Índice de Capítulo

    — Queria falar comigo, Bastet?

    Angel estava cara a cara com o outro anjo à sua frente. Estava uma fria madrugada, encaravam em uma rua completamente isolada.

    — Sim, e você sabe muito bem a importância do assunto. — A mulher anjo observou atentamente as vestimentas que a garota usava — Vejo que não está mais usando vulgaridades.

    Ela estava usando aquela roupa que recebeu do homem na madrugada passada.

    —  Sim, eu sei. Tudo bem então. Vamos conver…

    A garota estava bem direta sobre esse assunto importante. Antes que pudesse completar a sua frase, Bastet levou seu dedo indicador à esquerda e direita.

    — Não aqui. Que tal irmos para um banho quentinho ao ar livre para conversar com calma.

    Angel apenas concordou. Não havia muito o que se opor sobre essa decisão.


    Elas invadiram um local de banho ao ar livre. Aquela época era um congelante inverno, mas a água daquele estava em uma boa temperatura, e não seria problema estarem expostas ao clima do livre ambiente, e as duas também não podiam se importar tão pouco com aquilo.

    Estavam completamente nuas em um grande espaço no chão cheio de água quente, algo parecido com uma fonte termal. O lugar estava completamente iluminado, e não tinha ninguém que pudesse ouvi-lás ou entrar na parte feminina deste balneário, afinal, era de madrugada e as duas invadiram o local.

    Bastet começou a se banhar, derramando água pelos seus braços. A mulher estava completamente relaxada, até parecia que esqueceu do motivo de estarem ali. Bem, Angel não esqueceu, e estava olhando-a se banhando tranquilamente.

    — E então…?

    A garota deu o primeiro passo para a conversa, esperando que Bastet começasse a falar.

    — Calma, por que a pressa? Temos horas para conversar com calma.

    — Pois é, mas parece que você esqueceu do motivo de estarmos aqui. E esse silêncio é completamente estranho. Além disso, se algo de perigoso acontecer, preciso proteger o meu garoto com todas as forças.

    Se referia a Dante. Bastet olhou surpresa, não era algo que esperava ouvir de Angel, pelo menos da que conhecia há muitos anos.

    — Você cresceu.

    Esse foi um comentário espontâneo e inocente, sem malícia alguma…

    — O quê? Pervertida!

    …Porém, Angel achou que a mulher se referia ao tamanho de seus peitos.

    — Você entendeu errado o que eu quis dizer. Falo de se importar com outras pessoas agora. Você não era assim quando nos conhecemos.

    — Ah… sei disso.

    — Você era uma criança insolente.

    — Podemos voltar ao que interessa?

    Angel estava ficando irritada com o que a mulher estava falando. Bastet riu após perceber isso. O que ela falou tinha um sentimento fraternal envolvido.

    — O Rei Demônio vai nos caçar em breve. Nós precisamos reunir os cinco e criar um plano de combate.

    Isso era o que Bastet queria falar com Angel. Algo bastante importante, desde que elas estariam em perigo se não agissem. Porém, a garota tinha uma única preocupação.

    — E as pessoas que devemos proteger? Você pretende envolvê-las.

    — Não.

    — Sabe, Bastet, eu não confio nem um pouco em você desde que você nos atacou. O seu garoto até conseguiu me cortar!

    A mulher entendeu o lado de Angel, e percebeu que aquilo poderia ter sido uma coisa péssima de ter sido feita, mas precisava de alguma forma impedir que algo de pior acontecesse, e também estava desesperada, mas mesmo assim, isso não era desculpa.

    — Olha só, me desculpe por aquilo. Eu só queria raptar o Dante para convecê-lo a falar com você.

    — O seu garoto deu um tiro no meu garoto.

    — Oh… Perdão…

    Angel não estava com raiva, só um pouco indignada com a situação. O que Bastet fez foi um plano completamente idiota, e ainda agiu como superior quando se encontraram.

    — Se você quisesse me contatar, era só ter me chamado de uma forma normal.

    — E você me ouviria?

    A mulher falou seriamente. Ela realmente achava que Angel não a escutaria se não fosse por chantagem.

    — Não sei. Talvez?

    — Sabe, Angel, você sempre foi uma garotinha difícil.

    A garota suspirou fundo, ainda em um ar de indignação.

    — Não faça essas babaquices novamente, poxa. Desesperada ou não, tente agir de forma racional. Mas, voltando ao assunto principal, como pretende impedir o Rei Demônio com o plano dele, ou algo assim?

    A garota apoiou o seu corpo completamente na borda da banheira. Diferente da nova Mansão Elliot, as bordas eram feitas de pedra polida.

    Bastet se levantou, deixando exposto o seu corpo esbelto e sensual, e sentou-se diretamente na frente de Angel.

    — Sei onde a Carmiele e o Vênus estão, mas não sei o pardeiro dos outros três. Tem alguma ideia?

    — Não — relaxadamente, a garota negou —, mas posso procurá-los. Talvez o Vênus saiba onde esteja o Kim.

    — Você está certa.

    Carmiele, Vênus e Kim, o nome dos outros anjos em que as duas decidiram procurar. Cinco, sendo o resultado de dois mais três, só faltavam dois anjos para os setes se reunirem.

    O Rei Demônio planejava algo, e Bastet queria impedir isso de qualquer jeito, tanto que colocou a vida de Dante e mais pessoas no restaurante por causa de seu desespero, mesmo que não demonstrasse isso de uma forma clara.

    — Então, você vai atrás de Carmiele e Vênus?

    Bastet acenou de forma positiva.

    — O que devo fazer por ora?

    — Nada a não ser ajudar o seu familiar.

    “Familiar” era o termo em que os Anjos da Guarda usavam com as pessoas que deviam proteger. Angel nunca chamou Dante desta forma até o momento.

    — Por falar nisso, seu garoto é bem bonzinho.

    — Quê? Por que isso do nada?

    — Foi só uma observação.

    Bastet saiu da frente de Angel e sentou ao seu lado.

    — Mas sim, Dante é bonzinho. Eu o beijei como recompensa por me acompanhar a uma casada à demônios. Foi um beijo sem amor, mas bom o bastante para ele gostar.

    — …Você o quê? — A mulher olhou para Angel com uma expressão de nojo no rosto, enquanto a julgava mentalmente — Nojenta…

    — Quê? Por quê?! — Angel ficou completamente confusa após esse insulto.

    — Por que você beijaria alguém cujo tem um sentimento fraternal?

    Então esse era o motivo. A mulher ouviu esse comentário da garota como algo completamente esquesito de se fazer.

    Por ter um sentimento fraternal por Altair, seu familiar, ela ficou um pouco enojada. Sua relação com o rapaz era algo como uma irmã mais velha cuidando de seu irmão mais novo.

    — Quê? Mas não tenho nenhum sentimento fraternal pelo Dante.

    Meio que a relação dos dois eram apenas entre amigos.

    — Por que não?!

    — E por que deveria? Não baseie a relação dos outros com as suas relações!

    Angel empurrou o rosto da mulher com bastante força.

    — Não tô me baseando em nada. Não é só eu que achava que você tinha um sentimento fraternal com ele e a outra lá, a Olivia. Por falar nisso, onde está ela?

    Olivia não apareceu desde o aniversário dela com seu irmão gêmeo, Dante. Apesar de isso ser preocupante, principalmente por a garota não ter sido vista morta, Angel parecia que não estava preocupada.

    Nesse ponto, a garota não estava mais empurrando a mulher. Apenas parou e pensou um pouco na sua outra familiar. Mesmo que não mostrasse preocupação, ainda pensava em como ela estava.

    — Bem, não estou preocupado, sei que ela consegue se virar. Minha única preocupação até o momento é com o Dante mesmo.

    Isso era bastante válido considerando que o garoto sempre atraía perigo e morreu mais de uma vez.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota