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    — Você tem problema? Nossa, eu realmente acho que você tem algum tipo de problema, Ren! — Chloe estava segurando sua cabeça com força, andando em círculos.

    Depois que o rapaz urinou na cabeça daquela nobre, ele foi ameaçado de morte por ela, e a mulher acabou saindo da festa a força, mas ainda o ameaçando.

    A festa continuou, mas não com o clima que estava antes, e, aos poucos, pessoas e mais pessoas saíam do local.

    No fim, a festa foi divertida, mas não se sabia ao certo se Chap conseguiu cumprir seu objetivo com isso, na verdade, sua reputação como nobre podia ter decaído, por culpa de Ren e de sua brincadeirinha de vingança.

    Agora, o garoto, acompanhado de Dante, Chloe e Saphir, estava no corredor e na frente da porta de entrada do escritório do chefe.

    Ele estava de braços cruzados e encostado na parede, com um olhar completamente despreocupado.

    — O que foi? Por que você está tão preocupada?

    Parou de andar em círculos e olhou para ele, indignada.

    — Você realmente não tem plena noção do que fez, né?

    — Claro que tenho!

    — Então, o que você fez?

    — Fiz uma pessoa babaca ser punida.

    — Quê? Tá, mentira não é. Mas sabe que tinha formas melhores de resolver isso, certo?

    O rapaz suspirou e depois deu uma risada, balançando o seu dedo para os lados.

    — Essa foi a melhor e mais humilhante forma que pensei. Imagina! Ela sempre será lembrada pela “mulher que foi banhada em urina fresca”.

    — Sim, e você “o cara que urinou em cima de uma nobre”.

    Dante e Saphir, que observavam tudo calados, tiveram uma imagem mental desses títulos.

    — E o que pode ser pior? Eu ser demitido? Hah! Sem chance! Isso nunca…

    — Sim, isso pode acontecer, mas nem é o pior.

    O rapaz ficou calado e parado na mesma posição, e com um olhar despreocupado. Foi quando, silenciosamente, virou-se para a garota.

    — O que você disse?

    — Disse que você pode ser demitido. Não só isso, como também pode morrer. Eu não duvido nada que aquela mulher contrate um assassino de aluguel para te caçar.

    Seu rosto ficou pálido e ele caiu de joelhos no chão.

    — Nãooooooooooo! Como deixei isso acontecer? — gritou, socando o chão repetidas vezes.

    — Quando você fez merda — Chloe comentou.

    — Ainda não consigo tirar aquela visão da minha cabeça — Saphir disse.

    — Boa sorte com o que você vai fazer depois do emprego, amigão — Dante falou.

    Ren levantou seu rosto, que estava cheio de lágrimas e com muco no nariz. Ele andou de joelhos até o garoto, e o agarrou.

    — Por favor, Dante! Me ajude!

    — O quê?!

    O garoto ficou completamente sem graça com essa ação inusitada.

    — Sem esse emprego, não tenho mais! O salário daqui é muito bom! Além de eu poder morar aqui e a comida ser ótima! Me ajude! Não quero perder esse emprego!

    Quanto mais falava, escalava pelas roupas do jovem, e Dante desviava o olhar.

    Chloe ficou indignada com o fato de Ren poder ser demitido depois daquilo não passou pela sua cabeça, e estava o olhando com uma expressão de desprezo no rosto.

    — Dante, Saphir, vamos abandonar ele aqui e fazê-lo se virar sozinho.

    — Não façam isso! É crueldade! — gritou abafadamente com o rosto na roupa dele.

    Saphir estava começando a ficar com pena do rapaz, e tentou consolá-lo, fazendo um cafuné em sua cabeça.

    Dante se cansou daquilo e cedeu. Suspirou e se afastou do rapaz.

    — Tudo bem, te ajudo. Mas não posso garantir que ainda vamos manter seu emprego.

    — C-certo.

    — Quando passarmos por essa porta, você vai ter que se ajoelhar e colocar sua testa com tudo no chão, entendeu?

    — S-sim.


    — Hm…

    Dentro do escritório do chefe, Chap observou Ren no chão, enquanto Dante, Chloe e Saphir esperavam ele dizer alguma coisa.

    — O que você está fazendo?

    — Me desculpe, Chap. Por favor, não me demita.

    O homem pareceu confuso com aquilo, e tentou se lembrar de alguma situação em que teria motivo para demiti-lô.

    — Espera, é por causa do que você fez na festa?

    — …Sim.

    Ao entender, o nobre apenas começou a rir, não conseguindo parar. Todos ali o olharam com extrema confusão.

    — Não se preocupe. Não vou te demitir por causa daquilo.

    Essa afirmação, apesar de ter sido um alivio pro rapaz, ainda foi confuso para todos ao redor.

    — Sabe, Ren, apesar de sua atitude ter sido imprudente e derespeitosa, você conseguiu fazer uma forte inconveniência ir embora. Não sei se perceberam, mas aquela mulher estava sendo um inconveniente para todo mundo.

    Todos os nobres estavam cochicando entre si, e o assunto era sobre aquela mulher. Eles estavam reclamando que uma pessoa como ela estava soltando comentários completamente desagradáveis e desnecessários em uma festa, um evento para se divertir.

    — Espera, chefe, se é assim, por que você não a expulsou antes? — Chloe disse.

    — Certamente poderia fazer isso, e iria fazer isso. Eu queria evitar isso, mas aquela mulher é de uma grande família nobre. Além disso, conhecendo seu histórico, já esperava que algo assim iria acontecer.

    — Se ela é de uma grande família nobre, e você já sabia que isso iria acontecer, por que a convidou? — Saphir entrou na conversa, levantando a mão antes de perguntar.

    — Convidei a família no geral, mas poucos vieram, e aqueles poucos foram aqueles dois homens e aquela mulher. Além do mais, quase que não contive as minhas risadas daquele absurdo.

    Com isso, o rapaz estava mais tranquilo e confiante, se levantando do chão com uma cara destemida.

    — Haha! Viu, gente, eu disse que não ia acontecer nada demais comigo! — disse de forma exibida.

    — Você fala dessa forma… Nem parecia que estava chorando e pedindo ajuda anteriormente… — Chloe comentou, aliviada que nada de grave aconteceu, mas surpresa com essa mudança de postura de Ren.

    — Que bom que você não vai ser demitido! — Saphir exclamou.

    — Sim, é verdade! E ele nem precisaria da minha ajuda, de qualquer forma — disse Dante.

    Com isso, o desespero que o rapaz teve há alguns minutos, se esvaiu completamente.

    — Entretanto, não te punir seria antiprofissional, e não seria um ótimo exemplo a se seguir, sendo eu um nobre e chefe de vocês, funcionários dessa mansão. Entende?

    A postura erguida e convencida do garoto se esvaiu um pouco depois desse comentário. Começou a sentir um grande frio na barriga, e começou a sentir mais ainda quando Chap abriu a boca para falar novamente.

    — Então, você receberá uma diminuição salarial de 15% de seus pagamentos semanais. Isso irá durar apenas neste mês. Entendeu, Ren?

    — S-sim, senhor!

    Isso não era algo com que o rapaz precisasse se preocupar, até porque, o salário de lá já era alto, e quando não guardava boa parte do dinheiro, gastava em besteiras. Uma diminuição salarial por 1 mês não ia o atrapalhar.


    Após aquela conversa dentro do escritório, Dante perguntou à Chap se poderia dormir em sua casa do vilarejo. Afinal, ele também tinha que passar um tempo maior com suas amigas. Saphir aproveitou isso e perguntou se poderia dormir na casa de seus pais.

    O chefe não teve objeções. A festa, apesar de não ter sido tão duradoura, foi cansativa para os funcionários, já que tiveram que entregar comida, bebidas, passar o tempo inteiro em pé, além de outros trabalhos que fizeram antes do fim do evento.

    No geral, o objetivo para essa festa, de certa forma deu certo. Os nobres vão falar sobre o nobre e o que aconteceu já faz um bom tempo.

    O jovem já estava vestindo seu conjunto de moletom, que usava para dormir. Também, antes de tudo começar, tomou um banho.

    “Parece que Saphir já foi.”, chegou no salão principal, onde suas amigas o esperavam.

    — O que o seu chefe disse? — Alice perguntou.

    — Vou poder passar a noite com vocês hoje. Arrumar tudo isso vai ser só amanhã cedo. — Apontou para o local que permanecia o mesmo, a diferença é o menor número de pessoas.

    — Que bom! Que tal jogarmos um jogo antes de dormirmos hoje? — disse Angel.

    — É! Vai ser divertido. — Flora voou e pousou até o ombro dele.

    — Tudo bem, pode ser divertido.

    De repente, o jovem sentiu um puxão em sua roupa. Era Freya, que segurava uma maçã que sobrou da festa na mão.

    — Mestre, podemos dar isso pra Yuri?

    — Uma maçã? Acho que sim… Espera, Yuri?! Eu esqueci ela!

    Chap permitiu a entrada de animais na festa, desde que não tivesse muita bagunça. Porém, já era tarde demais, o jovem já havia esquecido a raposa, e não tinha muito o que fazer.

    Pelo menos, ela receberia uma recordação da festa: uma simples maçã.


    — Toma, Yuri!

    Eles chegaram em casa, e a raposinha estava na entrada, esperando eles. O animal comeu a fruta da mão da garotinha e, depois, subiu em seu ombro.

    Alfrey pegou a chave de seu bolso e destrancou a porta.

    — Espera.

    Angel entrou na frente dela e abriu a porta com cautela.

    — O que foi? — A súcubo franziu as sobrancelhas.

    Os demais olharam para ela com expressões confusas no rosto. A raposinha suspirou, e entrou dentro do vestido da pequena demi-humana, observando a situação com a cabeça para fora da roupa.

    Angel entrou e observou atentamente a sala de estar. Fechou seus olhos e se concentrou para ouvir o som ao redor. Os outros entraram em seguida.

    — Que foi? Deixou o fogão ligado? — Dante disse.

    — Se fosse esse o problema, eu não estaria tão preocupada.

    — Hã? Espera, qual é o proble…

    De repente, a porta atrás deles se fechou violentamente. Quando olharam, viram um homem baixinho e mascarado fechando a saída.

    Alfrey foi para trás de Dante, e eles se afastaram para trás, chegando perto da Anjo da Guarda.

    O garoto virou para trás, vendo a mulher com os olhos fechados e totalmente concentrada.

    — Angel, é seu amigo? — disse, já sabendo a inevitável resposta.

    — Para sua infelicidade, Dante, não.

    A garota estalou seus dedos e sua espada, que estava em seu quarto, veio girando e voando em alta velocidade até ela.

    Quando chegou em sua mão, um agudo barulho de metal batendo, junto de uma faísca ressoou.

    Quando perceberam, um homem magrelo, maior que todos ali e com tatuagens a atacou. Angel percebeu que isso iria acontecer, então, passou alguns minutos tentando encontrá-lo, e se defendeu a tempo.

    — Huh! Você é mesmo a Matadora de Anjos e Demônios, não é mesmo, garotinha?

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