Arco 2: Capítulo 40 - A Declaração da Vida
Raia estava em sua base que fazia parte da caverna. O homem estava construindo uma espécie de coletor de sangue ligado à máquina de “reprodução”, por um cabo.
A porta do local foi aberta, e o rapaz já tinha uma mínima noção de quem seria.
— Seja bem-vindo de volta, Han.
— Obrigado, mestre.
O demônio tinha chegado no local, junto de um potinho com um líquido viscoso e vermelho.
— Mestre, realmente pareceu mais fácil roubar o sangue das pessoas ao invés de sequestrá-las. Porém, infelizmente não sei o porquê desse seu plano novo.
Raia se cansou de sequestrar pessoas, por isso, fez um novo plano. Basicamente, seus subordinados iriam coletar o sangue de pessoas enquanto elas dormiam. Desse jeito, mais crimes seriam evitados.
Han olhou em confusão para o coletor de sangue que estava em cima da mesa. Ele chegou perto e levou seu dedo para o item. Porém.
— Não, Han. Não faça isso! — Raia não deixou.
— Ahn… perdão. Mestre, o que seria especificamente isso?
O rapaz explicou tudo para o demônio. Simplificando, aquilo era um coletor de sangue, e era naquele item onde seria despejado o sangue que Han e Kaira iriam “pegar emprestado” de dorminhocos pelo país.
Isso matava um questionamento que o demônio havia feito há alguns minutos. Com isso, e com brilhos nos olhos, Han elogiou o seu mestre, e o adimirou.
— Você é realmente inteligente, mestre!
— Que nada. A tecnologia do Rei Demônio que está fazendo isso funcionar. É realmente muito avançada!
— É, mas com a sua inteligência, você pode fazer coisas incríveis, meu mestre.
Raia acabou corando com toda aquela bajulação. Han parecia estar bastante inquieto com algo, e o rapaz percebeu isso.
— Algum problema?
— Não, não, não, não… Na verdade, queria fazer um pedido, se for possível. — Com as palavras presas na garganta, o demônio prosseguiu — É… que… eu qu-queria um carinho na cabeça.
Raia acenou e gentilmente acariciou a cabeça de Han. O demônio parecia ter adorado isso.
— Obrigado, mestre!
— Sem problemas. — O rapaz abriu um grande sorriso.
De repente, o barulho da porta sendo aberta lentamente surgiu no ambiente. Os dois olharam atentamente, e já sabiam de quem se tratava.
— Bem-vindo de volta, Kaira.
— Obrigado, mestre. Porém, temos visita.
Tanto Raia quanto Han arregalaram os olhos. Os dois viram um garoto com uma aparência feminina. Esse menino estava com a mão levantada e acenando.
— Boa noite — Dante Katanabe disse.
Han manteve uma guarda alta, se preparando para um possível combate. Porém, Kaira tentou intervir, e disse: “tudo bem, ele não está aqui para lutar”. O demônio ao lado de Raia olhou para seu mestre, e viu que não tinha nada com o que se preocupar.
Vendo Han abaixando a sua guarda, Dante ficou mais aliviado. O garoto prosseguiu com pequenos passos em direção à Raia. Enquanto andava, ele falava:
— Você deve ser o tal Raia, estou correto? Cê tá famoso pelo país, sabia? — Raia mordeu os lábios. Em seu rosto, mostrava arrependimento e um pouco de angústia — Não se preocupe, não estou aqui para tretar, quero só conversar contigo.
O rapaz levantou uma sobrancelha em confusão diante da declaração do garoto. “Então ele não veio aqui porque eu fui o responsável pelo desaparecimento de uma parente?”, foi isso que Raia pensou.
— Podemos ter uma conversa civilizada como dois adultos… quero dizer, um adulto e um brevemente adulto?
Raia fez chá para o garoto. Os dois se sentaram na cadeira, e tiveram uma pequena conversa.
Dante explicou tudo o que estava acontecendo em sua parte. Raia pareceu ter aceitado tudo muito bem, apesar de que ia ser preso.
— Eu sei um pouco da sua história mas, pelo visto, seu subordinado-demônio-montaria-peluda não sabe como você se encontrou com o seu, entre aspas, chefe — ele disse enquanto fazia um sinal com os dedos.
— Não o culpo pelo o que aconteceu com você, mas sabe que não vai sair em pune, né?
Raia relutantemente respondeu:
— Sei, e já pretendia me entregar de qualquer forma… Isso tudo é inútil, eu nunca… deveria ter aceitado a ajuda daquele cara… — Com lágrimas nos olhos começou a soluçar.
Dante não sabia muito o que falar diante aquilo, por experiência própria, o garoto sabia a dor de morrer e perder alguém, porém, não sabia como dar um conselho decente. O garoto estava sentindo muita simpatia por Raia.
— Olha… a sua família nunca vai voltar… pelo menos, não por esse método. — Dante sentiu os olhares arregalados de Raia e os demônios indo em sua direção — A morte é algo natural, de fato, é o ciclo da vida de qualquer ser vivo.
— O que você está dizen…
— Estou dizendo que não é impossível voltar da morte.
Raia se levantou de sua cadeira rapidamente, e fixou o seu olhar surpreso e assustado para o olhar calmo e sério de Dante Katanabe.
— Mas, também, não estou dizendo que é algo simples ou fácil, precisaria de muita determinação para isso.
— O que você…
— Por isso eu vou declarar aqui e agora.
O garoto se levantou de sua cadeira e deu dois passos para frente. Logo depois, apontou para o teto e, em seguida, para Raia, e disse destemidamente.
— Eu vou tentar trazer a sua família de volta. Isso não é uma promessa, é algo que eu simplesmente quero fazer por conta própria, então, não é para criar expectativas, viu? Donron Raia!
O rapaz estava se sentindo colocado contra a parede com a declaração de Dante, ele não estava sabendo como reagir.
— Não estou fazendo isso por pena, é porque eu quero! — Em seguida, ele apontou para si mesmo.

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