sido feita, mas precisava de alguma forma impedir que algo de pior acontecesse, e também estava desesperada, mas mesmo assim, isso não era desculpa.
— Olha só, me desculpe por aquilo. Eu só queria raptar o Dante para convecê-lo a falar com você.
— O seu garoto deu um tiro no meu garoto.
— Oh… Perdão…
Angel não estava com raiva, só um pouco indignada com a situação. O que Bastet fez foi um plano completamente idiota, e ainda agiu como superior quando se encontraram.
— Se você quisesse me contatar, era só ter me chamado de uma forma normal.
— E você me ouviria?
A mulher falou seriamente. Ela realmente achava que Angel não a escutaria se não fosse por chantagem.
— Não sei. Talvez?
— Sabe, Angel, você sempre foi uma garotinha difícil.
A garota suspirou fundo, ainda em um ar de indignação.
— Não faça essas babaquices novamente, poxa. Desesperada ou não, tente agir de forma racional. Mas, voltando ao assunto principal, como pretende impedir o Rei Demônio com o plano dele, ou algo assim?
A garota apoiou o seu corpo completamente na borda da banheira. Diferente da nova Mansão Elliot, as bordas eram feitas de pedra polida.
Bastet se levantou, deixando exposto o seu corpo esbelto e sensual, e sentou-se diretamente na frente de Angel.
— Sei onde a Carmiele e o Vênus estão, mas não sei o pardeiro dos outros três. Tem alguma ideia?
— Não — relaxadamente, a garota negou —, mas posso procurá-los. Talvez o Vênus saiba onde esteja o Kim.
— Você está certa.
Carmiele, Vênus e Kim, o nome dos outros anjos em que as duas decidiram procurar. Cinco, sendo o resultado de dois mais três, só faltavam dois anjos para os setes se reunirem.
O Rei Demônio planejava algo, e Bastet queria impedir isso de qualquer jeito, tanto que colocou a vida de Dante e mais pessoas no restaurante por causa de seu desespero, mesmo que não demonstrasse isso de uma forma clara.
— Então, você vai atrás de Carmiele e Vênus?
Bastet acenou de forma positiva.
— O que devo fazer por ora?
— Nada a não ser ajudar o seu familiar.
“Familiar” era o termo em que os Anjos da Guarda usavam com as pessoas que deviam proteger. Angel nunca chamou Dante desta forma até o momento.
— Por falar nisso, seu garoto é bem bonzinho.
— Quê? Por que isso do nada?
— Foi só uma observação.
Bastet saiu da frente de Angel e sentou ao seu lado.
— Mas sim, Dante é bonzinho. Eu o beijei como recompensa por me acompanhar a uma casada à demônios. Foi um beijo sem amor, mas bom o bastante para ele gostar.
— …Você o quê? — A mulher olhou para Angel com uma expressão de nojo no rosto, enquanto a julgava mentalmente — Nojenta…
— Quê? Por quê?! — Angel ficou completamente confusa após esse insulto.
— Por que você beijaria alguém cujo tem um sentimento fraternal?
Então esse era o motivo. A mulher ouviu esse comentário da garota como algo completamente esquesito de se fazer.
Por ter um sentimento fraternal por Altair, seu familiar, ela ficou um pouco enojada. Sua relação com o rapaz era algo como uma irmã mais velha cuidando de seu irmão mais novo.
— Quê? Mas não tenho nenhum sentimento fraternal pelo Dante.
Meio que a relação dos dois eram apenas entre amigos.
— Por que não?!
— E por que deveria? Não baseie a relação dos outros com as suas relações!
Angel empurrou o rosto da mulher com bastante força.
— Não tô me baseando em nada. Não é só eu que achava que você tinha um sentimento fraternal com ele e a outra lá, a Olivia. Por falar nisso, onde está ela?
Olivia não apareceu desde o aniversário dela com seu irmão gêmeo, Dante. Apesar de isso ser preocupante, principalmente por a garota não ter sido vista morta, Angel parecia que não estava preocupada.
Nesse ponto, a garota não estava mais empurrando a mulher. Apenas parou e pensou um pouco na sua outra familiar. Mesmo que não mostrasse preocupação, ainda pensava em como ela estava.
— Bem, não estou preocupado, sei que ela consegue se virar. Minha única preocupação até o momento é com o Dante mesmo.
Isso era bastante válido considerando que o garoto sempre atraía perigo e morreu mais de uma vez.

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